quarta-feira, 8 de junho de 2016


O MÉDICO GENERALISTA 

 

- Mas o senhor é formado em que especialidade? 
- Eu sou um médico generalista, e atuo com Homeopatia para tratar as pessoas das doenças crônicas e agudas sempre que haja indicação terapêutica para isso.  
- Mas o que é um médico generalista? 

Este diálogo se repete muitas e muitas vezes.  

A grande maioria das pessoas não sabe o que é um médico Generalista, o que faz, como foi formado.  

Querem saber se é um Clínico Geral, e se espantam quando digo que o Clínico Geral já é um especialista. 

Um Conceito Já Esquecido. 

  
Quando atuamos nMedicina como médicos, atuamos por Níveis de Atenção à Saúde. 

É como se fosse uma escala onde definimos o que se praticará na medicina, quando, por quem e com qual objetivo. 

O objetivo maior é a Promoção da Saúde e sua Manutenção.  

Entendemos que a maior prevenção contra as doenças do ser humano é a promoção da Saúde. Uma pessoa realmente saudável dificilmente enferma e se o fizer recuperará rápido e completamente e, ainda, dificilmente complicará. 

Mas se adoecer e se mostrar sem tendência a curar, o que temos que fazer é resolver a enfermidade e promover a volta da saúde.  

Quando precisamos monitorar um doente, dar-lhes cuidados especiais, então pensamos em interná-lo em um hospital onde terá o tratamento seguido por um Clínico geral, um Cirurgião geral, um Ginecologista ou Pediatra. 

São médicos que ficam no Hospital onde desenvolvem suas atividades quer seja nas enfermarias como nos ambulatórios.  

Uma vez com alta da enfermaria serão seguidos pelo ambulatório, e deste a alta definitiva quando volta para o Nível de Atenção Primária, para os cuidados do Médico Generalista 

No nível de atenção primária um dico deve acompanhar as pessoas e cuidar para que estes não enfermem. Deve também ser sua preocupação promover a saúde da pessoa tratando-a de seus males, afastar fatores nocivos que potencializem a tendência a enfermar, levantar um mal recorrente na sua área de atuação e, acima de tudo, dirigir Educação em Saúde com a ajuda de sua equipe de auxiliares vários. 

O médico que atua nesse nível de atuação é um Generalista, um médico de formação ampla, de cultura médica extensa, isso para que possa entender o indivíduo no seu espaço de vida, tanto cultural como físico. Ele deve ser apoiado pelo poder público e sua atuação é eminentemente de caráter público e não privado.  

É a forma que os municípios deveriam dar a Medicina à população. 

Neste sistema, o custo e benefício é muito favorável altamente eficaz. 

Para entender a eficiência, na Inglaterra mais que 90% dos problemas de saúde na população são resolvidos neste nível. 

Se o problema exige um aprofundamento do estudo de um órgão ou sistema, ou ainda, se a intervenção exigir o uso de uma técnica específica então entra o último nível onde encontramos os especialistas. 

 Na pirâmide de distribuição de profissionais médicos, a base do triângulo representa o médico especialista que ocupará uns dois terços da pirâmide. Seguindo, vem ocupando mais dois terços do restante da Pirâmide à área de atuação das grandes especialidades com o Clínico Geral, o Pediatra, o Clínico Cirúrgico e o Ginecologista. O restante, uma pequena parte, é ocupada pelos especialistas e superespecialistas. 

No sistema norte Americano de Saúde, que o é o nosso também, a medicina se divide em áreas setorizadas de atuação, cabendo a cada especialista uma parte pequena de atuação para agir e o nível de Atenção Primária à Saúde, se não existente, é desprezível. 

Não é raro se confundir a área do Sanitarista com este nível. 

O Generalista

   
O médico Generalista é um médico que teve uma formação diferente do que temos hoje no Brasil.  Tudo na formação dele conspira para o médico que, com base nos conhecimentos extensos, seja capaz de entender o homem na sua dinâmica vital, seja patológica ou não, seja um adulto ou uma criança, seja homem ou mulher.  

