domingo, 14 de agosto de 2016



POR UMA MEDICINA MAIS HUMANA




O tema foi exaustivamente discutido e ainda se discute muito.



Como humanizar a medicina?

São tantas técnicas terapêuticas, tantos recursos médicos, tantas informações, que a medicina se focou na doença, no sistema orgânico ou no órgão físico que tornou o ato médico em uma ação extremamente técnica, fria e calculista.

Na era dos grandes avanços os nossos pacientes estão esquecidos debaixo da técnica médica, e quando se fala em humanizar chamamos mais um técnico, o psicólogo.

É muito mais importante, muitas vezes, a patologia do que a pessoa que a possui.

A origem do problema

Na antiguidade havia duas escolas do pensamento médico que se digladiavam e se representavam sob dois aforismos:

Não há doenças, há doentes

Há doentes, há doenças

Depois de muito tempo, quando já não se falava mais no assunto, quando a discussão não chamava mais a atenção, nos vimos diante do dilema na prática. Dai começou a se buscar uma solução para nosso tempo: o de Humanizar a Medicina. 

No mundo atual, tudo é organizacional, tudo tem que gerar lucro, tudo é dispendioso e o dinheiro nunca é suficiente para que lancemos mão de todas as tecnologias médicas de diagnose ou tratamento.

Muitos conceitos, muitas filosofias, muitos blablablás, mas parece que é difícil entender o que se procura, o que se cobra como humano na medicina. 

Parece algo vago, mas temos certeza que realmente falta algo. 

O médico não é a solução das angústias existenciais, nem sociais, mas com certeza o médico é responsável pela humanização da prática médica, como profissional atuante e como líder de equipe de profissionais da área médica.

Mas o que falta realmente? 

O que se espera e se deseja enfim?

Certa vez uma senhora desesperada procura um monge, por volta de 1200 na China. Chorava e implorava para que ele fizesse alguma coisa porque seu filho estava doente e os médicos chineses prognosticaram a morte do bebê. 

Ele a olhou uns instantes nos olhos e lhe disse para que procurasse uma casa no vilarejo onde jamais tivessem perdido um ente querido. Quando encontrasse pedisse alguns grãos de arroz. Isto salvaria seu filho que estava doente de morte.

Passou o dia e a noite e de madrugada ela aparece gritando, chamando aos gritos o monge no mosteiro, falando injúrias, dizendo que ele a enganara.

Como posso tê-la enganado? - pergunta o monge a mulher.

Você me falou que um pouco de arroz de uma família que não tivesse conhecido a morte em sua família salvaria meu filhinho… responde agitada e chorando.

E você não conseguiu o arroz? - volta a lhe perguntar. 

Não há nenhuma família que não perdeu alguém querido para me fornecer o arroz. Procurei na aldeia toda e imediações, ninguém, ninguém … - chora 

Se os médicos nada podem fazer, se ninguém pode fazer mais nada, como poderia eu fazer algo? O que lhe indiquei foi a realidade. Para você ver que certos males exitem para todos sem exceção, e também para a senhora. Se algo poderia ser feito os médicos já teriam feito com seu filho. O mal as vezes vêm, e para todos…

Então me ajude…- fala ainda chorando e estende suas mãos para o monge, entendendo o caráter universal do sofrimento humano. Não teria entendido de outra maneira.

Há versões parecidas nos dias de hoje.

Elas doem mas são reais, e promessas, juras ou o quer que seja não mudarão a verdade. 

No começo de carreira, quando eu ainda dava plantão em um pronto socorro, deu entrada um jovem que sofrera um acidente de motocicleta. 

Naquele tempo não era obrigatório o uso de capacete e o moço não o usava no evento fatídico.

Também as motocicletas eram rudimentares e na sua maioria inseguras.

Quando vou examinar o acidentado vejo que ele está sem vida e que metade de seu cérebro faltava, o que pude verificar por um fenda longa em “V” de um lado da cabeça.

Findo o exame, estava por encaminhá-lo para o necrotério e notei o porte atlético do jovem, sua vestimenta diferenciada, sua aparência de bom trato e pensei que uma família organizada e querida estava por trás deste moço. O sofrimento da família ante a perda seria muito cruel.

Então recompus da maneira que pude a cabeça dele, fechei em pontos não visíveis. Fiz uma rotação de tecido para cobrir a parte que faltava como havia aprendido na Cirurgia Plástica. 

A cabeça parecia normal, embora alguns hematomas marcassem seu rosto, mas os sinais da violência do acidente havia sido consideravelmente amenizado.

Menos mal, minha intensão era de realmente diminuir o impacto nos parentes da violência que o moço sofrera.

Realmente nos doe muito quando alguém querido é violentamente tirado de nós. 

As marcas da violência, usando nossa imaginação, nos tortura para o resto da vida. 

Pouco mais tarde, começaram a aparecer os parentes, a começar pelos pais, aflitos como se era de esperar. Tive que dar apoio a mãe hipertensa, e dar a notícia aos pouquinhos para prepará-los ao pior: 
- O acidente foi grave... Ele esta muito mal.

Tempo depois alerto que ele estava sem o capacete. 

