sábado, 14 de janeiro de 2017


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Uma senhora foi ao consultório passar em consulta.   
 

Foi prescrito para ela uma medicação, como de costume, uma dose única.

Passaram-se dez dias e ela liga-me dizendo que alguns sintomas aumentaram de intensidade.

Oriento-a quanto ao fato de ser normal, depois que se toma um medicamento homeopático, haver uma acentuação dos sintomas. Duram pouco tempo e deveria esperar um mais um “tempinho”.

Em vinte dias liga-me desesperada e peço que volte em consulta.

O QUADRO CLÍNICO: A DÚVIDA



Aparece no consultório com os olhos embasbacados como se estivesse em pânico. A face apresentava-se pálida onde brilhava gotículas de suor. A extremidade de suas mãos tremiam e seus movimentos eram rápidos.

A todo tempo suspirava e punha a mão no peito. Assim que sentou-se balançava as pernas sem parar e de tempo em tempo mudava sua posição na cadeira.

Volta e meia olhava ou para o relógio ou para a porta de saída.

Conta-me o que estava sentindo, de forma afobada, “atropelada” mesmo.

Depois de me falar tudo, acrescentando o sono ruim e de estar gritando à noite, ou resmungando, pergunto-lhe:  



- A senhora tomou a medicação como está na receita?


- Sim senhor, tomei o medicamento que o senhor prescreveu - responde balançando muito a cabeça em afirmação

Vejo e revejo as anotações da consulta dela e não encontro nada de errado, senão que os sintomas iniciais estavam aberrantes somados a uma série de outros sintomas novos, que mais ainda confirmavam o diagnóstico medicamentoso.

Pensei comigo que nunca tinha visto um caso de alguém assim tão sensível. Ver alguém desenvolver uma patogenesia assim tão intensa!

NÃO SÃO MINHAS REGRAS



Veio-me a cabeça um detalhe e pergunto-lhe:      



- A senhora tomou a dose única direitinho, não foi?


- Foi - respondeu com um olhar furtivo


- Uma só vez, como estava na receita, não foi? - volto a lhe perguntar.

Sorriu e não respondeu:


- Não foi… - repito novamente a pergunta agora devagarinho.

Ela sorriu de novo, olhou para diversas direções na sala. Parou um pouco a olhar o nada, virou-se para mim e diz:


- Tomei todos os dias, mas só uma vez. Doutor uma dose é muito pouco remédio! - afirma atrevidamente.

Me pareceu a uma criança fazendo suas artes.
 


Explico-lhe que ela piorou tanto assim porque tinha tomado medicamento demais, e com a expressão de espanto fala baixinho:


- Eu não sabia… - acho que o médico é a pessoa mais ajustada para saber isso, não? - Mas porque tem que ser do seu jeito, doutor, segundo suas regras? - ainda tenta mais um atrevimento.


- Não são minhas regras, apenas é assim que o corpo reage e a forma de medicar com a Homeopatia é da forma como eu fiz. Não fiz regas.

UMA VEZ MAIS



Em uma outra vez, um senhor me reclamou da agravação Homeopática que estava muito severa.

Novamente estranho a sensibilidade da pessoa.

Peço que volte e confirmo a severa agravação e fico sabendo que o paciente, ao invés de tomar o medicamento na trigésima dinamização hanemaniana, tomou na milésima.  


Questiono porque fez isso:


- Fui comprar o medicamento e, enquanto esperava ser atendido, vi a farmacêutica entregar um remédio na milésima potência. Pensei ser mais forte e portanto curaria mais rápido. Pedi a ela o meu medicamento na dinamização na milésima.

Rimos e fizemos piadas no final, sem não antes lhe explicar que potência do medicamento homeopático é um maneirismo, uma maneira de se dizer.

Que o número ali mostrava a dinamização, que significa o quanto o medicamento naquela dinamização tem menos sintomas comuns a outros tantos. Porque está livre dos sintomas comuns, o estímulo é mais específico e a resposta mais pronta e dinâmica.