Fazer os diagnósticos, aplicar um tratamento curativo, preventivo, executar os programas de saúde, fazer uma avalição precisa, fornecer dados e suspeitas para verificação epidemiológica, sanitárias etc.  

É aquele que propriamente “arregaça as mangas” para exercer a função promotora e mantedora de saúde, e liderar um grupo de profissionais da área médica que trabalham dentro desse nível do sistema médico.  

Na verdade ele é capacitado a liderar as ações em saúde em um determinado grupo da população que esteja sob sua responsabilidade 

Ele também é conhecido como Médico de Família, embora no Brasil haja um especialista assim promovidocuja formação não é essa que descrevo.  

O Generalista de verdade, um Clínico por excelência tem a função de executar a Medicina para os fins descritos.  

Ele é determinado para trabalhar dentro de um sistema médico definido por níveis de atenção à saúde em uma parcela da comunidade.  

Com esse grupo se responsabilizando para promover, manter saúde ou minimizar o mal, com o auxílio da sua equipe, a que lidera dentro de uma unidade de saúde do município.  

Quando a organização da parcela da população a ser atendida  se faz através de famílias cabe a ele um número de famílias para atuar.  

Essas famílias são limitadas e moram numa área definida. Ele é conhecido então como o Médico de Família.  


Formação do Médico Generalista 


O maior desafio da formação do médico Generalista é a faculdade equipada para formar o médico.  

Partindo de um conceito primário, vai se desenvolvendo o estudo sendo que um conhecimento é englobado por outro ainda maior até a sua formação total, seguindo por base o desenvolvimento de um médico sem a limitação típica de um  médico “ista”. 

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base de seu ofício é o Raciocínio Médico, algo trabalhoso e finalizado, na faculdade,  por volta do quinto para o sexto ano. Nesse momento a cadeira denominada Integração Anatomopatológica sela o Raciocínio Clínico 

Esse profissional usará seu conhecimento para o uso do raciocínio em Medicina que o levará a levantar os diagnósticos médicos, estudar o tratamento, a prevenção, a avaliação do enfermo,  em fim dará ao médico assim formado uma ampla visão capaz de entender o que se tem a ser tratado, como tratar, como limitar o mal, aliviar o sofrimento e como lidar com as limitações. Também o auxiliará muito na tarefa da prevenção manutenção da saúde.   

O problema maior é o custo na formação deste médico que é deveras alto, por ter muitas horas de aprendizado corpo a corpo com seus mestres 

Lembro-me de quantas vezes estávamos a beira do doente, e os professores, geralmente dois, clínicos de alto gabarito, avaliavam o caso clínico conosco, e começavam as perguntas que iam dissecando nossos pensamentos e educando nossos raciocínios. 
Apareciam de repente, entravam em um quarto e nós todos do quarto iriam participar daquela “aula prática” que não era fácil. 

No quinto ano depois de muitas e muitas visitas deles, tínhamos um ano aprendendo com o Mestre a raciocinar 

Já acumulávamos horas como neófitos de clínicos e rendíamos sem o saber no aprendizado difícil e penoso de aprender a pensar como um médico.  

Foi muito duro, exigiu muito de nós, mas tenho muitíssimas saudades. Queria voltar só um pouquinho para aproveitar mais.  

As atividades nessa altura eram intensasEsquecíamos de casa tamanha atividade.  

Víamos nossos companheiros, nosso colegas ao acaso e muito raramente. 

Os mais próximos são os que atuavam na mesma área que nós, ou no mesmquarto em uma enfermaria.  

Antes de entrarmos no hospital, na passagem nos postos de Saúde da Faculdade, ainda nos víamos, mas não mais a turma toda.   

No encontro de casos clínicos raros e difíceis, nareuniões de necropsia e biópsia, nos encontrávamos quase todos, o que era muito prazeroso. Tínhamos muito para contar uns para outros, o que vivenciávamos e aprendíamos. 

Treinávamos o despedir também porque o curso chegava ao fim.  