Mais um pouco completo: 

- infelizmente…  

Tudo estava se aquietando quando um primo do acidentado entrou gritando e grosseiramente me apontava me cobrando seguidas vezes:

Você fez tudo o que podia? você fez tudo o que podia?

Infelizmente não foi o suficiente - o que poderia fazer pelo jovem que entrou morto sem metade do seu cérebro senão que ajudar a diminuir um pouquinho a dor dos que o amavam, tanto que o primo achou que não tinha sido tão violento o acidente.

Senti a violência da cobrança e pensei, pela primeira vez depois de formado, o que as pessoas esperavam de mim como médico.

Foi a primeira aula prática da parte de minha formação do médico como pessoa.

Um mês, mais o menos, depois deste plantão, no meio da tarde, me chamam porque havia umas pessoas que queriam me ver. 

Vou até a sala de espera e vi o casal, os pais do acidentado, com uma aparência mais serena, acompanhado de alguns familiares, inclusive o primo. 

Assim que entro a mãe vem logo em minha direção e me abraça forte e me agradece pelo carinho que os atendi e pelo que fiz. 

Fico em dúvida do que ela se referia e coloco:

- Desculpe-me senhora, mas este é meu trabalho, não fiz nada além do devia.

O pai me abraça também e começa a me contar:

- Meu sobrinho, que me desculpo pela grosseria dele, ficou indignado com a morte do primo e resolveu levantar o que aconteceu com o atendimento que o senhor deu a ele. Foi investigar desde como aconteceu o acidente até o tratamento que recebera aqui no pronto socorro. Foi por isso que nós soubemos do gesto do senhor de tentar minimizar o impacto do acidente em nós. É por isso que estamos hoje aqui, estamos melhores e gostaríamos de lhe agradecer a atenção. De fato se víssemos o estado dele sofreríamos muito mais. Imaginamos hoje mas não vimos. Se não fosse pelo sobrinho sua intensão teria sido perfeita.

Foram os melhores abraços que tive naqueles dias difíceis.

Dura realidade e são para todos! 


A ESFERA DO ATENDIMENTO

Durante um tratamento especializado o médico lança mão de técnicas muitas vezes muito complexas. Lida com muitas informações, e está voltado para sua atividade objetivamente. 

Os familiares estão em outro plano de percepção: o medo da perda, a compaixão pelo sofrimento, a angústia da espera, etc..

As vezes o encontro dessas pessoas com um nível de emoção diferente choca. 

Ambos os lados estão aflitos, do lado dos familiares que sofrem e do médico que não pode errar em nada, que também espera um bom resultado e que também tem uma expectativa de que o corpo reaja favoravelmente. 

O encontro traz visões díspares da mesma coisa, o que leva ao confronto muito as vezes, e daí o serviço médico aparentemente fica frio.

Do lado médico, há também o sofrimento compassivo pelo mal alheio. 

Também comovemos pela dor das pessoas. 

Mas fomos educados a superar porque nossa compaixão deve ser seguida por uma ação médica salvadora. 

Para que isso ocorra certas emoções devem ser evitadas para não atrapalhar, mas não que elas não existam.

Não somos frios como falam. Sofremos com as perdas também, nos chateados e também desejamos o melhor para os nossos pacientes. 

Uma senhora já velhinha vinha com limitações e alguns desajustes quando precisou ser internada. 

O caso evoluiu mal, foi transferida para uma UTI onde veio a falecer.

Sua filha inconformada me dizia que o tratamento tinha sido “uma frieza só”.

Conversando depois, ela me afirma que o que a marcou, a ponto de a atormentar até a noite todos os dias, era que a mãe lhe reclamava que tinha dor devido a cama do hospital.

Ela reclamou várias vezes e nada fizeram.

Na casa dela a mãe havia se acostumado com as adaptações que fizeram na cama onde dormia, no hospital não há tempo nem condições de adaptar muita coisa. 

Não temo muitas variações para uma individualização do material hospitalar, e a atenção e o tempo precioso são dedicados ao tratamento.

Será que bastaria ter mudado o leito? 

MEDICINA SETORIZADA

No nível de atenção primária à saúde, onde o contato com os cidadãos deveria ser intenso e profundo, é que o atendimento falha. No hospital não há muito o que fazer porque lá as coisas são urgentes.

Ou vive-se no vício dos centros de saúde, ou postinho, ou vive o ambiente do pronto socorro hospitalar com suas salas de esperas cheias de gente esperando um atendimento, como o faminto a espreita de migalhas de pão. 

É ai que vejo onde nasce o sentimento de frieza, de que não se importam com que o outro reclama, não se importam com a sofrimento alheio, um verdadeiro afastamento do poder público da saúde. Mais fácil é mandar as pessoas para o hospital onde muitas vezes o indivíduo é exposto a riscos desnecessários.

Num “postinho”, geralmente cheio, um profissional não médico geralmente gerencia o atendimento. É dado ao médico atender um número de pacientes acima da capacidade de se promover saúde. É um atendimento muito superficial num ambiente sem condições médicas para o atendimento.  