Por isso não é conveniente fazer uma dose em altas dinamizações quando ela não se justifique clinicamente, sob o risco de grandes agravações ou acidentes, isso quando o remédio é o mais semelhante, o Simillimum.

A DOSE ÚNICA   


Normalmente quando trato um quadro crônico uso doses únicas.

Uma dose bem prescrita, segundo a semelhança mórbida, certamente provocará resposta efetiva o suficiente para uma ação curadora.

O que queremos é a resposta do sistema orgânico provocado pelo estímulo medicamentoso e não a quantidade de doses.

Precisamos de apenas uma só dose bem escolhida segundo a Lei dos Semelhantes.

Não é também a dinamização alta que melhora a resposta, que como a escolha do medicamento também individualizamos a dinamização.

Se a escolha seguir o princípio da semelhança, com certeza teremos uma boa resposta com apenas uma dose.

A exceção aparece em alguns casos sub-agudos e agudos, quando a dinamização muda, fica mais baixa, e pode aparecer as repetições.

Em casa, quando alguém faz uma enfermidade aguda, a segunda dose só será feita quando a primeira deixou de agir.

Mas ninguém tem um médico em casa, não é mesmo, daí a generalização das repetições.

Também, mesmo aqui, não se está livre de uma patogenesia devido a repetição.
  

A melhor forma de usar a medicação homeopática fica por conta da prescrição do médico, que tem inúmeras informações técnicas e pessoais capazes de, quando aplicada a técnica Homeopática, produzir uma resposta curadora o suficiente para livrar as pessoas das enfermidades.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016


AS CARACTERÍSTICAS DOS MEDICAMENTOS HOMEOPÁTICOS



Certa manhã, uma família, formada por um casal com uma criancinha, me liga.

Diziam que a criança rejeitava a tomar a dose única de um medicamento homeopático, e ao forçá-la a tomar chorava porque doía a boca e a garganta.

Resolveram cheirar o medicamento que sobrava no vidro e diziam que tinha um forte cheiro de álcool.

Por outro lado, um senhor procurou-me para dizer que tinha sérias dúvidas sobre o medicamento homeopático que tomara porque nao tinha cheiro ou gosto de nada.

Se não tem gosto não serve como medicamento e se tem, ou dói, pode haver algo de errado?

Qual realmente é o aspecto do medicamento homeopático?

Tem realmente algum sabor?

Quais são, realmente, as características dos medicamentos homeopáticos?

Medicamento Homeopático tem gosto?

O caso da criancinha, que referiu que o medicamento até doía, aponta-nos que o medicamento não estava devidamente processado para uma dose única.

Quando tomamos uma dose única, na verdade, estamos tomando uma preparação adequada para uma tomada só, como se dizia antigamente uma beberagem.

Pega-se o vidro e toma-se tudo de uma só vez.

Para isso, o medicamento é diluído em água para que possa ser assim usado com a capacidade máxima de estimular nosso sistema sensitivo como um medicamento dinamizado. 

A proporção depende da experiência de cada médico e o volume geralmente o adequado para garantir que o sistema tenha um nível de estímulo medicamentoso adequado ao tomá-lo. Por exemplo, trinta mililitros são suficiente para um adulto, a metade disso, quinze mililitros para uma criança.

Assim sendo, na diluição normalmente usada, não teríamos condição de sentir o cheiro ou o sabor do álcool. Tanto isso é uma verdade, que normalmente as crianças nos perguntam se irão novamente tomar a aguinha, quando em consulta.

No caso da criancinha, que referiu gosto ruim e que doía quando tomava a dose única, mostra-nos que ela foi erroneamente preparada.

A diluição era inadequada, e em casos assim, não foi realmente diluído. O medicamento é guardado na forma de uma solução alcoólica a oitenta por cento o que é suficiente para doer, arder.

Mas e se insípido e inodoro, há algo errado?