Aprendi que quando não sabemos o suficiente achamos que somos sábios, bons no que fazemos, mas quando realmente começamos a saber achamos que não temos o suficiente.   

Reconhecemos a humildade naqueles que nos ensinavam porque eram muito bons. 

O que nos falta 

O Brasil é um país onde se encontra bons especialistas e hospitais bem equipados para o trabalho dos especialistas 

Não há nada de errado neste nível de atenção terciária à saúde, as especialidades e seus especialistas. O nível desses profissionais é muito bom, e nos grandes centros chega a excelência as ações médicas especializadas. 


Estudos e pesquisas não nos deixam em nada a dever aos grandes centros internacionais.  

O Nível de Atenção Secundária a Saúde, os hospitais gerais e seus grandes especialistas estão sumindo quase que totalmente, principalmente nos grandes centros. 

Há uma diminuição acentuada dos Pediatras e Ginecologistas. Os clínicos são muito poucos e o Cirurgião geral acredito que desapareceu.  

São quase todos especialistas.  

No nível da Atenção Primária à Saúde o médico Generalista não existe mais, e nem mesmo se conhece como atuam .  

Neste nível de atenção à saúde e no nível de Atenção Secundária à Saúde é onde está radicado o problema no sistema médico nacional. 

O médico generalista com sua formação ampla e francamente clínica não encontra mais espaço na memória dos cidadãos. Há um tempo atrás era comum se falar do doutor fulano que acompanhou a família tal ou que foi tratar alguém em casa. 

Mesmo o Clínico Geral, muitas vezes está preso aos serviços de outras especialidades e não tem mais espaço para suas atuações integradoras dentro de um serviço médico, o que evitava muitos problemas e complicações na atuação de tantos especialistas. 

Uma certa vez, tive que medicar um paciente numa emergência psiquiátrica, e um determinado colega, enciumado, me disse que não poderia agir na psiquiatria porque eu não era psiquiatra. emergência não se levava em conta. 

Na Homeopatia, a clínica é elevada a um exponencial muito grande, o que torna o trabalho ainda maior para aqueles cuja formação não é eminentemente clínico e sua cultura médica seja limitada.  

Tudo porque o trabalho médico é aplicado a uma clínica mais ampla que a usual.  

 Qualquer Homeopata pode atestar isso sem dificuldade. 

terça-feira, 10 de maio de 2016




PORQUE ADOECEMOS


É comum se questionar o porquê adoecemos.
Por que algumas pessoas enfermam enquanto que outras têm uma vida longa sem doenças marcantes, apenas pequenos acidentes?
Ainda por que alguns envelhecem muito cedo enquanto outros, mesmo sendo senis, são ativos e gozam da liberdade da saúde?
Intriga a muitos o fato de algumas crianças não suportarem o inverno fazendo várias infecções bacterianas, virais, e mostrarem dificuldade com a estação. 

Imunidade baixa?
E mais uma vez, o por que outras pessoas que são sofredoras crônicas de uma neurose devido a história pregressa emocionalmente nociva enquanto outras, com muito mais motivos para desajustes emocionais, se mostram livres delas.
Alguns carregam transtornos após traumas psicoemocionais pela vida toda, que evoluí e exige acompanhamento psicoterápico e psiquiátrico. Outras pessoas, entretanto, apresentam histórias semelhantes e levam apenas uma má memória de um período ruim da vida, que precisam ser evocadas para virem a consciência.

Causa muita estranheza essa diferença entre a suscetibilidade individual.
Muitos justificam com teorias que buscam elucidar o porque nossa mente enferma. Até resgates de vidas passadas já ouvi, e outras como transtornos perispirituais, quebra do fluxo cósmico, transtornos dos signos astrológicos, carma, etc..
Mas há uma razão clara, que pode ser demonstrada facilmente.

UM SÓ CORPO, UMA SÓ UNIDADE


Nossa menor unidade de vida chama-se célula. As células do nosso organismo têm vida própria. Se estiverem em meio adequado sobrevivem sem nós. 