Na maioria das vezes, nem o médico se encontra lá tamanho o descaso com o padrão de atendimento, o que afasta o médico. 

A infra estrutura esta muito carente e o poder público busca soluções simplistas.

Vai se atendendo e pronto. 
Há programas de saúde, mas não funcionam porque a estrutura do serviço médico esta desvirtuada, longe da sua verdadeira função.

Onde um médico generalista, ou de família, deveria estar atendendo um número limitado de pacientes, num ato profissional compatível com a promoção e manutenção da saúde, há um número político, de pessoas a ser atendidas, dirigidas e orientados por profissionais não médicos, porque eles, de certo, não aceitariam esta condição. 

Chegou a um ponto e certos lugares que nem os tais “médicos cubanos” deram conta e denunciaram a total falta de condições para trabalhar. 

Me envergonho quando vejo em campanhas políticas um candidato se gabar que foram feitas tantas consultas na gestão dele, ou que construíram tantos hospitais enquanto a rede de atenção primária à saúde, que é onde a Medicina vai ser exercida no seu mais alto nível, está doente morrendo e os pacientes e o próprio sintema médico estão vivendo de piedade e desespero.

Há lugares que são melhores, mas estão longe da base de atendimento que justifique uma ação de Promoção e Manutenção da Saúde. 

Certa vez me ligaram pedindo para que fosse atuar num posto de saúde da prefeitura que estava montado numa hipotética estrutura ideal.

Fiquei entusiasmado, será que vai acontecer a mudança tão necessária?

Pedi que a pessoa me explicasse. 

Falou-me do espaço físico, da capacidade de atendimento, mas não conseguia ter informações que me orientassem o que fazem lá.

Pergunto como atuo e disse-me que deveria atuar como generalista, e que de fato o sou, tantas horas semanais, mas só que tinha que atender de sábado e, a cada certo tempo, aos domingos. 

Sabia que a população da periferia sempre cobrou o serviço público para montarem um pronto socorro 24 horas. 

Então pergunto:

- O quanto vou ganhar é o mesmo do Clínico geral? - maliciosamente pergunto para obter informação que precisava para ver “as intenções ocultas”. 

- Não, o clínico vai ganhar só um pouquinho a mais doutor- me responde docemente. 

- E o Cardiologista do posto ganha o mesmo que o clínico? torno a insistir na minha malícia.

Não também, ganha mais. Lógico, né doutor, porque ele é um especialista. Todos os especialistas do posto ganham conforme suas especialidades - me responde sem titubear.

Então para mim não serve , obrigado - concluo

Podemos então lhe pagar o que ganha um Clínico Geral …

Desculpe-me, meu caro, mas o problema é outro.

Passou um tempo e me retorna dizendo que agora me pagariam o que pagam para um cardiologista no posto de saúde.

Nego e digo que ele está muito desinformado para a função que exerce e que pense melhor e descubra o porque eu recuso.

Aceitaria se fosse para firmar um sistema médico de Atenção Primária à Saúde, até com os fins de ajudar a tornar o sistema viável.

O fato é que o lugar de qualquer especialista não é nesse nível de atenção.

Neste nível de atuação médica o médico Generalista é o médico indicado. Ele liderará todo o serviço e deverá se dedicar totalmente à ele. 

É neste nível de atuação onde se resolve por volta de noventa por cento dos problemas em saúde da população 

Era preciso que ele equipasse o tal posto para a execução da Atenção Primária à Saúde, tanto fisicamente como parte de um Sistema Médico realmente.


A QUALIDADE DO ATENDIMENTO


O problema começa com a colocação dos profissionais da saúde em postos errados.

Depois vem a preocupação com as exigências de politicagens locais que em nada tem a ver com a Medicina e sua prática. 

Os médicos são mal pagos, são chefiados por profissionais não médicos que não tem cultura médica o suficiente para entender a situação complexa das necessidades humanas de uma população. São muitas vezes teóricos, as vezes terroristas num bom sentido, mas a intenção medica mesma é que não se pensa. 

Um colega meu largou tudo e resolveu atender num posto de saúde familiar, serviço que conhecemos muito bem. Este serviço tinha apoio do governo federal.

Depois de um mês exatamente, voltou para Campinas e reabriu seu consultório.

Disse-me que não havia condições de me descrever o serviço, tamanho do descalabro que encontrou. Ainda os desmandos de políticos que impunham “favores” a apadrinhados o que não poderia ser negado. Sei que é assim mesmo, mas esta foi a primeira experiência dele. 

No nível de Atenção Primária à Saúde é onde o paciente entra em uma inteiração com o médico que possibilita descobrir suas necessidades reais na área onde vive, o que se deve corrigir para se educar em saúde. Também é neste nível de atenção à saúde onde se passa a saber como se deve agir, e por fim compreender aquela pessoa dentro de seu universo, além é lógico, do estudo físico em si. 

Ele será acompanhado e terá um grau de individualização no atendimento próprio deste nível de atenção. 

Um especialista, mesmo que queira atuar neste nível de atenção à saúde, terá dificuldade para executar a medicina neste nível de atuação porque ele é do nível de Atenção Terciário a Saúde, onde desempenha magnificamente sua função. A profundidade do seu conhecimento o impede de avaliar e conhecer o que realmente tem que ser tratado no nível de Atenção Primária à Saúde.

Então temos o agravante de ter que atender uma multidão como se fossem números, numa atuação desviada para particularidades, onde as informações individuais são despresadas. 

Um atendimento rápido é impessoal e formatado.

Outro ponto, a estrutura administrativa peca em diversos níveis cobrando-se do médico não sua função, mas que se torne tal qual “operário da saúde”, sendo que sua produção seja a quantidade de indivíduos, para um ato político, e não um ato médico de alta qualidade onde o indivíduo saudável seja a meta.

Um pequeno exemplo:

Certa vez fui a um posto de saúde levar uma funcionária de uma uma vizinha que havia se ferido e necessitava cuidados. 

Enquanto eu a esperava ser atendida, vi uma senhora entrar as pressas e mandarem-na a consulta do especialista, um cardiologista porque estava com palpitações. 

Estava naturalmente assustada e pálida pelo estresses que os sintomas molestos causavam. 

Voltou e sentou-se do meu lado enquanto a acompanhante brigava para marcar os exames que só seriam feito muito depois de um mês. 

Ouvi coisa assim : “ e como ela vai ficar sem medicação, não dá para esperar, ela está mal, … é assim mesmo, tem que esperar”.

Olho e sorrio para a doente ao meu lado, e ela com cara de assustada sorri: 

- Esta mal? - pergunto olhando-a interessado.

- To com o coração dando cambalhotas, parece que vou morrer - responde-me com a mão no peito

- É mesmo? E a senhora suspira muito? - depois de vê-la suspirar umas vezes é que pergunto.

- Muito, tenho que puxar o ar porque ele para na garganta e da voltinha e não entra. - responde prontamente

- E abre muito a boca, assim como se tivesse com “quebrante”? 

- Direto e reto, chego a escorrer lágrima - e sorri

Bem, já temos aqui alguma coisa como um sofrimento emocional que a incomoda e somatiza. 

É comum nesses quadros tensionais aparecer uma hiperacidez dando origem a uma esofagite a ponto de irritar o nervo Vago que enerva estômago e também o coração, o que é de interesse no caso, dando sintomas. 

Então volto a perguntar:

- E a senhora não tem acidez? 

- Tenho, fica queimando aqui óh - me mostra exatamente onde termina o esôfago - da agastura e "supito" muito (regurgitação)

Como puxei assunto ela continuou me contando as pequenas tragédias com os filhos que a estavam angustiando muito, certas mágoas recentes que lhe atormentavam a noite. 

A vida fora sempre difícil. 

O coitado do cardiologista não poderia fechar o diagnóstico em tão pouco tempo. 

Os exames, depois de muita espera, viriam normais provavelmente. 

O que a senhora precisava não eram exames, mas um tratamento bem elegido. Ante ao diagnóstico, ver que tipo de apoio poderia ser dado junto a equipe do posto.


A SOLUÇÃO EXISTE  


Bem, toquei no problema bem superficialmente, mas da para ver que o problema não são só médicos ou a medicina, mas de sistema médico nacional. 

Em nenhum país se terá uma medicina bem aplicada se não obedecer os níveis de atenção à saúde onde é possível gastar para entender o paciente que tem uma doença, um distúrbio, uma necessidade. 

O risco é o que está acontecendo, tornar o exercício médico uma adaptação de técnicas especializadas, que além de dispendiosas não resolve os problemas de saúde de uma pessoa, muito menos da população.

O que se quer é essa atenção, esse cuidado. 

A atenção médica bem alocada em níveis é o suficiente para que um doente se sinta atendido adequadamente e suas necessidades atendidas. 

Não há sentindo inverter o atendimento em nome da setorização da medicina tanto como um Generalista ir primeiro atender o paciente num serviço especializado.

A seriedade para com as necessidades reais da população é tão pouca que os serviços que deveriam estar sendo incrementados é apenas o emprego temporário, de passagem, de recém formados, muitas vezes despreparados para este ato médico de grande complexidade, que exige um boa bagagem de cultura médica e social.

A solução do problema da humanização da Medicina começa com a mudança do sistema de saúde para que se possa otimizar o execício médico, que naturalmente já é humano.

Em ritmo de "produção política” nunca será humanizada, nem objetiva e nem assertiva à saúde da população. 

As necessidades médicas nunca começam numa tragédia, com exceção é claro dos acidentes.

Se não atendidas às necessidades em saúde, elas crescerão e o sistema nunca conseguirá pagar por ela. 

O emprego da medicina como meio de prover as necessidades humanas não devem ser levados para outro âmbito que não seja o médico. 

Há vários países onde a Medicina é bem aplicada.

Podemos desenvolver o nosso sistema baseado nas necessidades básicas atendidas através dos níveis de atenção à saúde.

O respeito do país e de seus dirigentes se mede também por aí.

