segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O MEDICAMENTO INDIVIDUALIZADO


Em um determinado dia, apareceu uma senhora que trazia o filho para uma consulta.
O menino estava agitado e, quando parado, dava pulinhos na cadeira. De repente, ficava agitado e saía da cadeira mexendo em tudo e não parando em nada, até que a mãe o pôs na cadeira de novo, quando começaram os pulinhos novamente. 

Achei muito estranho tudo aquilo e começamos a tirar a história da doença. A mãe tinha outro filho, foi a um homeopata que lhe prescreveu um medicamento que o acalmou, e ele passou a dormir bem.
Como o meu “clientezinho” não dormia bem, ela resolveu economizar uma consulta, e lhe deu “aquele remédio calmante” que o outro médico havia dado ao irmão.
Como não funcionou, sob a orientação de uma vizinha que tomava medicamentos homeopáticos prescritos repetidos, passou a repetir o medicamento, que foi produzindo aquele quadro que eu observava.
Tive vontade de rir, por me parecer cômica a ingenuidade da mãe, deixando o “Pulinho” daquele jeito.
Em outras palavras: na repetição de um medicamento, os sintomas vão aparecendo, e naquele caso esses eram os sintomas que nos mostrava[i].
Orientei-a, mostrei a necessidade individualizar o medicamento na Homeopatia para ele agir corretamente, além da necessidade de dá-lo adequadamente para que funcione bem e com segurança. Também disse a ela que não tínhamos calmantes ou coisas assim, que tratávamos aquilo que levava a criança a não se adaptar, a enfermar.
Em resumo: o que é bom para um caso certamente não o será outra pessoa, há a necessidade de darmos o medicamento que cada um precisa para se curar através de um tratamento homeopático funcional. 

Todo medicamento homeopático deve ser individualizado, o que somente conseguimos com uma consulta médica.
Mais uma vez: não há magia, truques ou receitinhas secretas, há, outrossim, um procedimento eficaz para tratar os males das pessoas.
Quando estudamos um caso de uma pessoa doente, chegamos a um medicamento que vai tratar o mal daquela pessoa, vai transformar uma pessoa doente em outra sadia, com a remoção de toda a sua patologia dinâmica.
Pode ser que coincida algum medicamento prescrito para pessoas diferentes, por serem os medicamentos tão extensos, mas não necessariamente um medicamento que foi indicado para uma pessoa pode ser usado por outra.





[i] Sintomas Patogenéticos, aqueles produzidos pela repetição do medicamento homeopático.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

ENFERMIDADES CRÔNICAS E AGUDAS


As enfermidades dinâmicas são, para a Homeopatia, entidades nosológicas claras e distintas entre si.
Comportam-se como doenças agudas ou crônicas: a que evolui para cura ou morte num intervalo de tempo curto são as agudas; e as crônicas são aquelas que se arrastam, consumindo o indivíduo aos poucos até que, praticamente, o acabem. Elas acabam com a vida do enfermo antes que este possa simplesmente morrer naturalmente (sadio).
As duas são causadas por alteração no dinamismo vital, por agentes causadores de doenças diferentes.
As doenças crônicas são provocadas pela doença dinâmica Psora, Sífilis e Sicose. A esse agente causador do desequilíbrio dinâmico chamamos de Miasma[i] crônico.
Já a doença aguda é causada por um Miasma agudo.
Se duas pessoas tiverem a mesma doença aguda farão, praticamente, o mesmo quadro sintomático, ou muito semelhante na sua manifestação.