É a menor parte viva de nosso corpo e guarda uma individualidade como ser vivo.
No nosso corpo se especializam na formação dos tecidos e órgãos que se compõe em sistemas orgânicos complexos.
Esses sistemas se harmonizam na formação de um organismo vivo único.
Todas as nossas partes exatamente se compõem em uma unidade, não havendo nada no corpo que seja exceção, nem mesmo nossa mente.
Assim como a célula é uma unidade formada com organelas, nós também somos uma unidade formada por uma inteiração muito complexa de órgãos e sistemas para formar um indivíduo.

UMA DIVISÃO HISTÓRICA


Há um conceito que atravessa séculos que afirma que somos formados por corpo e mente (cabeça e corpo).
Não foi da A anatomia, mais corretamente Morfologia Interna, a divisão do corpo assim.
Ela realmente divide o corpo em partes a fim de sistematizar para estudo, mas na realidade somos uma unidade.

Assim, o corpo é divido pelos sistemas, cardiocirculatório, digestório, uro-excretor, nervoso, etc., que por sua vez, são englobados por um ainda maior que forma a unidade orgânica.
Cada sistema é formado pelos órgãos organizados em sua anatomia e função, e estes são formados por tecidos especializados como o tecido hepático, cardíaco, cerebral.
Esses tecidos têm células especializadas arquitetadas segundo as funções que desempenharão. Todas elas se desenvolvem das células embrionárias ectodérmicas, endodérmicas ou mesodérmicas.
Cada sistema tem sua função, cada função é interdependente de outros sistemas e suas outras funções.

Por exemplo, o sistema cardio-circulatório bombeia o sangue para o corpo através de artérias e veias, que levam nutrientes e retiram escórias para que o todo o organismo possa sobreviver.
Os nutrientes vêm do sistema digestório, que elaborados pelo fígado passam a servir a todas as células.
Também o oxigênio entra no sangue e daí para as células, pela ação do sistema respiratório que também elimina o gás carbônico (CO2).

O sistema neurológico vai controlar todo o organismo, manter a vida vegetativa ou autonômica e produzir outra função também nobre que é propiciar o aparecimento da mente que pode ajudar a compor o todo, a unidade.
Assim o sistema é um todo realmente, um INDIVÍDUO

Graças a riqueza das funções podemos verificar uma série de propriedades indispensáveis à vida nesse corpo humano, como a adaptabilidade, irritabilidade, a manutenção, e ainda produz a mente racional e autoconsciente.

A IDADE MÉDIA


Com o fim do império romano, a igreja prevaleceu como poder governante devido a sua estrutura organizacional romana num mundo desorganizado e caótico. Graças a isso manteve-se como poder governante.
Dominou por um milênio a sociedade humana no ocidente.
Nesse domínio, manteve a ignorância, parou a ciência e a medicina. Os preconceitos morais e religiosos, que consideravam sacrílega a dissecação de cadáveres retardaram o aparecimento de uma anatomia científica.
No século IX, o estudo do corpo humano voltou a interessar aos sábios, graças à escola médica de Salermo na Itália.
Pressões começaram a aparecer pela liberdade de aprendizagem em contraponto a verdade provinda da fé pura e inquestionável.

Os interessados na dissecação de cadáver faziam um peso enorme para a permissão junto ao clero, através da insubordinação. Por outro lado, os estudos Árabes das dissecações em cadáveres humanos disseminaram no meio médico da Europa incrementando o interesse pela anatomia humana.
O clima geral do Renascimento favoreceu o progresso dos estudos anatômicos.
Quando sua força já não era mais absoluta, a igreja cede para os estudos anatômicos, mas fez sua exigência: “a cabeça era da igreja”.
Assim nascia essa separação que gerou muitas e muitas derivações.
A mente não é nada mais que uma função do cérebro e depende da sua estrutura, função e inteireza. É disso que se ocupa a neurociência hoje quando estuda a mente humana.
O homem é um todo incrivelmente organizado; não há divisões, nem funções que se sobressaiam, mas sim uma unidade incrível.
Se apenas a membrana celular, um “órgão da célula”, deixar de funcionar, não haverá mais nada além da morte. Ela é apenas mais uma parte do todo, assim como também o resto indispensável da unidade.

