segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

AS PEQUENAS PATOLOGIAS DO FRIO E SUAS SOLUÇÕES 


Todos já sabem, com a chegada da estação fria começam a aparecer as pequenas patologias incômodas, que irritam e só oferecem risco maior para as pessoas que estão debilitadas pela doença crônica.

Mas a maioria não vai ter senão que alguns dias de chateação. 

Também, não precisamos nos expor ao consumo de drogas desnecessárias e às vezes criando riscos desnecessários.

Vamos revisar um pouco o assunto  e ver como podemos tratar, de forma segura, esses episódios agudos.

ANTES DE QUALQUER COISA, OS CUIDADOS GERAIS

Não adianta preocupar-se como usar o medicamento se não dermos ao nosso corpo condições para que faça uma boa resolução quando estamos doentes.

Precisamos atentar para as necessidades de nosso corpo no momento em que vivemos.

Pensemos na hidratação, alimentação adequada, repouso, resguardo, e por aí  vai a lista de recomendações.

Na verdade, devemos prontamente atender as necessidades orgânicas do momento e, se possível, livra-lo da exposição à situações nocivas.

Certa vez fui convidado para jantar na casa de um amigo.

Era fim de outono  e aqui na região isso significa que a noite temos vento gelado depois de um dia de sol relativamente quente. 


Estávamos em um condomínio numa região alta, onde o vento impiedoso castiga quem esta em um  lugar aberto. 

Chegando cumprimentei os adultos e logo os adolescentes apareceram. Um menino e duas adolescentes.

Lindos como eles são nesta fase da vida.

O menino estava adequadamente vestido para a noite do nosso outono /inverno que é frio frio.

Mas as garotas...

Santa vaidade!

Quem já teve filha sabe como as coisas são.

Querem vestir-se de maneira conforme a imagem que querem passar e não conforme a necessidade que o tempo impõe, não mudam por nada.

As duas estavam com mini saia, blusa bem fininha sem mangas e com decote na frente e atrás.

Nada adequado para sair à noite no frio. A exposição ao frio será intensa desta forma.

- Vocês vão sair – pergunto

- Vamos, tem uma pracinha aqui perto e nos reunimos lá com a galera – me responde animada uma delas com o apoio da outra sorrindo e confirmando com a cabeça.

- Vocês irão por um casaco, imagino – e faço o gesto de se abrigar provocando-as.

- Estamos prontas tio – respondem quase juntas animadinhas.

- Está frio lá fora, e ventando ...  -  começo a falar e sou interrompido.

- Não sentimos frio – diz a primeira.

- Frio é psicológico – fala e ria a mais nova.

- Vocês vão adoecer assim. Lá é fechado? – pergunto ironicamente. 

O pai entra na conversa e fala que ninguém as convence, e me pergunta:

- Você sabe como são os adolescentes, não?

- Tive quatro delas, sou doutor em pai de filhas – e rimos.

Na semana seguinte foi pedido que eu visse as duas porque estavam com febre.

O EFEITO FRIO

Uma exposição ao frio na nossa região não leva a um hipotermia suficiente que nos leve a morte, mas o resfriamento nos expõe a viroses, principalmente  das vias respiratórias altas.

Devemos nos manter aquecidos adequadamente, nem muito e nem pouco.

As vovós já falavam que deveríamos nos resguardar para não constipar.

Rimos, mas há um fundo de verdade nisso.

Os efeitos de um esfriamento do corpo pode nos desencadear diversos desajustes fisiológicos, que podem nos levar a infecções que nos molestam. 

É comum nesta época uma neurite do nervo Trigêmeo que dá dores e paralisia facial devido à exposição ao frio.

Como os dias são mais quentes mantemos as janelas abertas do carro e o ar frio que entra pela janela batendo no rosto leva a neuralgia pelo esfriamento. Mesmo a entrada de ar do carro passando pelo rosto vai esfriar e também levar ao problema. Era um quadro muito comum em caminhoneiro há alguns anos.

Quando resfriamos o corpo todo há uma quebra na sua harmonia. O organismo fica mais vulnerável ao ambiente devido as disfunções por exposição indevida do corpo.

As vovós falavam de dores do resfriamento, como as de joelho, mãos e costas.

AS PEQUENAS VIROSES

No frio as infecções pode se dar localmente ou de forma mais sistêmica.

Na primeira forma, os Resfriados, são causados por vírus do tipo  Rinovirus, Adenovirus, Vírus Sincicial Respiratório, Corona vírus, Vírus da Parainfluenza, etc..

As pessoas doentes apresentam mal estar, febre baixa (37,5-38,5°C), coriza, tosse seca ou com pouco muco branco, lacrimejamento,  congestão ocular, hiperemia e hipertrofia dos folículos faringeanos (bolinhas vermelhas na faringe), hiperemia de véu palatino (vermelhidão em faixa no fundo do céu da boca), sensação de ouvido tampado, agulhada no ouvido em episódios isolados.

São uma série de sintomas leves que incomodam muito, que evolui e se resolve por si mesmo.

Nesta fase o melhor é resguardo, hidratação, sucos naturais ricos em vitamina C como acerola, caju, etc..

Deve-se evitar tomar muita medicação para não atrapalhar a cura e muito menos usar corticosteroides e “antibióticos”.

AJUDANDO O CORPO NA SUPERAÇÃO DAS PEQUENAS PATOLOGIAS DE INVERNO

Pode-se ajudar o corpo com a Homeopatia conforme os sintomas e sinais mais predominantes. 

Nariz correndo fino, espirros, pouca febre, um pouco de tosse seca e o característico mal estar, pode ser medicado com Allium sativum 6CH  4 gotas em água de 2/2horas por dois dias e mais dois dias de 4/4 horas.

Se o nariz corre fino, pouca febre, um pouco de tosse seca e mal, espirros e um lacrimejamento intenso, então a medicação é o Allium cepa 6CH tomado da mesma forma que o anterior.

Se o quadro agudo tem como característica muitos espirros, que chamam a atenção,  então a medicação será a Sabadilla 6H.

Mas se o que caracteriza entre os sintomas for a Tosse Seca, então vale a pena tomar Drosera rotundifolia  6CH 4gotas em água de 4/4h por uns 3-5 dias.

Mas se a tosse for Rouca, com ou sem rouquidão então pode se tomar a Spongia tosta, 4 gotas em água de 4/4 horas por 3-5 dias.

As vezes, depois de uma exposição ao frio, como nas noites de festa Junina, aparecer uma dor de garganta sem pus e  ela fica vermelha e doe, com febre baixa pode-se medicar com Ferrum phosphoriucum 6CH, 4 gotas em água de 2/2horas por dois dias e depois mais dois de 4/4horas. Mas aqui cuidad, porque se a pessoa estiver com Amigdalite Purulenta é melhor ver o médico.

E as dores de ouvido?
Procure sempre um médico, assim como nas amigdalites purulentas.

Também não é incomum aparecer uma irritação dos olhos no frio. Eles ficam vermelhos incomodam e coçam, então, pode-se tomar Euphrasia 6CH de 4/4 horas por 3 dias. