terça-feira, 15 de agosto de 2017


FIZERAM-ME ESTA PERGUNTA ALGUMAS VEZES NESTE ANO.   


      
 - Doutor, sei que há doenças crônicas e agudas, mas não consigo imaginar o que seria esse tratamento crônico e agudo. Penso em agudo quando vejo darem remédio para dor, anti-inflamatório, antibiótico, mas na Homeopatia como é isso?

          DOENÇA CRÔNICA & DOENÇA AGUDA


Para começar resgataremos o significado de doença crônica sob a visão da Homeopatia.

Quando dizemos que uma pessoa está doente queremos dizer que ela tem uma alteração no corpo como um todo que a torna susceptível a ficar doente. Essa alteração mórbida do corpo como um todo é o que resultou a enfermidade em si.


Tomando a Asma Brônquica ou Bronquite Asmática como um exemplo, o que possibilitou que aparecesse essa patologia respiratória é a “Doença Crônica” do corpo como um todo. Foi o que provocou essa vulnerabilidade física a ponto de desenvolver a patologia Asmática.

 Falando de outra forma, a Asma Brônquica é a consequência de uma susceptibilidade causada por uma doença crônica anterior, chamada Miasmática, que gerou a susceptibilidade a enfermar, que dependendo da constituição genética do indivíduo, do meio ambiente, agentes desencadeantes,etc vai se manifestar como uma patologia conhecida.

O estado de alteração do corpo como um todo que permite o assentamento de patologias várias, o criador da vulnerabilidade mórbida no decorrer da vida, é o que chamamos de Doença Crônica. Nesse estado o corpo na sua interação com o universo não mostra um equilíbrio satisfatório para a continuidade da vida, e isto gera as tensões que possibilitarão o aparecimento das enfermidades. 

           QUADRO AGUDO


As verdadeiras doenças agudas são parecidas com que foi explicado na doença crônica só que, ao contrário de gerar um quadro que se arrasta pelo tempo, ela se manifesta de forma intensa e rápida, tendo como resultado ou a cura ou a morte. 

Mas há muitas situações além dessa forma aguda de adoecer que representa uma forma mais intensa e momentânea de um estado que, apesar de parecer ser um quadro agudo, é a manifestação “agudizada” de um mal crônico como o descrito. Há uma intensificação de alguns sintomas do quadro crônico.
As gripes epidêmicas são uma doença aguda, as complicações que aparecem nesses quadros agudos são manifestações “agudizadas” de uma doença crônica.

            TRATAMENTO


Aqui chegamos à pergunta de como é o tratamento de doenças crônicas e agudas.

Temos que entender como a verdadeira doença dinâmica crônica altera o estado de saúde do indivíduo além da enfermidade em questão.

Diante disso, teremos não só a “cara” da Enfermidade Crônica, o Miasma em Homeopatia.

Assim como um investigador pode traçar o perfil de um assassino em série avaliando a ação do assassino, sua maneira de agir, os sinais que deixa na sua ação, assim o médico pode conhecer a doença crônica durante toda a sua atividade.


A enfermidade crônica deixa-se conhecer pelas características de seu ato. E é por isso que a Homeopatia cobra muito a formação clínica de um médico, que vai ser usada extensivamente na prática desta arte de curar, a Homeopatia. 

Então, tendo essa informação, poderemos aplicar a Lei dos Semelhantes e provocar o organismo com um estímulo igual à situação mórbida que o corpo não consegue reverter. Tratamos nas doenças crônicas exatamente a Doença Crônica, Miasma, e assim a susceptibilidade a enfermar, que ela provoca, desaparece.

Damos um medicamento em uma dose única que é o espelho mais próximo daquela situação, e o corpo vendo-se agredido, mesmo que quase virtualmente, por um agente externo reage vigorosamente contra, o que deveria estar fazendo para se livrar do estado de doente crônico.

Fazemos isso sempre reavaliando nosso doente, e se durante a cura o quadro muda vamos mudando junto aplicando sempre a semelhança, o mais semelhante possível à doença crônica.