CORPO HUMANO COMO UMA UNIDADE


Bem, tomando o fato do nosso corpo, o organismo vivo, ser um todo, podemos afirmar que somos um Indivíduo (Ser único de uma espécie). 

Para vermos suas propriedades voluntárias e involuntárias basta que se observe qualquer pessoa mergulhada no seu universo, no seu meio onde vive.
Responde a ele como um todo, uma unidade harmoniosa, com suas características definidas pela herança, raça e família.

O universo, por sua vez, esta em constante mutação, em constante movimento e mudança, e a parte que nos toca do universo, nosso universo particular, também assim está.
Se não nos adaptássemos não duraríamos muito; para existir é necessário que isso ocorra.
O corpo como está mergulhado nesse universo se vê na necessidade de adaptar-se as mudanças universais que lhe tocam para que possa ter um equilíbrio dinâmico satisfatório à continuidade da vida.
Se não existisse um corpo organizado como uma unidade não haveria adaptação. Graças a sermos harmoniosamente composto como uma unidade, portanto, sobrevivemos e mantemos uma inter-relação ativa com o meio produzindo um equilíbrio dinâmico que garante a nossa permanência no universo, como seres vivos e organizados.

O DESEQUILÍBRIO

Portanto, nosso corpo é um todo que está eternamente se adaptando ao meio que muda constantemente e eternamente. Essa peculiaridade chama-se Dinamismo Vital.
Se essa unidade sofrer a perda dessa inteireza, passará a não se adaptar a contento e por certo apresentará uma inadaptação ao universo.
Diante disso, o corpo se "arranja" para não se desorganizar gerando uma "tensão mórbida" que cria dificuldades para o corpo. 

Essa tensão mórbida em pontos fracos do nosso sistema orgânico (órgãos ou sistema alvo) provoca o aparecimento da susceptibilidade a enfermar, se desajustar. Assim passa a se mostrar vulnerável a vários fatores do nosso meio.
As doenças, as enfermidades,  que são facilmente perceptíveis, é a manifestação final da inadaptação. 

Nossas vulnerabilidades, nossas fraquezas dependem desse estado de alteração do dinamismo entre o indivíduo e o seu universo.
Os sintomas mórbidos nos revelam essa situação enfermiça e os sintomas do homem como um todo a alteração do indivíduo adaptado inadequadamente e desorganizado por isso.

O humano não adaptável é um indivíduo caminhando à dissociação das partes, da perda da harmonia e estrutura que forma o todo.
Enquanto houver uma certa integridade, uma quantidade de energia, viver-se-há, mas com o passar do tempo o corpo será mais e mais comprometido até o lamentável fim que a doença nos traz.
Quando interagimos adequadamente estamos sempre harmonizados como um individuo e este com o meio.

RESUMINDO


Graças a sua inteireza, um ser humano existe porque é capaz de manter um equilíbrio dinâmico na inter-relação com o meio, o universo, que muda a toda hora.

A VULNERABILIDADE – A SUSCETIBILIDADE


Bem, a pessoa sadia vive naturalmente independente de sua idade.

É certo que morremos depois de algum tempo, mas o sadio vive até o seu último instante assim. Seu sistema é capaz de adaptar as mudanças do meio e assim continuar vivo.
Se sua adaptação está comprometida, veremos então o aparecimento da susceptibilidade a adoecer, a não se adaptar e a gerar tensões que obrigarão o corpo a improvisar para se manter vivo.
Potencialmente é um ser em risco de se desorganizar e morrer.
Nosso corpo tem um projeto, um mapa genético que nos forma com características diversas.

Alguns têm estruturas corpóreas naturais aptas para resistir melhor que outros a certos limites da resistência humana na Terra. Mas isto só ocorre se sadios, mantêm a inteireza do organismo e conseguirão adaptar-se ao meio.