A DOENÇA AGUDA

Na doença verdadeiramente aguda há uma forma clara de agir. É a doença que causa um mal agudo, de forma vigorosa, com sintomas e sinais exuberantes, e tende à morte ou à cura espontaneamente.  
Geralmente acaba por produzir sintomas e sinais muito semelhantes em indivíduos enfermos distintos. Produzem um quadro muito semelhante, mais ou menos exuberante de um indivíduo para outro, mas um mesmo quadro clinico.
Dependendo de como afetam a população geral, podem atingir a grande maioria, metade da população ou menos que a metade, e daí recebem nomes diferentes.
Lá no começo do livro, escrevi um episódio assim: “Houve há alguns anos atrás uma epidemia de gripe. O quadro era claro, e as pessoas caíam enfermas dessa virose e, com mais ou menos tempo, se curavam sem problemas”. Esta era uma doença aguda de verdade, este é um bom exemplo.
Porém, uma doença aguda pode fazer com que um indivíduo, previamente enfermo na sua dinâmica vital, desencadeie as manifestações de uma doença crônica. É como se a doença aguda despertasse a doença crônica que jazia latente em seu sistema, apenas esperando o momento em que pudesse agir.
 Vemos isto mais ou menos assim no consultório:
- Desde que peguei tal gripe, passei a apresentar tal e tal sintoma, e quando fui ao médico este me diagnosticou como tal doença crônica. Eu nunca tinha tido nada até então.
Parece que o impacto causado pela doença aguda sobre um indivíduo psórico, que apresentava a Psora em latência, coloca em atividade a doença dinâmica crônica, e a pessoa começa, então, a desenvolver toda sua morbidade latente.

A DOENÇA CRÔNICA


A doença crônica é bem diferente de uma aguda que evolui para cura ou morte.
Ela tende a não se curar, é de característica evolutiva, se complica no tempo e compromete gradualmente a saúde do indivíduo, mas só o mata por complicações ou porque este literalmente “se acaba”, após ser tão comprometido e espoliado.
As doenças crônicas, tais como as conhecemos, nascem porque uma pessoa está suscetível a adoecer.  
Essa suscetibilidade é decorrente de uma alteração prévia do seu organismo como um todo, o que lhe cria um terreno mórbido, isto é, uma predisposição a desenvolver algumas patologias, dependendo para isso da sua genética e do meio em que vive.
Nem sempre podemos alterar o meio, nem, tampouco, a genética. Em vista disto, podemos mudar a suscetibilidade para que a pessoa não adoeça.
A doença crônica é adquirida e pode se mostrar ainda simples como o campo que chamamos de Psora, ou estar já complicada com outros fatores mórbidos. Ainda pior se muito evoluída, quando aparecem as doenças em que o corpo não pode fazer uma identificação correta entre o que é normal e precisa ser mantido, e o que é alterado precisa ser eliminado.
Uma vez adquirida essa doença crônica, ela vai mudar o sistema e nos predispor a adoecer, e isso vai mudando nossa forma de ser, nos limitando, nos fazendo sofrer.
Aos poucos, vamos acabando, diminuindo, até que, através de um acidente mórbido, não tendo mais condição de nos manter vivos, morremos.
Quando um homeopata estuda e trata um paciente, está tentando aniquilar essa disposição de adoecer, que se chama Miasma. É porque ela está no corpo e o desorganiza que tantas doenças vão aparecer como enfermidades. Por exemplo: hipertensão, diabetes, lúpus, os tantos transtornos articulares, digestivos, as neuroses, muitos dos chamados desvios sociais, fobias, etc.
Se tivermos que estudar um paciente, procuraremos, assim, estudar como o indivíduo se alterou para ter a patologia que tem, e como poderemos tratá-lo.
É a atuação típica de um médico clínico, porém com uma arma terapêutica muito eficaz para esse fim, que é a Homeopatia.