            O TRATAMENTO DO QUADRO AGUDO


No quadro agudo temos, antes de qualquer coisa, saber se é um quadro agudo realmente ou se é uma “agudização” de uma doença crônica, ou uma doença ambiental, carencial, ocupacional, etc.

Diante da doença aguda vou estudar para saber a mesma coisa: como a doença aguda alterou o estado de saúde e como posso medicá-la.

Como nos quadros agudos a dinâmica mórbida é vigorosa, entramos com a medicação homeopática com baixas dinamizações, que perde um pouco da especificidade, mas há ganhos em intensidade. 

Nesses quadros agudos repetiremos a dose para suplantarmos a intensidade da doença e permitir que o corpo perceba o estímulo e organize sua resposta curativa.

Nos quadros em que houve uma agudização dos sintomas de um quadro crônico devemos ter mais cautela, porque temos que ter em vista o estado crônico como um todo e verificar a necessidade e a possibilidade de se poder mexer ou não com medicamentos considerados agudos (segunda a semelhança sintomatológica e com baixa dinamização e repetição do medicamento).

Então quando temos baixas dinamizações teremos um quadro agudo?

Não, nem sempre, porque há quadros em que o paciente está tão debilitado que doses de baixa dinamização no quadro agudo pode vitimá-lo. Usamos nesse caso um procedimento mais parecido com o tratamento das enfermidades crônicas empregando medicações mais dinamizadas com bem menos repetições.

Usando uma dose mais dinamizada e acompanhando a ação do medicamento de perto, pode-se saber exatamente o que está acontecendo e o momento apropriado para repetir uma nova dose se isto for necessário. 

Acompanhei um quadro agudizado complicado de uma doença crônica em uma UTI. 

O paciente estava em coma há vinte dias e nada parecia resolver uma septicemia decorrente de uma embolização séptica na perna que começava a gangrenar. O tratamento seria tirar a perna do paciente para salvar-lhe a vida. Nesse momento resolveram me pedir ajuda. 

Dei uma dose única e em quarenta e oito horas a perna revitalizou, começou a sair sangue ao invés de pus, sumiu o mau cheiro e, o mais importante, a septicemia cedeu a ponto do paciente recobrar a consciência.

CONCLUINDO


Desculpem se ficou confuso, mas o assunto é grande e cheio de detalhes.

Resumi o que deu para ser mais claro, mas vou deixar dois quadros clínicos de um tratamento de doença aguda e crônica:

Caso clínico de doença agudizada:

Criança com quadro febril, alta temperatura, prostração, sede. A febre piora a tardezinha ( depois das quatro horas). A criança reclama de dor de garganta do lado direito onde eu vi placas de pus nas amígdalas.

Tomou Lycopodium clavatum 6CH de 2/2h por dois dias e mais dois de 4/4h e ficou bom novamente.

Quadro agudo, epidêmico.

 Na entrada de inverno muitas pessoas adoeceram e esta pessoa eu tratei com o seguinte quadro muito semelhante aos demais:

Febre alta, sem transpiração, com muita prostração; o paciente fica bravo se o incomodam quer ficar dormindo o tempo todo e não quer que o incomode. A temperatura na consulta estava 39,8°C. O que também chamava a atenção é que não tinha sede apesar da alta temperatura. Não possuía nenhum sinal físico de importância ao exame físico.

Foi dado Gelsemium 6CH de 2/2h por dois dias quando a febre caiu por completo e o paciente voltou ao normal sem outros sintomas.

Um quadro crônico:

Vou relatar um quadro de asma típico já que este foi o exemplo que dei ao falar de doença crônica.

A pessoa apresentava Asma, tinha diversos episódios de broncoespasmos principalmente quando resfriava ou gripava, o que fazia com frequência. Não “podia tomar um ventinho...”. 

Era uma pessoa friorenta, daquelas pessoas cheia de medos, principalmente de ficar louca. Tinha uma personalidade muito sensível, se assustava com história de coisas violentas e misteriosas, e se ofendia com facilidade. Muito simpática e alegre, daquelas que acorda cantando. É do tipo tranquila, faz tudo com muita calma.

Gosta de comer, é muito chegada em ovo e detesta café. 

Seu suores aparecem só em certas partes do corpo.  Teve diversas erupções eczematosas na pele na infância que deu muito trabalho para tratar.