Alguns vivem em meios mais hostis, outros em meios mais ideais para a vida. Dentro dos limites da vida dos seres humanos sobreviverão se mantiverem a saúde, que nada mais é que o resultado da adaptação perfeita ao universo onde somos incluídos.
Então, alguns geneticamente herdarão uma maior capacidade de adaptação a meios extremos para humanidade, e outros não. Os mais providos geneticamente se adaptarão mais rápido ou melhor que os não bem dotados com essa propriedade herdada. Mas ambos se adaptarão por estarem sadios.
Logicamente, os mais providos para viver nesses extremos sobreviverão com mais facilidade e suplantarão os demais não tão bem equipados, mas ambos sobreviverão adaptados ao meio.
Porém, se há a susceptibilidade decorrente da desorganização do organismo como um todo, o indivíduo está disposto a adoecer.
Fato este que faz a diferença entre os indivíduos, o porque uns adoecem mais outro menos e outros ainda, não adoecem.
Todos sentirão o calor extremo, mas só os que apresentam a adaptabilidade íntegra equilibrarão a contento.

Concluindo então, dentro de nossas vulnerabilidades, derivadas da grande variação humana, devido a origem gênica, suportaremos melhor um meio ou não. Mas se suscetíveis, devido a quebra da nossa adaptabilidade, então adoeceremos ao ambiente mesmo longe de extremos.
E podemos adoecer e o fazemos como um todo, da mesma forma que somos um todo, apresentando mudanças nas nossas funções, e isso não exclui a mente como uma função do corpo.
Daí falarmos que o homem quando adoece o faz como um todo, e assim o devemos tratá-lo também. Não com a soma de medicamentos para diversas queixas de órgãos ou sistemas, mas um medicamento para  a causa fundamental que faz com que as pessoas enfermem.

“ERGONOMIA” DO SISTEMA ORGÂNICO


Temos um “fôlego” para a vida e a partir de um ponto na nossa vida começamos a nos desgastar e envelhecer.

Se o resultado do consumo e da manutenção do organismo se mostrar aceitável veremos um envelhecimento saudável e lento.
Todo o corpo se adapta também ao envelhecimento e ainda nos prepara para uma vida de restrição da senilidade e o encerramento dela.
Porém, se há a susceptibilidade decorrente da desorganização do organismo como um todo, o indivíduo estará disposto a adoecer. E as enfermidades limitarão os velhos, tirarão seu prazer em viver e a dignidade pessoal.
Isto é o que faz a diferença entre os indivíduos, o porque uns adoecem mais enquanto outros menos e até há quem não adoecem. Uns apresentem a longevidade saudável enquanto outros, enfermos dinâmicos, terão um final de vida lamentavelmente miserável.
O sistema inadaptado gastará mais energia e si próprio que o necessário para se manter equilibrado. 

É claro que vida saudável, em ambiente saudável, poupará energia, mas mesmo dentro daquelas boas condições a inadaptabilidade levará ao autoconsumo. Isto é o diferencial entre envelhecer sadio ou não, de viver com plenitude e liberdade ou não.
Lógico também que há uma característica herdada para longevidade, mas, por outro lado, é franco observar a má evolução pela dinâmica mórbida de um ser com a alteração no seu dinamismo vital (indivíduo/meio).
Com mais gastos, envelhecemos mais cedo e pior.
Um indivíduo saudável e bem locado no seu meio será suficiente para que mostre o máximo que sua estrutura possa mostrar.

Exemplos:

Quem não viu crianças adoecerem quando muda o tempo? São incapazes de se adaptar a mudança de tempo a ponto de ficarem susceptíveis a adoecer.
Quantas famílias mostram um indivíduo com desajustes psíquicos decorrentes de um passado ruim enquanto outros membros da mesma família não se alteram.
O sistema gastará mais que o necessário para se manter se não estiver respondendo com inteireza. 