Se aplicarmos a Medicina para o bem das pessoas então não teremos de dispender de tempo para filosofar sobre a HUMANIZAÇÃO DA SAÚDE.


quarta-feira, 27 de julho de 2016

Dúvidas e confusão


Muitas pessoas têm confundido a Homeopatia com formas de tratamento que nada tem a ver com ela. Assim é com repeito ao Tratamento Ortomolecular.
Alguns ainda dizem ser a mesma coisa, o que não é a realidade e nem tampouco pode ser considerado um tratamento naturalista como dizem.
A intensão das duas são totalmente diferentes como vamos falar nesta matéria, e vamos esclarecer alguns pontos para não se caminhar na ignorância quanto a este assunto.
A medicina Natural ou naturalista era uma forma de tratar que envolvia muitas técnicas, algumas para nós hoje bizarras. Tinham um fundo filosófico de cunho existencialista e não era baseada na escola médica nem para a época em que vigorou como terapêutica.


O TRATAMENTO ORTOMOLECULAR



Saber o que é um tratamento ortomolecular é algo que parece fugir do conhecimento geral.
Na verdade, existem elementos que o nosso corpo utiliza em quantidade ínfimas, agindo em diversas funções bioquímicas e estruturais  no organismo.
A falta desses elementos pode acarretar disfunções mínimas ou muitos sintomas molestos.  
São traduzidos em mal estares, sintomas carenciais ou não, que podem traduzir em um trastorno da saúde.
Assim se criou o termo Tratamento Ortomolecular para designar uma teoria que afirma que todas as doenças podem ser curadas pela restauração das quantidades ótimas das substâncias naturalmente presentes no organismo.
Falamos neste Blog sobre um conceito de Terapêutica e suas modalidades.
É aqui que entra a chave para se entender corretamente o assunto.
Quando o corpo adoece por falta de um oligoelemento, o tratamento lógico é a reposição do elemento faltante e espera-se com isso a normalização do sistema orgânico.
Assim é, que no ato médico, comumente se atua nesse sentido, naturalmente repondo o que falta ao organismo. É uma ação normal da atividade médica, e não representa um ato especializado em si.
Por um exemplo, é comum corrigir um distúrbio hidro-eletrolítico com água, que não é um oligoelemento, com magnésio, sódio, potássio, fósforo que são elementos químicos, os oligoelementos.
Quem já não leu a bula de um polivitamínico e não percebe uma lista de mineiras no complexo? Foram formulados para reposição desses oligoelementos de uma maneira geral.
A própria vitamina B12 é um oligoelemento, porque usa-se muito pouca quantidade para as necessidades do corpo humano.
Quando de um paciente foi tirado uma grande parte de seu estômago haverá falta de quantidades necessárias de uma proteína chamada de Fator Intrínseco indispensável para a absorção da vitamina B12. Então uma série de sintomas começam a aparecer compondo um quadro carencial, mesmo que ele não se apresente como uma avitaminose B12 típica.
Repomos a vitamina como o tratamento desse quadro clínico e os sintomas desaparecem porque normalizamos a oferta da vitamina.
Hoje é muito discutida a falta do elemento químico Magnésio, Zinco, Molibidenio, e tantos outros como fator desencadeante de sintomas que também são um transtorno carencial.
Ao meu ver, o ato de repor perdas ou faltas, esses estados carenciais,  é um ato corriqueiro da medicina. Nada há de mais, apenas uma ato médico. Indicar oligoelementos como medicamento é um grande erro.


FATOS



Conheço uma porção de afirmativas do tipo: “Cenoura faz bem para os olhos”.
A origem desta afirmativa vem de um interpretação simplista e direta de um fato observado.
O fato é que quando uma pessoa apresenta avitaminose A, pode, com certeza,  apresentar a cegueira notura (Nctalopia) entre outros sintomas.
Quando então tratamos repondo a vitamina A, a função da visão volta ao normal.
Então um observador despreparado pensa mais ou menos assim:
  • Se a vitamina A recuperou a visão de um paciente com cegueira noturna então ela faz bem para os olhos.
A afirmação  de que a vitamina A recupera a visão de uma pessoa com avitaminose A com cegueira noturna é  correta, mas a afirmação de que a vitamina A faz bem para os olhos não esta correta.
Tive um quadro de uma Nefrite grave por hipervitaminose A.  
A paciente tomava vinte mil unidade por dia, fora a outra parte da dieta, de vitamina A,  por indicação de uma nutricionista.
As vitaminas não são medicamentos indicados para doença a não ser quando estamos diante de uma avitaminoses ou hipovitaminose.
Pequenas faltas de vitaminas e oligoelementos podem interferir nos diversos mecanismos bioquímicos do corpo ocasionando uma hipofunção ou trazendo o acúmulo de muitos elementos que são nocivos à saúde devido a ciclos bioquímicos incompletos.
Esses mesmos elementos que provocam um estado carencial quando em quantidades
insuficientes para nosso corpo podem ser muito ruins ao organismo se em excesso.
A terapia Ortomolecular tem por finalidade a correção desses deficits através de orientações e correções dos hábitos alimentares humanos, ou restituindo elementos faltantes.