AGUDIZAÇÃO DE UMA DOENÇA CRÔNICA

O que causa confusão é o fato de a doença crônica muitas vezes produzir quadros de agudização, que não são provocados pelo Miasma agudo, e, portanto, não são os mesmos para mais ninguém. Esta agudização de um miasma crônico é que gera confusão, aparentando ser uma doença aguda.
É mais um acidente mórbido, uma pequena complicação no curso de uma doença crônica do que uma doença aguda.
Houve há alguns anos atrás uma epidemia de gripe. O quadro era claro, e as pessoas caíam enfermas dessa virose e, com mais ou menos tempo, se curavam sem problemas.
No meio dos que haviam pegado a virose, apareceram alguns que complicaram com amigdalite purulenta aguda, otite média purulenta aguda e até broncopneumonia.
Esses eram os enfermos crônicos que, diante de uma virose, uma enfermidade miasmática aguda, complicaram, fazendo outra doença, aqui bacteriana, uma complicação, devido à suscetibilidade a enfermar motivada pela Doença Crônica Dinâmica. São os quadros que só o individuo enfermo apresenta, e só ele,  não mostrando ter um gênio epidêmico.
Também há outros tantos que fazem um quadro de doença aguda, como resultado da “agudização” de uma doença crônica dinâmica, que saiu da latência ou se manifestou espontaneamente pelo dinamismo mórbido. Nesses casos, se houver um quadro semelhante, será só por uma coincidência.
São comuns, por exemplo, as complicações do Sarampo, que levam até a morte. Isso porque se uma criança não está bem na sua dinâmica vital, ela apresenta uma suscetibilidade a enfermar; e se adquire uma doença viral intensa que a consome, cria condição para desenvolver outra doença que pode lhe ser fatal.

Toda vez que entra um paciente no meu consultório com uma doença aguda, tenho de diagnosticar em qual situação se encontra, se é portador de uma enfermidade aguda pura, se apresenta uma agudização de uma doença crônica ou se é complicação provocada durante a evolução de uma doença aguda em um indivíduo previamente doente (doença crônica).
E para reforçar o conceito: digo doença crônica me referindo à Doença Dinâmica, que afeta o todo e o torna suscetível a adoecer.
Aparentemente, podemos não mostrar essa doença, a não ser para o médico através de uma consulta.
É por isso que ouvimos quando alguém se complica com uma doença aguda:
- Mas fulano era tão saudável, nunca teve nada, e agora esta assim tão ruim, não dá para entender...



[i]                       Miasma tem como tradução veneno ou vírus.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

OS SINTOMAS E SINAIS COMO  FERRAMENTAS INDISPENSÁVEIS PARA A MEDICINA



      Mesmo as pequenas alterações não deixam de ser grandes mudanças no nosso sistema orgânico e no universo que nos envolve.

      Nunca realmente apenas sentimos alguma coisa, muita coisa muda para ser percebido  como um “sintominha”.

      Nossa saúde é a resultante de uma dinâmica de vida fantástica que nos é impossível de compreender por completo devido a imensa complexidade.

      Quando, no passado,  passamos a estudar mais conscienciosamente o corpo humano e suas funções alguém dividiu nossa realidade orgânica única em cabeça e corpo, tendo lá alguma influência da religião.

      Então passou a ser comum que a nossa realidade fosse dividida em coisas da mente e coisas do corpo. Esse conceito é arraigado na cultura ocidental.

      Em decorrência disso, grosseiramente, foi dividido nossa realidade em mental e físico, mas existe essa divisão?

      Muitos que afirmam não existir criam sistemas tão fantásticos que o melhor é dividir e vice versa.
      Temos que nos enquadrar em algum conceito em voga no nosso tempo, senão ou o fato é ignorado como se não existisse, ou causará um mal estar desorganizador.

O PRIMEIRO PRINCÍPIO


      Somos seres vivos.

      Só isto basta para podermos começar a nos entender.

      Ver a realidade mais simples que podemos ver com nossos sentidos e funções: somos seres que ainda estamos vivos.

      Não precisamos de mais nada a verificar essa realidade e muito menos conceitos que apenas complicariam nossa percepção pura e simples.

      E como seres vivos vivemos em algum lugar que é o bem aqui e agora.

      Magnífica conclusão.

      Disso incorre observarmos que reagimos assim e assim, que movemos braços pernas e dirigimos nosso olhar para cá e para lá, etc.

      Então como poderemos nos conhecer?

      Aí o cerne da questão, já nos conhecemos, mas não temos na nossa racionalidade nada que pudéssemos nos espelhar como membros de alguma coisa, do mundo  e pensamentos, então criamos a observação, e nomeamos partes. Isso sem dúvida ajuda o estudo e compreensão daquilo como somos como organismos viventes.

      Não que sejam em si descobertas, mas recriamos, à nossa capacidade, a nossa realidade e a que nos envolve, nomeando e criando modelos para explicar-lhes a realidade que conseguimos perceber como tal.