Diante disso, o medicamento semelhante foi o Calcarea ostrearum que foi prescrito numa dose única com a dinamização 30CH que a melhorou 80% segundo a própria paciente. 

Sessenta dias após foi prescrita nova dose quando apareceram lesões de pele tal qual tivera no passado e a asma sumiu por completo.

Após seis meses, as lesões praticamente tinham sumido. Mas em algumas regiões onde havia desaparecido voltou a mostrá-la novamente e de forma leve. 

Nova dose de Calcarea na ducentésima dinamização e evoluiu rapidamente para cura total.

Hoje acompanho sua família, marido e dois filhos. 

Desde que a tratei nem gripe teve, e já faz quinze anos desde então!  


  

terça-feira, 7 de março de 2017

UMA AJUDA CONTRA AS VIROSES DE INVERNO



O inverno se aproxima e as viroses também.

E  num momento com riscos à vida devido a tantas viroses uma indicação para melhorar a resposta orgânica é no mínimo bem vinda.

São muitas viroses que se apresentam como gripes, dengue, Zika, Chicungunya, arboviroses outras etc.. 

Hoje medica-se intensamente os quadros virais, o que, muitas vezes, não é muito bom.

Ajudar o corpo a se resolver de uma virose é bom, mas sobrecarregar o sistema com medicações seria o mesmo que buscar complicações, o que não é raro.

Porém, a melhor forma de se prevenir uma dessas endemias virais, as gripes, antes de mais nada, é se manter a saúde como um todo.É a prevenção Máxima que um indivíduo poderia ter, o padrão Ouro. 

A promoção da saúde e sua manutenção é o melhor preventivo contra as enfermidades como um todo, e superior mesmo às vacinas.

Alguns cuidados são milagrosos e devem ser pensados antes de qualquer atitude mais agressiva.  


Não devemos esquecer que os vírus da categoria “gripe”são vírus que sofrem mutações muito frequente o que torna a vacinação uma tentativa apenas.

Então nada melhor que o nosso próprio organismo para resolver esse mal com seus eficientes mecanismos de defesa.  

Para isso ele tem que estar saudável para poder responder prontamente às ameaças virais.

Como Manter o Corpo Bem Para o Inverno


Quando eu vou viajar levo o meu automóvel para uma revisão. Efetuo a manutenção que ele exige para funcionar bem e não quebrar nem nos colocar em risco de acidentes na viagem.

Nosso corpo não foge disso.

É interessante que cuidemos bem dele corrigindo qualquer problema e fornecendo a ele o melhor para sua homeostase (equilíbrio funcional), para que passe pelo inverno sem acidentes sérios.

Se você não esta bem vá ao médico para que recupere bem a sua saúde.

Uma vez bem, pensemos como podemos fazer para nos manter assim, para fazer uma prevenção através de atitudes sadias.

Fazer exercícios adequados, ou o combate ao sedentarismo, alimentação adequada, resguardo quando necessário, e sono, repouso necessário, também.

Na alimentação alguns produtos realmente são ótimos para manter o sistema pronto para a mudança da estação e para o frio.  

A água também é necessária, com uma ingestão regular e volume apropriado.

Além de uma refeição saudável,  o consumo de frutas, em especial a acerola e o Goji Berry, podem ser muito úteis nesta estação do frio.

Temos algumas frutinhas muito poderosas como as duas acima e a Jabuticaba, fácil de adquirir e mesmo tê-las num jardim para nosso consumo.



O Goji Berry (Lycium barbarum)


O Goji Berry é um fruto original do oriente, muito rico que pode ser consumido desidratado ou em pó embalados em cápsulas.

Na medicina chinesa tem um aforismo que dizia que basta uma tomada de Goji Berry pela manhã para uma vida saudável.

A fruta tem um arranjo de substâncias que ajudam e muito a conservar nosso organismo sadio.

 Com o estresse oxidativo aparecem as disposições a sofrer infecções virais devido aos radicais livres, principalmente o Hidroxila, que são facilmente "retirados" do nosso organismo pelo Goji berry.

Um dos maiores fatores adjuvantes no assentamento de viroses é assim aniquilado.