“Os tratamentos propostos pela prática ortomolecular e biomolecular incluem, entre outros, a correção nutricional e de hábitos de vida; a reposição medicamentosa das deficiências de nutrientes; e a remoção de minerais como ferro e cobre, quando em excesso, e de agrotóxicos, pesticidas ou aditivos alimentares”.Folha de São Paulo, 05/02/2010  


A HOMEOPATIA



A Homeopatia é uma atécnica terapêutica que procura tratar a causa das doenças humanas, e assim promover a saúde da pessoa como um todo.
Um indivíduo fica doente, para os leigos e médicos não homeopatas, num momento bem além do inicio das alterações mórbidas que causaram a suscetibilidade a enfermar, aquilo que se observa como uma doença.
A alteração física que possibilitou aparecer todos os transtornos e acidentes mórbidos, em poucas palavras, é muito anterior ao aparecimento da entidade nosológica.
O que origina as doenças crônicas e agudas em um indivíduo é conhecido e corrigido pela Homeopatia.
Desta forma, o indivíduo perde a suscetibilidade de ficar doente, ou retorna ao estado de saúde perfeita e pode gozar sua vida no mais alto nível possível.
Como para um homeopata o objeto do estudo é a alteração que causa mudança em todo o corpo não haverá separação conhecida da mente e corpo. O  doente como um todo será tratado, tendo-se em vista estes pontos, e não apenas aquilo que se mostra como uma doença.
E , também, não será a soma de todos os transtornos que a enfermidade pode produzir que se mostrará como o todo em estudo, senão que a alteração da “pessoa na sua inteiração com o seu meio onde vive”, que nos vai interessar.
Dessa alteração anômala, da perda dessa capacidade de se adaptar às mudanças eternas do meio, é que nos darão a perceber, através de sinais e sintomas, o que é e como tratar a verdadeira doença crônica do doente. Essa alteração será, em última instância, as doenças que comumente conhecemos como uma enfermidade.
Muito diferente da ortomolecular que é mais o ato médico de suprir faltas de elementos vitais à saúde do indivíduo, a Homeopatia é o restaurador da saúde plena de uma pessoa, o restaurador do seu estado natural, o que chamamos de saúde.


VERDADES & MENTIRAS



Não se cura doenças crônicas e agudas com a terapêutica Ortomolecular senão que corrige deficits de elementos indispensáveis à vida.
Pode dar a falsa ideia de que pode-se curar uma doença observando-se o restaurar o equilíbrio com a oferta de oligoelementos faltantes ao organismo.
Precisa-se ver com cuidado promessas de rejuvenescimentos, alongamento de vida, reposição de colágeno da pele e coisas assim, porque beira a atitudes de crendices em um século em que as informações estão disponíveis.
Acima de tudo, uma atitude correta na vida tanto no que tange a alimentação, exercícios, repouso etc será a melhor atitude “ortomolecular” que poderemos ter para garantir a oferta suficiente de oligoelementos para nosso sistema orgânico e garantir um metabolismo funcionando adequadamente.
Se houver uma falta incorrigível, por algum motivo, reporemos aquilo que nos falta.
Com toda certeza, a ingestão de quantidades de muitos elementos para executar ações especiais com fins caprichosos pode até ser uma ação que sobrecarrega o corpo humano senão que mera pretensão quase infantil.


A MEDICINA



A Medicina é um campo de conhecimentos científicos aplicados ao homem a fim de manter, tratar, diminuir um mal , aliviar um enfermo, de promover a saúde.
Suas técnicas são testadas cansativamente e aperfeiçoadas para que deixem o mínimo de sequelas e que a cura seja suave, durável e rápida dentro do campo de possibilidades.
Suas ações são divididas em áreas, nos níveis de atenção à saúde, devido a complexidade do organismo e ao excesso de informação para aplicação de tais técnicas.
É assim que nascem as especialidades.
Podemos e devemos fazer algo para manter o nosso sintema corpóreo otimizado, seguindo as orientações médicas, alimentares, de higiene física e mental, fazendo exercícios, nos hidratarmos adequadamente. Seguindo enfim, o conhecimento que hoje dispomos para uma atitude otimizada para como a saúde, a começar pelos hábitos e atitude ante a vida.
A doutora em nutrição Ana Lúcia Caram, com sua atividade em nutrição voltada para clínica, tem ajudado muito a evoluir casos para que atinjam a saúde integral, ou simplesmente a manter o estado de saúde.
Baseia-se apenas no conhecimento científico voltada a nutrição e os resultados são por mim atestados como ótimos.
Não é certamente com uso de fórmulas maravilhosas e dispendiciosas que se consegue isso, mas através da orientação alimentar adequada e individualizada para que junto a um tratamento médico de promoção de saúde os resultados sejam altamente positivos.  
Desta maneira se faz a melhor forma de prevenção do envelhecimento prematuro e promove-se a longevidade.
Em suma, a Homeopatia visa curar o indivíduo como um todo, tratando a alteração mórbida através da qual os indivíduos se desajustam e adoecem.
O ato ortomolecular, como um ato médico, visa a reposição dos elementos que tratarão os estados carenciais humanos.
Não há cara ou coroa, apenas Medicina.     


quarta-feira, 8 de junho de 2016


O MÉDICO GENERALISTA 

 

- Mas o senhor é formado em que especialidade? 
- Eu sou um médico generalista, e atuo com Homeopatia para tratar as pessoas das doenças crônicas e agudas sempre que haja indicação terapêutica para isso.  
- Mas o que é um médico generalista? 