      Daí surge incessantemente dicotomias, divisões, e realidades únicas são geradoras de inúmeras realidades conceituais que nos induzem achar que nada tem em si relação, e são, na realidade,  apenas manifestações detalhadas de uma única observação. 

      Daí estudamos coisas que dizem respeito à mente, ao cérebro, aos órgãos e sistemas, e assim por diante.

      Voltando aos nossos sintomas, eles refletem uma unidade conceitual, mas na realidade dos fatos, na atualidade deles, é apenas algum ruído de um movimento universal que nos envolve.

      Mas por que tudo isso é interessante?

      Mas por que esse discurso com ares existencialistas?

      Porque simplesmente temos que ter em mente que o particular é manifestação do movimento da unidade, e quando falamos em medicina, o objeto de estudo tem que ser o indivíduo e não simplesmente sintomas e doenças.

O OBJETIVO DOS SINTOMAS E SINAIS


      Parece não mostrar diferença, de ser apenas uma afirmação um tanto verborréico, mas é assim, entendendo que os sintomas podem ganhar um novo significado e a resultante disso, após treino sério e constante, será a capacidade de entender o som das doenças, a visão da alteração a que chamamos doença.

      Não que os estudos setorizados não sejam produtivos e úteis, mas tem na sua dimensão uma utilidade focal que nos ajuda como o foco de luz de uma lanterna sobre um objeto. 

      Muitos dos profissionais clínicos famosos, que por sua prática tinham hipóteses diagnósticas acuradíssimas eram tido como médiuns videntes ou intuitivos e nunca um trabalho árduo de educação, de conseguir tornar claro a todos a percepção pessoal daquilo a que chamamos doença.

      Muitas vezes prognosticaram doenças mesmo antes delas se manifestarem como disfunções, e só baseado na forma de entender e observar o objeto de estudo, o indivíduo  enfermo.
      Como então fazer para se integrar com a observação Clínica?
      Sem dúvida é uma tarefa difícil e passível de ser treinada através do estudo sistematizado, utilizando a indução e dedução.

A INFORMAÇÃO DO PACIENTE

      A melhor ferramenta que tem um médico, principalmente o médico homeopata, são as informações do paciente.
    Os sintomas e sinais do paciente nos é de uma riqueza ímpar, porque nos mostram como a doença natural modificou seu estado de saúde.
     É só através deles que podemos fazer uma ideia, através de sua ação patógena, da face da doença em ação, como age e o que provoca.  
      Só podemos mesmo entender o que tem que ser tratado através dos sintomas e sinais que denunciam como a doença alterou o indivíduo sadio.
     Apenas através das informações sobre o paciente e sua doença é que o homeopata pode perceber a dinâmica da enfermidade que está consumindo a pessoa e diminuindo seu padrão de vida.
     A doença dinâmica não se mostra de outra forma senão através dos sintomas e sinais que ela gera ao se alterar.
   E é através dessas informações que podemos chegar a um diagnóstico patológico do corpo ou da alteração do dinamismo de vida.
    É só assim que poderemos conhecer a Doença Dinâmica, que altera o Dinamismo Vital. 

      Cabe, portanto, ao paciente numa consulta médica, o trabalho de informar com exatidão para que junto com o médico possam atingir o objetivo que é promover a saúde integral do indivíduo.




segunda-feira, 20 de julho de 2015

ENERGIA VITAL

O equilíbrio humano é como um lápis assentado sobre uma superfície, como um cilindro em pé. Pequenas alterações em sua posição podem levá-lo a cair facilmente.
Quem já não enfermou e sentiu o corpo se rearranjar e nossa vida retornar com disposição e unidade?
Graças à reorganização de todo o sistema, pode o corpo gozar da plenitude como uma unidade, e não como uma soma de partes.
Por trás dessa organização orgânica, há sistemas no comando, integrando e compondo um organismo vivo e responsivo ao meio.