Normalmente, se for bem preparado essa é a característica do medicamento homeopático para dose única. É uma preparação onde trinta mililitros de solução final terá umas dez gotas da solução hidroalcoólica.

Portanto, não dá para sentir o gosto ou o cheiro do álcool.


Se nada for acrescentado a aǵua não agirá, embora mantenha as características de aroma e sabor de uma preparação homeopática em dose única.

Formas de apresentação do medicamento

Normalmente a apresentação de doses únicas são líquidas onde uma proporção do medicamento é diluída na água para ser todo o volume tomado uma só vez.

Mas ele pode vir envasado como um medicamento puro, para ser diluído pelo paciente na hora de tomar.

São conhecidas popularmente como gotinhas homeopáticas.

As pessoas pegam um quantidade de água, pingam algumas gotas e tomam o conteúdo.


O pingar diretamente na boca pode ser usado, mas diluído na água tem uma ação mais pronta, como atesta os casos graves onde dá para se notar a diferença entre pingar as gotinhas ou administrá-la depois de uma prévia diluição em água.

No caso de ser usado diretamente na boca as apresentações em glóbulos são mais eficazes, muito embora, ainda assim a diluição dos glóbulos provoca muito mais eficazmente a resposta medicamentosa esperada para curar.

Também existem os papeletes que colocados na água que deverá provocar o mesmo efeito da diluição das gotas na água.

Preparo do medicamento para uso em casa


Sempre me perguntam: quantas gotas devo tomar do medicamento prescrito? Seis gotas são realmente suficiente?, E quatro? 


Uma vez uma senhora me ligou desesperada porque seu filho tinha comido todas os glóbulos de um medicamento na sexta dinamização:

- Vai morrer doutor? devo ir a um pronto socorro para fazer lavagem estomacal? - falava-me em pânico com a probabilidade de perder o filho com um acidente por ingestão indevida de medicamento.

Não morreu como era o esperado por ser um medicamento homeopático.

Ele, apesar de ter tomado o vidro todo do medicamento na sexta centesimal ele, na verdade tomou uma só dose.

A dose prescrita tem que ser o suficiente para que o sistema sensitivo perceba a dose para provocar a resposta restauradora e curativa do organismo.

Se a cada minuto ele tomar um só glóbulo ele terá tomado uma dose por minuto o que, depois de um certo tempo, seria danoso ao sistema.

Normalmente entre quatro a seis gotas em água é o suficiente para provocar a resposta homeopática. Se glóbulos bastam quatro deles.


Enfim, é muito comum ouvirmos exclamações como “ essa aguinha milagrosa”, “quem diria que essas gotinhas pudessem fazer tanto!”

Com certeza não é para nenhuma criança chorar para tomar a medicação, ao contrário, depois de um tempo de tratamento negam com veemência qualquer outra forma de medicamento.




terça-feira, 15 de novembro de 2016

UMA EXPERIÊNCIA ANTE A CURA DE UM QUADRO AGUDO



Às vezes, no dia a dia da prática médica acontecem coisas que por si só nos ensinam muito.

Essas experiências vão muito além das técnicas utilizadas nos dias de hoje em medicina, ou de qualquer outro texto Médico-científico descrito.

Se pensarmos na Homeopatia, que é uma terapêutica que atravessa milênios e que com Hahnemann ganhou clareza e praticidade, essas experiências são ainda muito mais ricas e valem muito para o observador sem preconceitos.

Nos quadros agudos, quando a ansiedade e a angústia dos familiares bate forte nos envolvidos, é comum se tentar algo que remova rapidamente os sintomas como se isso garantisse que o mal não exista, muito embora o doente continue a adoecer mais e mais até o ápice da patologia aguda em questão.

Mas, se o que queremos é curar o indivíduo doente, porque não suportar um tratamento mais adequado e pararmos de tirar sintomas e pôr em risco a vida daqueles que amamos?