Um indivíduo saudável e bem locado no seu meio será suficiente para que mostre o máximo que sua estrutura possa mostrar.  
Tratamos o doente e este indivíduo, antes vulnerável, psiquicamente se mostrará igual aos outros que são normais.
Veio em meu consultório uma moça que tinha vindo morar com a irmã para estudar aqui em Campinas.
Era portadora de Úlcera Péptica Duodenal que lhe gerava muitos aborrecimentos e limitações. Tentou se tratar e não obteve resultado na época, quando nos procurou.
Na verdade mostrava um grave ressentimento pela sua experiência de ser criada com um pai alcoólatra, que ficava violento quando alcoolizado.
A irmã tinha tido a mesma história, mas uma vez que tinha mudado para cá, se casado, e tido filhos, este fato não era senão que uma lembrança desagradável.

Mas minha paciente, vivia do sofrimento do passado que era um eterno presente não conseguindo se desvencilhar desse infortúnio que viveu.
Tratada, suas queixas físicas sumiram e sua mente ficou livre do sofrimento e das sequelas do passado. Passou a se adaptar bem ao seu universo e a ter uma vida plena e feliz, provinda da satisfação de viver.
As queixas desapareceram porque sua desarmonia, que gerava a susceptibilidade a enfermar, havia sido corrigida.
Enfermamos porque estamos doentes num sentido mais profundo. O indivíduo como um todo, mente e corpo, a unidade vital que somos,  mostrando-se doente dinamicamente enferma.

A inadaptação ao universo que muda a todo instante gera todos os transtornos humanos no campo das doenças crônicas e agudas.

E a causa da não adaptação ao universo pessoal do doente é o objetivo a que se dirige a Homeopatia quando falamos em cura definitiva, rápida e suave do doente. 

sábado, 30 de abril de 2016

Fiquem Alertas, Há Certas Coisas Que Não Funcionam Na Homeopatia


Vem acontecendo, com muita frequência hoje, certas intrusões de pessoas não habilitadas no tratamento de um paciente.
Diante disso, escrevo para alertar os pacientes que não se deixem seduzir por promessas vãs e atuações inapropriadas e desastradas, que podem levar a incurabilidade de um enfermo, ou a interrupção de um tratamento por pura vaidade, ganancia ou ignorância.


Uma Interferência Criminosa

Um médico estuda seis anos na faculdade de medicina, mais dois anos de especialização, mais uns vinte anos de desenvolvimento e aculturamento para poder fazer uma clínica com segurança e bons resultados.
A preocupação do médico é levar seu paciente a cura com rapidez e segurança, para trazê-lo de volta a saúde sempre que possível.
Mas temos visto, com uma frequência crescente,  um ato irresponsável e danoso que é a interferência  no tratamento de um paciente, levando a riscos incalculáveis.
Muitos são frutos da ignorância, em um país onde a falta de formação escolar ainda é grande, a despeito do excesso de informação que, contrario ao ato de educar, deseduca.
Mas o que me assusta é que, cada vez mais, a pessoa que interfere tem faculdade, ou seja, passou por todos os níveis  de estudo, e sua atitude não condiz com sua formação.


Um Farmacêutico



Há anos atrás, prescrevi para uma paciente uma dose única na dinamização LM3.
É um tipo de preparo do medicamento homeopático e foi prescrito em dose única, porque a exatidão do medicamento impedia usar qualquer outro método de prescrição.
Depois de um tempo, fui chamado com urgência para a cidade da paciente que estava muito ruim e os colegas locais, embora não soubessem do que se tratava, queriam interná-la para avaliações e monitoramento.
Chegando lá, não demorei para diagnosticar: patogenesia medicamentosa, e das intensas.
Tomei as atitudes necessárias e fiquei sabendo que a farmacêutica havia mudado minha prescrição e dado doses repetidas diárias.
Ligo na farmácia:
- Senhora, fui chamado com urgência para ver minha paciente que enfermou porque a senhora mudou  a minha prescrição. -  falo-lhe depois de me apresentar como médico daquela senhora.
- Pois é, o senhor não sabe usar as dinamizações cinquenta milesimal, LM, e eu corrigi.
- A sua “correção”, poderia ter custado a vida da minha paciente, e a minha prescrição não poderia nunca ter sido alterada nem por outro colega, muito menos pela senhora que não é médica - explico-lhe com cuidado para não irritá-la.
- É sempre assim, vocês erram e nós pagamos o pato. Fique sabendo que temos um grupo aqui que nos reunimos para estudar a aplicação das dinamizações LM, junto com o Dr. X, de São Paulo. Ele medica assim e nós aqui também, se quer saber.