Samuel Hahnemann enuncia a mesma ideia falando de energia vital, princípio vital, energia de vida ou princípio de vida. Dá a ela a propriedade de organizar e responder às mudanças e aos estímulos do universo. Controla todo o organismo. 
Ele compara aos oceanos, que tocam todos os continentes. Essa energia faria o corpo responsivo ao universo para criar e manter o equilíbrio-saúde

Ele usa o conceito da Energia vital mas da sinônimos outros para o mesmo princípio para evitar a confusão com a filosofia vitalista então vigente. 
SISTEMAS ENGLOBANTES
Explica, da mesma forma, que da alteração da energia de vida é que podem aparecer as enfermidades e os males humanos, com o surgimento da doença.

Daí o cunho Vitalista, que era discutido na filosofia médica de outrora: a enfermidade como o produto de uma alteração de um controle central diretor do indivíduo.
Pode-se perceber com a descrição da energia vital princípios como:
- Um poder centralizador da unificação do organismo vivo.
- Um sistema composto de outros tantos menores, que se englobam até sua situação final como  uma unidade. Sistemas que controlam as partes, que vão se englobando num maior até um que engloba a todos e dão a capacidade de vida da unidade assim formada.
- Capacidade de perceber discriminadamente toda a situação do corpo no universo, consciente e inconsciente, e que permite a resposta como uma ação equilibradora na inter-relação ser vivo e seu meio.
- Capacidade de processamento de informações capaz de dar um sentido objetivo as informações colhidas pelo sensório.
O conceito de Energia Vital mostra um conceito concêntrico de comando que o organismo dispões que vem a caracterizar o conceito antigo do vitalismo.  

quarta-feira, 1 de julho de 2015


                  AS INFORMAÇÕES DE QUE O MÉDICO PRECISA
As informações prestadas ao médico devem ser fidedignas, claras, precisas.
Não se deve aumentar ou diminuir a intensidade dos sintomas, nem mascará-los com outros que não existem.
Não é necessário dar ao médico um diagnóstico, mas sim a história detalhada da doença com seus sinais e sintomas.
Muitos colegas passaram por omissos, imprecisos, por atitudes de pacientes e seus familiares que omitiram, eles sim, informações essenciais, gerando risco de o paciente perder a vida.
O paciente é objeto de estudo por parte do médico, mas também o seu principal informante. Não cabe ao médico fazer um ajuizamento moral, ético ou o que quer que seja, senão tratar, corrigir ou limitar o mal.
Não se justifica a atitude de abster o médico de informação. Seria de se esperar, também, que o paciente compreendesse a indicação do médico quanto à elaboração de exames e procedimentos que lhe trarão mais informações sobre sua doença. O médico não é adivinho e depende de informações para poder ser assertivo.
Sejamos comedidos nos nosso atos com relação à medicina e sua aplicação, e busquemos um médico para que diagnostique e nos oriente para nos tratar de um mal. Não procuremos inventar sintomas para conseguir um exame por capricho de consumo.
Vamos atuar juntos, cada um na sua competência. Entendemos como é difícil para a pessoa que está no papel do paciente, ou no papel do parente próximo, enfrentar o período da doença. Mas o seu papel como informante no processo de estudo do caso é fundamental.

Não Precisava Ser Assim

É comum haver um desvio dos fatos por vários motivos, o que é lamentável e pode até ser fatal.
Um exemplo: veio a meu consultório uma mulher que uma vez por ano aparecia para consulta. Queixava-se de sangramento menstrual irregular e volumoso. Como parte da conduta, pedi que fosse ao ginecologista para uma avaliação, e ela afirmou já ter ido há menos de seis meses. Reafirmei a necessidade de voltar lá.
A paciente foi embora e voltou quase um ano depois. Chegou com queixas compatíveis com uma tromboflebite, e tive que tratá-la imediatamente devido à gravidade do caso. Apresentava-se emagrecida e pálida, e, no exame, verifiquei uma anemia acentuada. Devido à gravidade da tromboflebite, tratei-a e novamente questionei a visita ao ginecologista, e ela afirmou ter estado com ela , uma amiga médica, há menos de 40 dias e que estava tudo normal.
Pedi um hemograma, que quantificou essa anemia como acentuada, e insisti em que fosse ao hematologista, uma vez que na área ginecológica não havia nada e o exame realmente, pelo que me dizia, era recente. A paciente era lúcida e bem diferenciada.
Ficou me ligando por um longo período, quando insisti em que fosse buscar o hematologista ou um serviço de diagnose com exames, e ela foi se esquivando. Isso foi até que uns 60 dias depois, uma amiga dela, realmente médica, me ligou e negou que ela tivesse feito mais que um hemograma, informando que ela não queria recorrer a um serviço médico.
Essa atitude infeliz, por parte da paciente acabou lhe custando a vida, por simplesmente ter medo de que “fosse uma doença ruim”.
Foi uma doença ruim, e hoje tem cura!