Pois foi num quadro agudo que assisti a reação de espanto de um pai que ainda não tinha visto uma cura homeopática e a conclusão que teve mediante a experiência vivida.

A verdade está na realidade do dia a dia do que fazemos e qualquer um pode atestar isso como foi o caso que contarei.

UMA CRIANÇA DOENTE, PAIS ANSIOSOS


Uma criança estava com febre média com sintomas gerais e inespecíficos de qualquer patologia, parecia mesmo uma virose que iniciava.

O paciente, uma criança de um a dois anos, primeiro filho de um casal jovem.

No transcorrer de um ou dois dias, os sintomas começaram a aparecer.

A febre subiu, a criança começou a apresentar uma face típica com olhos inchados e semi-fechados, rosto vermelho, olhos lacrimejando, nariz semiobstruído e começando a escorrer. Estava sonolento, irritado, querendo ficar quietinho.

Na evolução apareceram os catarros que saiam pelos olhos em grande quantidade, nariz, e a tosse que antes era seca e passara a apresentar uma expectoração grossa, e como as demais secreções cinzentas, além de catarro semelhante no ouvido médio.

Nesse momento a febre começou a subir e chegou  a fazer a noite quarenta graus celsius, quando os pais me trouxeram.

A mãe fora tratada por mim desde criança com a Homeopatia e estava mais segura, embora ansiosa e angustiada com a doença de seu primogênito. Mas o pai, que mal sabia o que era a Homeopatia, estava tenso e com medo.

Foi examinado e medicado, e dado para eles o prazo de dois dias para sumir a febre e melhorasse os sintomas.

Explico a evolução do quadro, a duração da febre por esses dois dias e que esta se comportaria subindo um grau descendo um grau. Uma vez informado sobre o como observar a evolução e os cuidados gerais que tinham que dar para o filho, os dispensei esperando revê-los em quatro a cindo dias depois.

O RETORNO À CONSULTA


Depois de quatro dias eles retornam conforme minha orientação na primeira consulta.
O casal entrou sorrindo com a criança no colo a me olhar desconfiada. Sorrio para ela e recebo de volta um lindo sorriso.

A criança tivera febre por dois dias conforme eu disse, e saiu um montão de secreção no decorrer. Depois cedeu a febre e as secreções, voltando a criança à sua atividade normal, animada e sorridente.

O menino estava bem, ativo embora um pouco irritado, o que é de se esperar neste momento.


Examino-o cuidadosamente e não encontro nada mais de anormal, nem o catarro que inundava o ouvido médio, tudo normal.

O pai de pé me olhava durante todo o exame físico, durante todo o diálogo com a sua mulher.

Sento na minha escrivaninha e ele de pé me fala:
- É só ter paciência, doutor , que tudo se resolve. Fiquei impressionado com a evolução da cura. Fez exatamente conforme o senhor disse e evoluiu até não ter mais nada . Meu filho nem parece que teve esse quadro todo! É só ter paciência e dar o remédio e o quadro desaparece… fiquei espantado.
Foram os dois dias e pronto, fiquei espantado!

Realmente mostrava espanto, estava extasiado em ver aquela terapêutica tratar de forma tão precisa e tão rápida.

Nunca tinha visto esse tipo de tratamento.

Para sua mulher, que já estava familiarizada com a Homeopatia foi somente mais uma cura, mas para ele “ era só ter paciência”.
Isso falava porque os sintomas não foram paliados, os sintomas não foram retirados e apenas tratamos o doente, que evoluiu naturalmente para cura.

COMENTÁRIO


Quando o vi falando lembrei que esta experiência seria útil a muitos que se tratam com a Homeopatia.

Quando diante de uma quadro agudo eles medicam sintomas para se verem livres da angústia que a doença gera.

Realmente, hoje ante a um quadro agudo, é muito difícil convencer os pais a não fazerem nada mais que a Homeopatia, a aguardarem a resposta orgânica e verem seguramente seu familiar doente curar tranquilamente com o mínimo de gasto de vida e sem agravar com complicação nenhuma.