Diante disso, fica evidente a petulância da profissional de nível superior, cuja a formação acadêmica beira a ignorância. Mostra uma atuação fora da área da sua alçada profissional, atestando uma coisa apenas: desconhecimento por avançar fora da sua formação profissional.


Um Fato Que Se Repete

Fiquei deveras assutado com a petulância dessa farmacêutica, irresponsável, e tive que comunicar ao Conselho regional de Farmácia sobre o fato.
O exercício ilegal da medicina não existe como lei proibitiva para proteger o médico senão que para salvaguardar o paciente.
Mudanças são feitas na receita prescrita por médicos por outros profissionais de forma irresponsável.
AlgemasAs vezes, dependendo de como o paciente faz a resposta ao estímulo medicamentoso, primeiro aparece uma melhora e depois uma agravação, para só depois vermos as melhoras definitivas.
Alguns profissionais não habilitados estimulam pacientes que acham que o medicamento acabou sua ação e prescreve o mesmo medicamento mais vezes parando o tratamento. 

Pior ainda, a interferência inadequada leva ao agravamento do estado do paciente, quando outro médico é solicitado. Ele vai atuar para corrigir o que vê, quando o corpo responde com um quadro de idiossincrasia que pode levar a mais interferências médicas na tentativa de corrigir o mal.
Um profissional assim provoca uma escalada de ações, devido a sua interferência,  até que acontece um acidente que pode custar a vida do paciente.


Por que interferir?



Os profissionais não médicos não foram preparados para consultarem e nem medicarem ninguém, muito menos interferir num processo de cura, as vezes profundo o suficiente para complicar se for interferido nas respostas medicamentosas.
Paro o leigo chamamos de ignorância e para uma pessoa formada na área médica?
Justificam que antes eram eles que medicavam porque não havia médicos homeopatas.
O que não sabem é que antes faziam Alopatia com medicação homeopática.
Hoje há médicos e eles devem se responsabilizar pelos tratamentos, não outros profissionais que não exuberam conhecimentos médicos suficientes para exercer a medicina, muito menos foram suficientemente treinados adequadamente.
O hábito brasileiro de procurar o balcão de uma farmácia para se medicar é crônico. Cabe a pessoa que busca a responsabilidade por sua saúde, de saber que a Medicina não é suimples como a mídia faz acreditar. É muito mais que medicamentos, que prescrição, e que não há fórmulas mágicas nem um remedinho bom para alguma coisa. O descalabro é grande.
Se nas mãos dos médicos já há riscos , nas mãos inapropriados, imperitas, seguindo manuais e livrinhos informativos, só poderá ocorrer acidentes.
Escrevo apenas para alertar a não aceitarem mudanças na prescrição de um médico que pode ser perigoso e não estar no plano terapêutico do médico.
Recentemente houve outra interferência  por parte de uma farmacêutica que mudou a prescrição.
A paciente estranhou a descrição do medicamento que estava no vidro do medicamento e me ligou perguntando se era assim mesmo.
Reafirmo a  minha prescrição e confirmo ter que ser o medicamento tal qual prescrevera a  que deveria tomar.
Com  medo de que eu fizesse algo e pudesse “prejudicar” a farmacêutica não me diz o nome da profissional e nem a farmácia onde isso ocorreu.
Protegeu a farmacêutica e não a outros que poderão se arriscar com a prescrição médica alterada.
A farmacêutica justifica a minha paciente, quando ela ligou de volta, dizendo que como prescrevi o medicamento não funcionará.
Até quando isso vai ocorrer?

Depende de cada paciente prezar pela inteireza da farmácia e do farmacêutico, pensando além de si próprio mas também nos outros pacientes que podem, desavisadamente, serem vítimas desta atitude irresponsável.