Mas a ação da composição dos alimentos dessa fruta, por motivo desconhecido, é uma bomba a favor da saúde. 

A mesma composição dos elementos nele contidos e conhecidos não fazem a mesma coisa se elaborados artificialmente.

Como são de fácil aquisição para consumo diário podemos desfrutar assim dos benefícios dessa frutinha.

Para se ter uma ideia, esses são alguns dos elementos encontrados na fruta:

·         18 aminoácidos, incluindo os 8 aminoácidos essensiais (13 % de seu peso).
·         Minerais: rico em Cálcio (Ca), Fosforo (P), e Potássio (K).
·         21 oligoelementos (além dos citados Ca, P y K): Magnésio, Zinco,Ferro, Cobre, Níquel, Cromo, Manganes, Cobalto, Selênio, Cadmio e Germânio (anticancerígeno) .
·         Contém antioxidantes: Carotenóides (Betacarotenos,Ceaxantinas, etc).
·        Vitaminas:A,B1, B2, B6,C e E.
·         Também contém Beta-sitosterol, substância similar ao Colesterol, utilizada para aliviar os sintomas decorrentes da Hiperplasia Benigna da Próstata.
·        Ácidos Graxos Essenciais Ômega 3 e Ômega 6 .
·         Em média, em sua composição contém:
·         8% de Fibra Alimentar 
·         20% de Carboidratos.
·         13% de Proteínas
·         Sesquiterpenos, que atuam como antibióticos  

Ele é muito similar a Acerola, porém não temos à disposição ainda a desidratada para consumo fácil como a fruta Goji berry.

Uso recomendado para o inverno

  

O consumo do pó, feito da fruta desidratada, na quantidade de 500 mg, condicionadas em cápsulas gelatinosas e tomadas uma vez pela manhã é o mais que suficiente para garantir proteção contra as viroses endêmicas.  

Não basta consumi-lo, os cuidados necessários que nosso corpo nos cobra também são indispensáveis.

Nada adianta tomar o Goji Berry e negligenciar nosso corpo.

Aliás, uma refeição variada, o consumo variado de frutas, de cereais, castanhas, líquidos,  etc., mantém o sistema otimizado sempre.

Como vínhamos falando das ameaças atuais, que não são tão atuais assim, deixo minha indicação saudável para ajudar na prevenção das viroses para este inverno.

O Abuso não melhora a proteção


De nada adianta triplicar o consumo que não se obterá melhoras no efeito protetor.

Ter em mente que o fruto é um reforço alimentar, quase um suplemento e não um  medicamento, é necessário para se evitar causar problemas para o organismo.

A racionalidade nos ajuda a procurar o melhor e não devemos morrer por abuso daquilo que, racionalmente, pode trazer benefícios.

Vi certa mulher que com a ideia de emagrecer ingerir 1200 g a 1800 g diárias de Goji berry, e apresentava Sistoterolemia elevada (grande quantidade da substância Beta Sitosterol no sangue). 


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Para mim não passa de maluquice.

sábado, 14 de janeiro de 2017


Resultado de imagem para 1UMA DOSE ÚNICA?          



Uma senhora foi ao consultório passar em consulta.   
 

Foi prescrito para ela uma medicação, como de costume, uma dose única.

Passaram-se dez dias e ela liga-me dizendo que alguns sintomas aumentaram de intensidade.

Oriento-a quanto ao fato de ser normal, depois que se toma um medicamento homeopático, haver uma acentuação dos sintomas. Duram pouco tempo e deveria esperar um mais um “tempinho”.

Em vinte dias liga-me desesperada e peço que volte em consulta.

O QUADRO CLÍNICO: A DÚVIDA



Aparece no consultório com os olhos embasbacados como se estivesse em pânico. A face apresentava-se pálida onde brilhava gotículas de suor. A extremidade de suas mãos tremiam e seus movimentos eram rápidos.

A todo tempo suspirava e punha a mão no peito. Assim que sentou-se balançava as pernas sem parar e de tempo em tempo mudava sua posição na cadeira.

Volta e meia olhava ou para o relógio ou para a porta de saída.

Conta-me o que estava sentindo, de forma afobada, “atropelada” mesmo.