Este diálogo se repete muitas e muitas vezes.  

A grande maioria das pessoas não sabe o que é um médico Generalista, o que faz, como foi formado.  

Querem saber se é um Clínico Geral, e se espantam quando digo que o Clínico Geral já é um especialista. 

Um Conceito Já Esquecido. 

  
Quando atuamos nMedicina como médicos, atuamos por Níveis de Atenção à Saúde. 

É como se fosse uma escala onde definimos o que se praticará na medicina, quando, por quem e com qual objetivo. 

O objetivo maior é a Promoção da Saúde e sua Manutenção.  

Entendemos que a maior prevenção contra as doenças do ser humano é a promoção da Saúde. Uma pessoa realmente saudável dificilmente enferma e se o fizer recuperará rápido e completamente e, ainda, dificilmente complicará. 

Mas se adoecer e se mostrar sem tendência a curar, o que temos que fazer é resolver a enfermidade e promover a volta da saúde.  

Quando precisamos monitorar um doente, dar-lhes cuidados especiais, então pensamos em interná-lo em um hospital onde terá o tratamento seguido por um Clínico geral, um Cirurgião geral, um Ginecologista ou Pediatra. 

São médicos que ficam no Hospital onde desenvolvem suas atividades quer seja nas enfermarias como nos ambulatórios.  

Uma vez com alta da enfermaria serão seguidos pelo ambulatório, e deste a alta definitiva quando volta para o Nível de Atenção Primária, para os cuidados do Médico Generalista 

No nível de atenção primária um dico deve acompanhar as pessoas e cuidar para que estes não enfermem. Deve também ser sua preocupação promover a saúde da pessoa tratando-a de seus males, afastar fatores nocivos que potencializem a tendência a enfermar, levantar um mal recorrente na sua área de atuação e, acima de tudo, dirigir Educação em Saúde com a ajuda de sua equipe de auxiliares vários. 

O médico que atua nesse nível de atuação é um Generalista, um médico de formação ampla, de cultura médica extensa, isso para que possa entender o indivíduo no seu espaço de vida, tanto cultural como físico. Ele deve ser apoiado pelo poder público e sua atuação é eminentemente de caráter público e não privado.  

É a forma que os municípios deveriam dar a Medicina à população. 

Neste sistema, o custo e benefício é muito favorável altamente eficaz. 

Para entender a eficiência, na Inglaterra mais que 90% dos problemas de saúde na população são resolvidos neste nível. 

Se o problema exige um aprofundamento do estudo de um órgão ou sistema, ou ainda, se a intervenção exigir o uso de uma técnica específica então entra o último nível onde encontramos os especialistas. 

 Na pirâmide de distribuição de profissionais médicos, a base do triângulo representa o médico especialista que ocupará uns dois terços da pirâmide. Seguindo, vem ocupando mais dois terços do restante da Pirâmide à área de atuação das grandes especialidades com o Clínico Geral, o Pediatra, o Clínico Cirúrgico e o Ginecologista. O restante, uma pequena parte, é ocupada pelos especialistas e superespecialistas. 

No sistema norte Americano de Saúde, que o é o nosso também, a medicina se divide em áreas setorizadas de atuação, cabendo a cada especialista uma parte pequena de atuação para agir e o nível de Atenção Primária à Saúde, se não existente, é desprezível. 

Não é raro se confundir a área do Sanitarista com este nível. 

O Generalista

   
O médico Generalista é um médico que teve uma formação diferente do que temos hoje no Brasil.  Tudo na formação dele conspira para o médico que, com base nos conhecimentos extensos, seja capaz de entender o homem na sua dinâmica vital, seja patológica ou não, seja um adulto ou uma criança, seja homem ou mulher.  

Fazer os diagnósticos, aplicar um tratamento curativo, preventivo, executar os programas de saúde, fazer uma avalição precisa, fornecer dados e suspeitas para verificação epidemiológica, sanitárias etc.  

É aquele que propriamente “arregaça as mangas” para exercer a função promotora e mantedora de saúde, e liderar um grupo de profissionais da área médica que trabalham dentro desse nível do sistema médico.  

Na verdade ele é capacitado a liderar as ações em saúde em um determinado grupo da população que esteja sob sua responsabilidade 

Ele também é conhecido como Médico de Família, embora no Brasil haja um especialista assim promovidocuja formação não é essa que descrevo.  

O Generalista de verdade, um Clínico por excelência tem a função de executar a Medicina para os fins descritos.  

Ele é determinado para trabalhar dentro de um sistema médico definido por níveis de atenção à saúde em uma parcela da comunidade.  

Com esse grupo se responsabilizando para promover, manter saúde ou minimizar o mal, com o auxílio da sua equipe, a que lidera dentro de uma unidade de saúde do município.  

Quando a organização da parcela da população a ser atendida  se faz através de famílias cabe a ele um número de famílias para atuar.  