A experiência fala por si, nos mostra como naturalmente saramos, emergimos da doença com a vida toda retomando seu vaso humano.

Aquele pai estava maravilhado com algo tão corriqueiro.

Muitas pessoas sofrem porque resolvem tratar com a Homeopatia. O medo ao ver os sintomas persistirem após algumas poucas doses do medicamento os fazem medicar os sintomas paliativamente não dando tempo ao corpo  de organizar a cura. Medicam com alopatia causando um dano ao doente, prolongando o tempo de recuperação e impondo uma carga a mais ao corpo sobrecarregado pela doença.

Aquela experiência queria que fosse de todos os que se tratam com a Homeopatia, para que pudessem ver e entender do que o nosso sistema orgânico é capaz, e de como essa terapêutica opera curando as pessoas através da mais natural resposta orgânica que é muito eficiente e única no processo de cura.  

FINALIZANDO


Não digo aqui que a Alopatia não tenha seu valor, que outra terapêutica, seja qual for, também não tenha seu valor na cura, mas que a Homeopatia é soberana no tratamento das pessoas com uma enfermidade aguda, ou mesmo crônica, porque provoca a resposta restauradora no organismo frente a uma enfermidade, como vimos aqui nesta caso agudo.


Aliás, a Homeopatia tratava as tão comuns Pneumonias do começo do século XX, que ceifou tantas vidas de crianças, enquanto nada se podia fazer com qualquer outra terapêutica.

Com a Homeopatia, o corpo é provocado a reagir com vigor, de forma integrada, reorganiza a recuperação e a faz de maneira soberana e naturalmente, tão suave e pronta que chama a atenção de um observador.

Além de curar de forma pronta, suave e definitiva, com o mínimo de gastos para o corpo, deixa como que uma memória da forma de responder em casos semelhantes, compondo assim uma “memória da resposta”.

Espero que todos, algum dia, tenham o prazer de ver esta experiência, muito embora, na verdade, desejo que ninguém adoeça.

terça-feira, 13 de setembro de 2016



DESEQUILÍBRIO DA DINÂMICA VITAL: A DOENÇA DINÂMICA



Continuando a matéria anterior, falaremos sobre como a alteração da dinâmica vital pode gerar um quadro de susceptibilidade a adoecer, o que chamamos de Doença Dinâmica.

Para isso temos que trazer à nossa mente novamente o que é Dinâmica Vital.

A alteração


Vimos que estamos incluídos num universo que muda a todo instante e que nosso sistema orgânico, em decorrência disso, muda constantemente para que nos mantenhamos em equilíbrio, sendo este o perpetuador da vida.

Mas se o Sistema de Vida Vegetativo não responder a contento, o equilíbrio não será suficientemente eficiente para que mantenhamos em integridade à nossa unidade.

Se desequilibrarmos, ou ainda melhor, se não mantivermos nosso equilíbrio na nossa dinâmica vital, homem/universo, a consequência disso será um estado de autoconsumo e desagregação que só acabará com a morte.

Mas estamos vivos.


Mesmo não nos adaptando bem faremos pequenas alterações locais para diminuir a tensão mórbida gerada pelo desequilíbrio vital.

Isto gera nova mudança no binômio homem - universo que obriga a uma nova adaptação e assim por diante.

Este estado complicado de se manter equilibrado às custas de ações adicionais locais, gerando novos desequilíbrios, é o que chamamos de Doença Dinâmica.

E isso se perpetua, o organismo lançando mão de adaptações, que afeta o universo que responde contra isso, levando-nos a ter que readaptarmos, e isso de maneira insatisfatória, o que obriga o corpo a se "calçar" para não cair, gerando tensões que diante da predisposição genética, física e ambiental poderá gerar a tendência a uma ou outra enfermidade.