O Mal Oculto

Outro paciente veio ao consultório porque tinha passado a apresentar convulsões. Foi encaminhado para exames e nada aparecia de anormal. Pesquisei todo seu hábito de vida e nada me era informado que pudesse ajudar no diagnóstico, inclusive uma pesquisa com sua mulher. O paciente foi usuário de álcool, por muito tempo em sua vida, causando dissabores à sua família. Mas havia parado de beber não fazia muito tempo.
O paciente não evoluiu ao tratamento. Foi internado e fui chamado para prestar informações para os colegas no hospital, que também não estavam entendendo o que acontecia com ele.
Quando eu saía da UTI, sua filha mais velha me chamou de lado e me informou que o pai estava sendo tratado, às escondidas, para parar de beber, com uma droga que sua mãe lhe administrava secretamente.
Bem, esta passou perto: foi isolá-lo por uns poucos dias da família, e o quadro regrediu.

Informação Fidedignas, Clara e Precisa

Há inúmeros outros casos, eu só mostrei os mais chocantes para dividir com vocês o espanto que tudo isso causa. Não dá para entender o porquê dessas atitudes, uma vez que procuramos um médico para resolver nossos problemas.
Além de causar um mal a si mesmo, causa um mal-estar no médico e a indignação da família, que tem dificuldade de aceitar o fato.
As informações prestadas ao médico devem ser fidedignas, claras, precisas. Repito: não se deve aumentar ou diminuir a intensidade dos sintomas, nem mascará-los com outros que não existem.

Tenho Um Problema No Fígado

Certa vez entrei num diálogo assim com uma paciente:
- Tenho um problema de fígado que gostaria de resolver, doutor.
- É o que a senhora sente? – perguntei-lhe.
- Mal no fígado, faz anos que sofro do fígado. Quando era nova, fiquei muito ruim e só sarei depois de tomar umas ervas.
Ela falava e apontava o lado errado como sendo o local do fígado.
- Sei sim, mas o que a senhora sente?
- Fiz vários exames, mas não adiantaram para nada. Continuei a sentir meu fígado.
E punha a mão no lado oposto da região do fígado. Tento buscar informações:
- Mas o que acontece quando a senhora fica mal do fígado?
- Fico mal e vou ao hospital, faço exames e depois dizem que não é nada, me dão uma injeção e me mandam embora.
Não havia meio de conseguir as informações... Continuo:
- A senhora não acha esquisito esse problema?
- Não doutor, é sério, tive até um derramamento de bílis.
- Como assim?
- Vomitei verde, às vezes tenho até dor de cabeça, daí eu paro o chá e tomo losna pura (vegetal) que é bom para o fígado.
- E daí, como fica o fígado?  
Aponto para onde ela diz ter o fígado, onde na verdade está o colon esquerdo.
- Melhora muito, desincha, o intestino funciona muito e os gases saem e eu melhoro do fígado.
Entendi o que queria dizer. Ela tinha gases, que ficavam enclausurados no colon esquerdo, e melhorava provocando evacuações com um diarreico.
E o fígado? Bem deixemos para lá, espero ter mostrando a dificuldade para termos sintomas claros. 

quarta-feira, 17 de junho de 2015


A LEI DOS SEMELHANTES 

 


      Como vimos na matéria anterior, há um sistema que integra todo o organismo criando uma unidade, responsiva que se auto-mantém adaptada dentro das condições possíveis à vida.
Uma interferência nesse sistema integrador, sistema de vida vegetativo, prejudicará a manutenção da saúde. 