Depois de me falar tudo, acrescentando o sono ruim e de estar gritando à noite, ou resmungando, pergunto-lhe:  



- A senhora tomou a medicação como está na receita?


- Sim senhor, tomei o medicamento que o senhor prescreveu - responde balançando muito a cabeça em afirmação

Vejo e revejo as anotações da consulta dela e não encontro nada de errado, senão que os sintomas iniciais estavam aberrantes somados a uma série de outros sintomas novos, que mais ainda confirmavam o diagnóstico medicamentoso.

Pensei comigo que nunca tinha visto um caso de alguém assim tão sensível. Ver alguém desenvolver uma patogenesia assim tão intensa!

NÃO SÃO MINHAS REGRAS



Veio-me a cabeça um detalhe e pergunto-lhe:      



- A senhora tomou a dose única direitinho, não foi?


- Foi - respondeu com um olhar furtivo


- Uma só vez, como estava na receita, não foi? - volto a lhe perguntar.

Sorriu e não respondeu:


- Não foi… - repito novamente a pergunta agora devagarinho.

Ela sorriu de novo, olhou para diversas direções na sala. Parou um pouco a olhar o nada, virou-se para mim e diz:


- Tomei todos os dias, mas só uma vez. Doutor uma dose é muito pouco remédio! - afirma atrevidamente.

Me pareceu a uma criança fazendo suas artes.
 


Explico-lhe que ela piorou tanto assim porque tinha tomado medicamento demais, e com a expressão de espanto fala baixinho:


- Eu não sabia… - acho que o médico é a pessoa mais ajustada para saber isso, não? - Mas porque tem que ser do seu jeito, doutor, segundo suas regras? - ainda tenta mais um atrevimento.


- Não são minhas regras, apenas é assim que o corpo reage e a forma de medicar com a Homeopatia é da forma como eu fiz. Não fiz regas.

UMA VEZ MAIS



Em uma outra vez, um senhor me reclamou da agravação Homeopática que estava muito severa.

Novamente estranho a sensibilidade da pessoa.

Peço que volte e confirmo a severa agravação e fico sabendo que o paciente, ao invés de tomar o medicamento na trigésima dinamização hanemaniana, tomou na milésima.  


Questiono porque fez isso:


- Fui comprar o medicamento e, enquanto esperava ser atendido, vi a farmacêutica entregar um remédio na milésima potência. Pensei ser mais forte e portanto curaria mais rápido. Pedi a ela o meu medicamento na dinamização na milésima.

Rimos e fizemos piadas no final, sem não antes lhe explicar que potência do medicamento homeopático é um maneirismo, uma maneira de se dizer.

Que o número ali mostrava a dinamização, que significa o quanto o medicamento naquela dinamização tem menos sintomas comuns a outros tantos. Porque está livre dos sintomas comuns, o estímulo é mais específico e a resposta mais pronta e dinâmica.

Por isso não é conveniente fazer uma dose em altas dinamizações quando ela não se justifique clinicamente, sob o risco de grandes agravações ou acidentes, isso quando o remédio é o mais semelhante, o Simillimum.

A DOSE ÚNICA   


Normalmente quando trato um quadro crônico uso doses únicas.

Uma dose bem prescrita, segundo a semelhança mórbida, certamente provocará resposta efetiva o suficiente para uma ação curadora.

O que queremos é a resposta do sistema orgânico provocado pelo estímulo medicamentoso e não a quantidade de doses.

Precisamos de apenas uma só dose bem escolhida segundo a Lei dos Semelhantes.

Não é também a dinamização alta que melhora a resposta, que como a escolha do medicamento também individualizamos a dinamização.

Se a escolha seguir o princípio da semelhança, com certeza teremos uma boa resposta com apenas uma dose.

A exceção aparece em alguns casos sub-agudos e agudos, quando a dinamização muda, fica mais baixa, e pode aparecer as repetições.

Em casa, quando alguém faz uma enfermidade aguda, a segunda dose só será feita quando a primeira deixou de agir.

Mas ninguém tem um médico em casa, não é mesmo, daí a generalização das repetições.

Também, mesmo aqui, não se está livre de uma patogenesia devido a repetição.
  