A esse estado de disposição a enfermar chamamos em Homeopatia de Susceptibilidade Mórbida.



Ela se manisfesta em qualquer parte do corpo como uma vulnerabilidade, seja corpo ou mente, uma vez que o o nosso organismo é um só e não é um fato ser separado em corpo e mente.

O fazemos apenas para fins de estudo.


O que mudou no Sistema de Vida Vegetativo


Algo alterou o Sistema de Vida Vegetativo, ou na Percepção, ou no Processamento ou na Efetuação de uma resposta adequada.

Essa alteração, seja qual for, nos mostrará através de sintomas e sinais na vida cotidiana da pessoa. Gerará uma resposta adaptativa inadequada ao meio em que vivemos, que gera o potencial de desorganizar a enorme cadeia de fatos que leva a existência da nossa vida.

O corpo tem a capacidade de responder de forma a resolver-se na inter-relação com o meio universal. Mas não o faz quando a alteração é no próprio Sistema de Vida Vegetativo.

E é exatamente nesse sistema que a interferência dinâmica mórbida, a Psora, a verdadeira doença da humanidade, afeta e interfere em seu perfeito funcionamento que se notará como uma Susceptibilidade a adoecer.

Raras pessoas conseguem perceber e resolver-se automaticamente nesse nível, mas nós, a enorme maioria, não o conseguimos e daí adoecemos.


É como, por um exemplo, se estivéssemos em um anfiteatro para assistirmos uma orquestra tocar. O barulho da rua interferindo no espetáculo nos obrigaria a prestar mais atenção para discernirmos melhor os sons. Inclinamos para frente, ficamos inquietos e irritados e, logo, a canseira começa tornando a experiência, que era para ser prazerosa, em algo muito desagradável e perturbadora.

O som da orquestra é boa, porém o ruido da rua ao redor, que também é som, interfere na nossa capacidade de a perceber bem.


A Etiologia da Doença Dinâmica, O Miasma


O que realmente altera o sistema de Vida Vegetativo, a ponto dele não conseguir mais responder a contento, é uma interferência adquirida que “atrapalha a Dinâmica Vital em si.

Sua natureza também é de ser Dinâmica, semelhante ao nosso sistema e o universo.

Consegue interferir facilmente com o nosso sistema impedindo a nossa Unidade de se adaptar satisfatoriamente.

Como vimos que o nosso Sistema de Vida Vegetativo não consegue se perceber direito a ponto de se resolver, essa intrusão mórbida vai aos poucos se inteirando com o nosso sistema tornando-o gradualmente mais vulnerável até o ponto que, esgotado, o organismo para.


Caráter da Alteração Miasmática


A alteração miasmática não será algo estático, mas mostra-se dinâmica, mudando de “cara” na medida que as situações em que estamos expostos mudam.

O aparecimento de um novo evento que nos obriga a adaptar vai gerar novas susceptibilidades, novas dificuldade, novas doenças.





O sistema assim inflacionado e pervertido mostra que a desorganização é progressiva e agravante; quando a energia vital do paciente está baixa, ele está enfraquecido, pode ocorrer a desorganização de toda a cascata de eventos que permite existir a vida.

Essa é a doença verdadeira, o início, o porque enfermamos e morremos.

Ela por si mesma, a menos que seja de carácter agudo, tende a não matar mas esgotar a vida até o fim. Todos vimos com frequência as pessoas doentes crônicas, de anos de evolução, chegar a uma situação lamentável, senão que desumana, e esgotados morrerem.

Todos tememos esse fim. 


Vimos, muitas vezes, nossos próprios entes amados acabar dessa maneira, e por ser tão comum a doença dinâmica, achamos normal morrer assim.

O pior de tudo, é acreditar que para morrer precisamos estar doentes. 


Essa é a visão geral das pessoas.

Porém, na verdade,  o sadio morre, mas o enfermo acaba


O primeiro tem uma vida digna e um fim sem sofrimentos (matéria A Saúde, A doença e a Morte), enquanto o segundo é digno de filmes de terror, de programas como O Mundo Cruel.