É curioso saber que mudanças tão sutis, imperceptíveis aos nossos sentidos, senão através de sintomas e sinais físicos, possam nos comprometer a saúde e nos levar à morte.
O Homeopata estuda o indivíduo no seu universo e tenta entender como essa interferência, a doença dinâmica, alterou o homem na sua interação como o universo a ponto de o tornar suscetível a adoecer.
Quando medicamos, fazemos o inverso.
Procuramos adequar ao indivíduo um medicamento que tem a capacidade de alterar a saúde de um homem sadio, de forma o mais semelhante possível à doença (Lei dos semelhantes).
Por ser o medicamento de natureza diversa do nosso sistema orgânico, quando percebido pelo sistema vegetativo, este reage prontamente, fazendo uma resposta clara contra ele, que é a imagem da doença (desequilíbrio do dinamismo vital) a ser tratada .
Como o medicamento é praticamente virtual, isso servirá para arranjar a resposta do sistema, eliminando a interferência mórbida que produziu a alteração dinâmica que limitava e enfermava o paciente e dificultava, em última instância, a adaptação do indivíduo ao universo.


A Lei do Semelhantes Se Perde No Tempo 



 Há citações muito antigas a uma arte de curar onde se empregava tal princípio. 


Hipócrates, quando sistematizou a medicina,  escreve pela primeira vez o principio  da Leis dos Semelhantes, um dos princípios formadores da terapêutica de Hahnemann.


Outros estudiosos mais tarde tentaram entender a aplicação  desse principio em vão.


São Thomas de Aquino, Paracelso se destacaram nessa tentativa infrutífera. 


Coube a Samuel Hahnemann aplicar tal princípio muito mais tarde com sucesso e definir a Homeopatia tal qual ela ela é como terapêutica médica.

Tudo se resume a um princípio simples, um estímulo uma resposta. 


Logicamente, o difícil é a plica-la a semelhança a alguma coisa. 

De início o princípio chegou a ser interpretado de acordo com o que viam fisicamente da enfermidade como, por exemplo, para um vômito verde um medicamento verde.

Paracelso criou a Teoria das Signaturas, onde as características de certos medicamentos (físicos) lhe indicariam o emprego como gosto, cor, textura etc., tentando aplicar o conceito da Lei dos Semelhantes 

Mas Hahnemann, teve o brilhantismo de ver na toxicologia algum princípio que depois de estudos e experimentações pode confirmar o cominho do emprego da lei dos semelhantes.

Resumindo: 

A Lei dos Semelhantes refere-se ao conceito usado na Homeopatia segundo o qual o medicamento deve produzir no organismo vivo uma situação o mais semelhante possível à doença natural, produzida por um medicamento, a fim de despertar uma resposta curativa e reparadora do organismo.
O indivíduo sadio sofre uma alteração produzida por uma doença dinâmica. o que gera sintomas e sinais. 
Através deles o médico vem a conhecer a alteração que sofreu este indivíduo, agora doente, e pode de uma maneira hábil aplicar-lhe um estímulo o mais semelhante possível à ação mórbida que o alterou.
Assim, espera-se, o que quase sempre ocorre, uma resposta contra o próprio medicamento que é a que aquela que o sistema deveria produzir para se curar.   

segunda-feira, 1 de junho de 2015


         O QUE HOMEOPATIA TRATA 


Quando tratamos as pessoas com a Homeopatia, não tratamos uma parte do corpo que esteja enferma, e nem sequer uma doença específica, tratamos aquilo que leva as pessoas a ficarem suscetíveis a enfermar.
Portanto, a partir desta suscetibilidade a enfermar, é que se desenvolve a maioria das doenças crônicas que nos afetam.
Na verdade, é uma questão de “desadaptação”.
Vivemos mergulhados no universo e mantemos com ele uma inter-relação de uma dinâmica formidável.
O universo pessoal, a parte do universo com que entramos em contato, muda a todo o momento, e nós mudamos também como consequência dessa mudança, para nos adaptar a ele.
Dessa interação, resulta um equilíbrio dinâmico, que deverá ser tal que possibilite a continuidade da vida.
Ele será perpetuamente dinâmico, e isso garante a inteireza de todo o sistema de vida. (Dinamismo de vida de Hahnemann )
Dessa forma, então, é que o corpo acompanha as mudanças do nosso meio, e nos mantemos íntegros e vivos, tudo isso, é lógico, dentro da capacidade humana de responder.
Há uma parte do nosso organismo que controla todo o nosso sistema, nos integra para formar uma unidade, apesar de sermos formados por partes. E essa unidade interage com o universo, buscando sempre a adaptação, o equilíbrio.