A melhor forma de usar a medicação homeopática fica por conta da prescrição do médico, que tem inúmeras informações técnicas e pessoais capazes de, quando aplicada a técnica Homeopática, produzir uma resposta curadora o suficiente para livrar as pessoas das enfermidades.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016


AS CARACTERÍSTICAS DOS MEDICAMENTOS HOMEOPÁTICOS



Certa manhã, uma família, formada por um casal com uma criancinha, me liga.

Diziam que a criança rejeitava a tomar a dose única de um medicamento homeopático, e ao forçá-la a tomar chorava porque doía a boca e a garganta.

Resolveram cheirar o medicamento que sobrava no vidro e diziam que tinha um forte cheiro de álcool.

Por outro lado, um senhor procurou-me para dizer que tinha sérias dúvidas sobre o medicamento homeopático que tomara porque nao tinha cheiro ou gosto de nada.

Se não tem gosto não serve como medicamento e se tem, ou dói, pode haver algo de errado?

Qual realmente é o aspecto do medicamento homeopático?

Tem realmente algum sabor?

Quais são, realmente, as características dos medicamentos homeopáticos?

Medicamento Homeopático tem gosto?

O caso da criancinha, que referiu que o medicamento até doía, aponta-nos que o medicamento não estava devidamente processado para uma dose única.

Quando tomamos uma dose única, na verdade, estamos tomando uma preparação adequada para uma tomada só, como se dizia antigamente uma beberagem.

Pega-se o vidro e toma-se tudo de uma só vez.

Para isso, o medicamento é diluído em água para que possa ser assim usado com a capacidade máxima de estimular nosso sistema sensitivo como um medicamento dinamizado. 

A proporção depende da experiência de cada médico e o volume geralmente o adequado para garantir que o sistema tenha um nível de estímulo medicamentoso adequado ao tomá-lo. Por exemplo, trinta mililitros são suficiente para um adulto, a metade disso, quinze mililitros para uma criança.

Assim sendo, na diluição normalmente usada, não teríamos condição de sentir o cheiro ou o sabor do álcool. Tanto isso é uma verdade, que normalmente as crianças nos perguntam se irão novamente tomar a aguinha, quando em consulta.

No caso da criancinha, que referiu gosto ruim e que doía quando tomava a dose única, mostra-nos que ela foi erroneamente preparada.

A diluição era inadequada, e em casos assim, não foi realmente diluído. O medicamento é guardado na forma de uma solução alcoólica a oitenta por cento o que é suficiente para doer, arder.

Mas e se insípido e inodoro, há algo errado?

Normalmente, se for bem preparado essa é a característica do medicamento homeopático para dose única. É uma preparação onde trinta mililitros de solução final terá umas dez gotas da solução hidroalcoólica.

Portanto, não dá para sentir o gosto ou o cheiro do álcool.


Se nada for acrescentado a aǵua não agirá, embora mantenha as características de aroma e sabor de uma preparação homeopática em dose única.

Formas de apresentação do medicamento

Normalmente a apresentação de doses únicas são líquidas onde uma proporção do medicamento é diluída na água para ser todo o volume tomado uma só vez.

Mas ele pode vir envasado como um medicamento puro, para ser diluído pelo paciente na hora de tomar.

São conhecidas popularmente como gotinhas homeopáticas.

As pessoas pegam um quantidade de água, pingam algumas gotas e tomam o conteúdo.


O pingar diretamente na boca pode ser usado, mas diluído na água tem uma ação mais pronta, como atesta os casos graves onde dá para se notar a diferença entre pingar as gotinhas ou administrá-la depois de uma prévia diluição em água.

No caso de ser usado diretamente na boca as apresentações em glóbulos são mais eficazes, muito embora, ainda assim a diluição dos glóbulos provoca muito mais eficazmente a resposta medicamentosa esperada para curar.

Também existem os papeletes que colocados na água que deverá provocar o mesmo efeito da diluição das gotas na água.

Preparo do medicamento para uso em casa


Sempre me perguntam: quantas gotas devo tomar do medicamento prescrito? Seis gotas são realmente suficiente?, E quatro? 