A alteração Dinâmica é evolutiva e pode se complicar com outras interferências na dinâmica mórbida. 


Há muitos outros detalhes e outros numerosos complicantes, mas para expor aqui o fundamental foi exposto.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

DINÂMICA VITAL


Perguntam-me com frequência sobre a Doença Crônica Dinâmica ou Miasmática.
Então, para ajudar a tornar mais claro este ponto que, aliás, também é um conceito confuso até para médicos, vou fazer uma série de matérias, todas voltadas para a compreensão do assunto.

Então começaremos com a conceituação da Dinâmica Vital. 
Hahnemann nos fala bastante dela, mas no seu tempo a ciência ainda não tinha um vocabulário muito preciso e, ainda, muito do que se falava baseava-se nas filosofias e crenças vigentes.
Muitos médicos se destacam por enunciar detalhes que só mais tarde seria reconhecido como pilares dos estudos médicos.


O HOMEM COMO UMA UNIDADE INEGÁVEL

Todos nós sabemos quem somos o que queremos, o que gostamos ou temos aversão, desejos, etc.. Trabalhamos, nos divertimos, experimentamos a vida, conceituamos o certo e o errado e investigamos o mundo e a matéria que nos envolve.
Estamos numa estreita inter-relação com o universo que nos envolve e em momento nenhum questionamos o fato de sermos uma unidade, isto porque realmente o somos e não a soma de pedaços.

A organização de Uma Unidade

Mas na verdade, somo feitos por pequenas unidades vitais, as Células, que em ambiente apropriado sobreviveriam sem nós.

No nosso corpo ela se especializa, as vezes em detrimento da sua individualidade, se organizam em tecidos e, estes últimos, em Órgãos.
Os Órgãos inter-relacionando-se formam os Sistemas Orgânicos que, por sua vez,  compondo-se formam o nosso corpo humano. 
Há como um sistema executivo de organização que administra a formação de células específicas, outro que o engloba para a formação dos tecidos, e assim sucessivamente até o ultimo que compõe o corpo humano como uma unidade, complexa e altamente responsiva, que lhe possibilita a adaptação ao meio onde vive.

Simplesmente um Exemplo

Assim, por um exemplo, as células especializadas em músculo cardíaco formam o Miocárdio, outras organizadas em tecidos de revestimento vascular formam o Endocárdio. Algumas células, ainda, se especializam a levar impulsos nervosos através do músculo cardíaco. Um sistema de irrigação formado por artérias, que são também células que se organizaram e já são especializadas e correm pelo músculo cardíaco, formando um sistema de irrigação que permite suprir o coração de sangue indispensável à vida.
Assim, o sangue que também são células organizadas como um tecido correm pelos vasos arteriais e venosos.
O conjunto de tudo organizado constitui, a grosso modo, o nosso Sistema Cardio-Circulatório
Todas estas partes resultantes de uma especialização se organizaram para a formação deste sistema orgânico.  


No final, portanto temos o homem formado e pronto. Mesmo que composto por tantas partes e células mostra-se como um SER ÚNICO, UMA UNIDADE
Isso é tão harmonioso que quase nunca lembramos de que somos formados.
Esta unidade tem a característica dos seres vivos: a Irritabilidade que é a capacidade de responder aos estímulos,e que lhe garante a adaptação ao meio.
Para todo estímulo sempre haverá uma resposta.

O SISTEMA DE CONTROLE

Esta unidade está adaptada funcionalmente para viver no meio em que foi criado.
Seu funcionamento é todo automático e contínuo, além de muito preciso.
Um sistema em especial é responsável  por essa automaticidade formidável, O SISTEMA DE VIDA VEGETATIVO.
Ele é formado por todas as organelas que fazem a vida acontecer de forma  automática e integradora no corpo humano.
São muitas estruturas no corpo onde suas partes se encontram, mas é no Tronco Encefálico onde a maior parte delas se encontram. 