É o Sistema de Vida Vegetativo, formado por várias unidades de controles integradas, através de varias organelas e sistemas de controle, como os gânglios e centros nervosos autônomos.
Todo esse sistema é muito complexo, e, no sentido geral do termo, é formado por um aparelho Sensitivo, outro Processador e por outro, ainda, Efetor: todos eles trabalham formando um sistema integrado, que percebe a situação do corpo no universo, processa a informação e finalmente efetua uma série de ações que mudarão a situação do corpo no meio em que vivemos.
Dessa forma, é possível ao organismo responder a uma ação do meio, aos moldes do binômio estímulo/resposta.
O sistema que percebe a situação do corpo no universo lança mão de todas as informações provindas dos terminais sensitivos nervosos do corpo humano, dos órgãos sensitivos e até das informações provindas da consciência.
Após processadas essas informações, o sistema orgânico efetua as primeiras respostas através da ação “estímulo/inibição” sobre centros neuroendócrinos específicos que, se desdobrando, vão criando uma cascata de novos estímulos e ações, ou estímulos do tipo “galhos de árvore”, que ganham complexidade e dão o que percebemos como resposta do corpo humano.

Ocorre uma mudança da situação do corpo em relação ao universo, e uma nova realidade é criada quando, e novamente, o sistema de vida vegetativo percebe a situação, processa e efetua uma nova resposta, isto num ato sem fim, e de uma dinâmica admirável[i].
Dessa inter-relação dinâmica surge um equilíbrio também dinâmico, que precisa ser compatível com a continuidade da vida, gerando o silêncio orgânico, a que chamamos de saúde.
Quando adoecemos, é esse sistema de vida vegetativo que adoece, quebrando o equilíbrio dinâmico (da interação entre o ser e o meio).
A dinâmica original assim quebrada dá origem a uma série de eventos mórbidos e distúrbios funcionais, criando vulnerabilidades e potencialidades a adoecer, a que, como um todo, chamamos, na Homeopatia, de “Suscetibilidade Mórbida”.
Isso obriga o organismo a reagir para tentar impor o equilíbrio dinâmico, sob o risco, se não o fizer, de desorganizar e morrer.
 Muitas vezes, impossibilitado de restaurar a originalidade da inteiração, cria-se um novo estado, este imperfeito e com grande dispêndio de energia.
Dessa situação nascem as tensões mórbidas, que acabarão por produzir aquilo que vemos como enfermidade ou desadaptação.
A suscetibilidade a adoecer coloca os órgãos e sistemas predispostos na probabilidade de gerar distúrbios e doenças como as conhecemos vulgarmente.
Pode o organismo se mostrar mais ou menos acometido, e estará também mais ou menos vulnerável ao meio em que vive.
Essa alteração no dinamismo de vida é de natureza evolutiva, e apresentará a suscetibilidade a adoecer de forma mais grave no passar do tempo.
Esse quadro evolutivo depende das condições ambientais, do padrão de vida do indivíduo e de sua vitalidade, que poderão oferecer maior ou menor resistência à evolução do desequilíbrio dinâmico.
Em decorrência disso, podemos dizer que, quando apresentamos toda a sintomatologia de uma enfermidade orgânica, bem antes desses eventos aparecerem já nos encontrávamos doentes, porém dinamicamente.
A enfermidade é o efeito terminal de uma doença que, preexistente, evolui até o quadro somático que vemos no momento.



[i]                       Hahnemann chamava de Dinamismo Vital