Essas famílias são limitadas e moram numa área definida. Ele é conhecido então como o Médico de Família.  


Formação do Médico Generalista 


O maior desafio da formação do médico Generalista é a faculdade equipada para formar o médico.  

Partindo de um conceito primário, vai se desenvolvendo o estudo sendo que um conhecimento é englobado por outro ainda maior até a sua formação total, seguindo por base o desenvolvimento de um médico sem a limitação típica de um  médico “ista”. 

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base de seu ofício é o Raciocínio Médico, algo trabalhoso e finalizado, na faculdade,  por volta do quinto para o sexto ano. Nesse momento a cadeira denominada Integração Anatomopatológica sela o Raciocínio Clínico 

Esse profissional usará seu conhecimento para o uso do raciocínio em Medicina que o levará a levantar os diagnósticos médicos, estudar o tratamento, a prevenção, a avaliação do enfermo,  em fim dará ao médico assim formado uma ampla visão capaz de entender o que se tem a ser tratado, como tratar, como limitar o mal, aliviar o sofrimento e como lidar com as limitações. Também o auxiliará muito na tarefa da prevenção manutenção da saúde.   

O problema maior é o custo na formação deste médico que é deveras alto, por ter muitas horas de aprendizado corpo a corpo com seus mestres 

Lembro-me de quantas vezes estávamos a beira do doente, e os professores, geralmente dois, clínicos de alto gabarito, avaliavam o caso clínico conosco, e começavam as perguntas que iam dissecando nossos pensamentos e educando nossos raciocínios. 
Apareciam de repente, entravam em um quarto e nós todos do quarto iriam participar daquela “aula prática” que não era fácil. 

No quinto ano depois de muitas e muitas visitas deles, tínhamos um ano aprendendo com o Mestre a raciocinar 

Já acumulávamos horas como neófitos de clínicos e rendíamos sem o saber no aprendizado difícil e penoso de aprender a pensar como um médico.  

Foi muito duro, exigiu muito de nós, mas tenho muitíssimas saudades. Queria voltar só um pouquinho para aproveitar mais.  

As atividades nessa altura eram intensasEsquecíamos de casa tamanha atividade.  

Víamos nossos companheiros, nosso colegas ao acaso e muito raramente. 

Os mais próximos são os que atuavam na mesma área que nós, ou no mesmquarto em uma enfermaria.  

Antes de entrarmos no hospital, na passagem nos postos de Saúde da Faculdade, ainda nos víamos, mas não mais a turma toda.   

No encontro de casos clínicos raros e difíceis, nareuniões de necropsia e biópsia, nos encontrávamos quase todos, o que era muito prazeroso. Tínhamos muito para contar uns para outros, o que vivenciávamos e aprendíamos. 

Treinávamos o despedir também porque o curso chegava ao fim.  

Aprendi que quando não sabemos o suficiente achamos que somos sábios, bons no que fazemos, mas quando realmente começamos a saber achamos que não temos o suficiente.   

Reconhecemos a humildade naqueles que nos ensinavam porque eram muito bons. 

O que nos falta 

O Brasil é um país onde se encontra bons especialistas e hospitais bem equipados para o trabalho dos especialistas 

Não há nada de errado neste nível de atenção terciária à saúde, as especialidades e seus especialistas. O nível desses profissionais é muito bom, e nos grandes centros chega a excelência as ações médicas especializadas. 


Estudos e pesquisas não nos deixam em nada a dever aos grandes centros internacionais.  

O Nível de Atenção Secundária a Saúde, os hospitais gerais e seus grandes especialistas estão sumindo quase que totalmente, principalmente nos grandes centros. 

Há uma diminuição acentuada dos Pediatras e Ginecologistas. Os clínicos são muito poucos e o Cirurgião geral acredito que desapareceu.  

São quase todos especialistas.  

No nível da Atenção Primária à Saúde o médico Generalista não existe mais, e nem mesmo se conhece como atuam .  

Neste nível de atenção à saúde e no nível de Atenção Secundária à Saúde é onde está radicado o problema no sistema médico nacional. 

O médico generalista com sua formação ampla e francamente clínica não encontra mais espaço na memória dos cidadãos. Há um tempo atrás era comum se falar do doutor fulano que acompanhou a família tal ou que foi tratar alguém em casa. 

Mesmo o Clínico Geral, muitas vezes está preso aos serviços de outras especialidades e não tem mais espaço para suas atuações integradoras dentro de um serviço médico, o que evitava muitos problemas e complicações na atuação de tantos especialistas. 

Uma certa vez, tive que medicar um paciente numa emergência psiquiátrica, e um determinado colega, enciumado, me disse que não poderia agir na psiquiatria porque eu não era psiquiatra. emergência não se levava em conta. 

Na Homeopatia, a clínica é elevada a um exponencial muito grande, o que torna o trabalho ainda maior para aqueles cuja formação não é eminentemente clínico e sua cultura médica seja limitada.  

Tudo porque o trabalho médico é aplicado a uma clínica mais ampla que a usual.  

 Qualquer Homeopata pode atestar isso sem dificuldade.