É por isso que essa região é tão vital no corpo humano!
Este sistema é capaz de perceber a situação do corpo no universo, processar essa informação e efetuar uma ação reguladora, modificadora do corpo em relação ao meio.
Um exemplo simples: se começarmos o dia com frio e durante o dia esquentar muito não morreremos, adaptamos.
Ele percebe a alteração, processa essa informação e efetua uma resposta para que o sistema continue adaptado ao meio e possa sobreviver e funcionar corretamente.
Portanto ele é provido de um Sistema de Percepção apurado, formado pelo sistema sensitivo, onde até nossa consciência é usada como parte do sistema sensitivo do Sistema de Vida Vegetativo. Há um outro, o de Processamento, que colhe as informações e as processa. 
Além da Percepção e Processamento, há o sistema que Efetua a resposta onde ele converterá as informações provindas da percepção em mudanças físicas. É o Sistema Efetor, parte esta de uma complexidade admirável. 

O UNIVERSO PESSOAL COMO O MEIO ONDE VIVEMOS

O universo pode ser reduzido a um Universo Pessoal, que é a parte do nosso universo do qual fazemos parte e com o que coatamos, coagimos.
Como todo o universo, o nosso universo pessoal muda a todo instante. Não é um lugar estático, mas muito dinâmico. Tudo está constantemente mudando, em todos os seus aspectos. 
Além do que, incluso nele, há toda uma criação de seres vivos em constante atividade que, também, provoca outras tantas alterações que nos envolve. 
Poderíamos classificar tudo que está em nossa volta, mas o que nos interessa é que tudo que  compõe nosso Universo Pessoal não está estático, parado, imutável, mas ao contrário em constante e eterna mudança.

A INTEIRAÇÃO HOMEM / UNIVERSO

Se o Universo não para de se alterar nossos corpos, nós mesmos, também assim o estamos correspondentemente alterando.
E por agirmos sobre o Universo, provocamos nele uma alteração, a nova situação do Universo obriga-nos a adaptar novamente. 
Então, pelo fato do Universo se alterar constantemente, o nosso corpo se vê obrigado a mudar para se adaptar, sem o que, ele desorganiza e morre.
A falta de uma resposta adequada pode "Inflacionar" essa inteiração Homem-Universo levando a sérios problemas na vida daquela unidade vital.

A DINÂMICA VITAL

Portanto, essa inteiração entre nosso organismo e o nosso universo, provoca um estado de eterna adaptação.
Essa adaptação é promovida pelo Sistema de Vida Vegetativo.
Por ser tudo uma dinâmica constante entre nosso organismo e o universo que nos envolve chamou Hahnemann a este fato de DINÂMICA VITAL.
Ela nada mais é que o fato da inteiração eterna do homem com seu universo mutante.
Ela tem que ser equacionada de forma que essa dinâmica tenha como resultado a continuidade da vida. 
 A menor alteração na dinâmica vital de forma que não esteja tão propício à continuidade da vida teremos grandes alterações em nosso sistema vital, senão a desorganização total dele e a consequente cessação da vida.


ATÉ O QUANTO PODEMOS ALTERAR?

Neste ponto cabe a pergunta:
- mas até quanto nossa Dinâmica Vital pode tolerar uma alteração antes dele desorganizar a ponto da morte ser inevitável?
Digo apenas, que é como um lápis equilibrado sobre sua base, na situação vertical. Uma minúscula força aplicada ao lápis gerará um potencial de queda muito grande. 
Assim, se deixarmos de responder por pouco que seja o risco desproporcionadamente aumenta  de se desorganizar e morrer. 
É uma característica dos equilíbrios dinâmicos não serem isolados, mas interagem com toda a realidade de onde está inserido. 
O lado que minimiza um pouco este fato  é a realidade de sermos seres VIVOS, como veremos um pouco mais adiante.