Uma vez uma senhora me ligou desesperada porque seu filho tinha comido todas os glóbulos de um medicamento na sexta dinamização:

- Vai morrer doutor? devo ir a um pronto socorro para fazer lavagem estomacal? - falava-me em pânico com a probabilidade de perder o filho com um acidente por ingestão indevida de medicamento.

Não morreu como era o esperado por ser um medicamento homeopático.

Ele, apesar de ter tomado o vidro todo do medicamento na sexta centesimal ele, na verdade tomou uma só dose.

A dose prescrita tem que ser o suficiente para que o sistema sensitivo perceba a dose para provocar a resposta restauradora e curativa do organismo.

Se a cada minuto ele tomar um só glóbulo ele terá tomado uma dose por minuto o que, depois de um certo tempo, seria danoso ao sistema.

Normalmente entre quatro a seis gotas em água é o suficiente para provocar a resposta homeopática. Se glóbulos bastam quatro deles.


Enfim, é muito comum ouvirmos exclamações como “ essa aguinha milagrosa”, “quem diria que essas gotinhas pudessem fazer tanto!”

Com certeza não é para nenhuma criança chorar para tomar a medicação, ao contrário, depois de um tempo de tratamento negam com veemência qualquer outra forma de medicamento.




terça-feira, 15 de novembro de 2016

UMA EXPERIÊNCIA ANTE A CURA DE UM QUADRO AGUDO



Às vezes, no dia a dia da prática médica acontecem coisas que por si só nos ensinam muito.

Essas experiências vão muito além das técnicas utilizadas nos dias de hoje em medicina, ou de qualquer outro texto Médico-científico descrito.

Se pensarmos na Homeopatia, que é uma terapêutica que atravessa milênios e que com Hahnemann ganhou clareza e praticidade, essas experiências são ainda muito mais ricas e valem muito para o observador sem preconceitos.

Nos quadros agudos, quando a ansiedade e a angústia dos familiares bate forte nos envolvidos, é comum se tentar algo que remova rapidamente os sintomas como se isso garantisse que o mal não exista, muito embora o doente continue a adoecer mais e mais até o ápice da patologia aguda em questão.

Mas, se o que queremos é curar o indivíduo doente, porque não suportar um tratamento mais adequado e pararmos de tirar sintomas e pôr em risco a vida daqueles que amamos?

Pois foi num quadro agudo que assisti a reação de espanto de um pai que ainda não tinha visto uma cura homeopática e a conclusão que teve mediante a experiência vivida.

A verdade está na realidade do dia a dia do que fazemos e qualquer um pode atestar isso como foi o caso que contarei.

UMA CRIANÇA DOENTE, PAIS ANSIOSOS


Uma criança estava com febre média com sintomas gerais e inespecíficos de qualquer patologia, parecia mesmo uma virose que iniciava.

O paciente, uma criança de um a dois anos, primeiro filho de um casal jovem.

No transcorrer de um ou dois dias, os sintomas começaram a aparecer.

A febre subiu, a criança começou a apresentar uma face típica com olhos inchados e semi-fechados, rosto vermelho, olhos lacrimejando, nariz semiobstruído e começando a escorrer. Estava sonolento, irritado, querendo ficar quietinho.

Na evolução apareceram os catarros que saiam pelos olhos em grande quantidade, nariz, e a tosse que antes era seca e passara a apresentar uma expectoração grossa, e como as demais secreções cinzentas, além de catarro semelhante no ouvido médio.

Nesse momento a febre começou a subir e chegou  a fazer a noite quarenta graus celsius, quando os pais me trouxeram.

A mãe fora tratada por mim desde criança com a Homeopatia e estava mais segura, embora ansiosa e angustiada com a doença de seu primogênito. Mas o pai, que mal sabia o que era a Homeopatia, estava tenso e com medo.

Foi examinado e medicado, e dado para eles o prazo de dois dias para sumir a febre e melhorasse os sintomas.

Explico a evolução do quadro, a duração da febre por esses dois dias e que esta se comportaria subindo um grau descendo um grau. Uma vez informado sobre o como observar a evolução e os cuidados gerais que tinham que dar para o filho, os dispensei esperando revê-los em quatro a cindo dias depois.

O RETORNO À CONSULTA


Depois de quatro dias eles retornam conforme minha orientação na primeira consulta.
O casal entrou sorrindo com a criança no colo a me olhar desconfiada. Sorrio para ela e recebo de volta um lindo sorriso.

A criança tivera febre por dois dias conforme eu disse, e saiu um montão de secreção no decorrer. Depois cedeu a febre e as secreções, voltando a criança à sua atividade normal, animada e sorridente.

O menino estava bem, ativo embora um pouco irritado, o que é de se esperar neste momento.


Examino-o cuidadosamente e não encontro nada mais de anormal, nem o catarro que inundava o ouvido médio, tudo normal.

O pai de pé me olhava durante todo o exame físico, durante todo o diálogo com a sua mulher.

Sento na minha escrivaninha e ele de pé me fala:
- É só ter paciência, doutor , que tudo se resolve. Fiquei impressionado com a evolução da cura. Fez exatamente conforme o senhor disse e evoluiu até não ter mais nada . Meu filho nem parece que teve esse quadro todo! É só ter paciência e dar o remédio e o quadro desaparece… fiquei espantado.
Foram os dois dias e pronto, fiquei espantado!

Realmente mostrava espanto, estava extasiado em ver aquela terapêutica tratar de forma tão precisa e tão rápida.

Nunca tinha visto esse tipo de tratamento.

Para sua mulher, que já estava familiarizada com a Homeopatia foi somente mais uma cura, mas para ele “ era só ter paciência”.
Isso falava porque os sintomas não foram paliados, os sintomas não foram retirados e apenas tratamos o doente, que evoluiu naturalmente para cura.

COMENTÁRIO


Quando o vi falando lembrei que esta experiência seria útil a muitos que se tratam com a Homeopatia.

Quando diante de uma quadro agudo eles medicam sintomas para se verem livres da angústia que a doença gera.

Realmente, hoje ante a um quadro agudo, é muito difícil convencer os pais a não fazerem nada mais que a Homeopatia, a aguardarem a resposta orgânica e verem seguramente seu familiar doente curar tranquilamente com o mínimo de gasto de vida e sem agravar com complicação nenhuma.

A experiência fala por si, nos mostra como naturalmente saramos, emergimos da doença com a vida toda retomando seu vaso humano.

Aquele pai estava maravilhado com algo tão corriqueiro.

Muitas pessoas sofrem porque resolvem tratar com a Homeopatia. O medo ao ver os sintomas persistirem após algumas poucas doses do medicamento os fazem medicar os sintomas paliativamente não dando tempo ao corpo  de organizar a cura. Medicam com alopatia causando um dano ao doente, prolongando o tempo de recuperação e impondo uma carga a mais ao corpo sobrecarregado pela doença.

Aquela experiência queria que fosse de todos os que se tratam com a Homeopatia, para que pudessem ver e entender do que o nosso sistema orgânico é capaz, e de como essa terapêutica opera curando as pessoas através da mais natural resposta orgânica que é muito eficiente e única no processo de cura.  

FINALIZANDO


Não digo aqui que a Alopatia não tenha seu valor, que outra terapêutica, seja qual for, também não tenha seu valor na cura, mas que a Homeopatia é soberana no tratamento das pessoas com uma enfermidade aguda, ou mesmo crônica, porque provoca a resposta restauradora no organismo frente a uma enfermidade, como vimos aqui nesta caso agudo.


Aliás, a Homeopatia tratava as tão comuns Pneumonias do começo do século XX, que ceifou tantas vidas de crianças, enquanto nada se podia fazer com qualquer outra terapêutica.

Com a Homeopatia, o corpo é provocado a reagir com vigor, de forma integrada, reorganiza a recuperação e a faz de maneira soberana e naturalmente, tão suave e pronta que chama a atenção de um observador.

Além de curar de forma pronta, suave e definitiva, com o mínimo de gastos para o corpo, deixa como que uma memória da forma de responder em casos semelhantes, compondo assim uma “memória da resposta”.

Espero que todos, algum dia, tenham o prazer de ver esta experiência, muito embora, na verdade, desejo que ninguém adoeça.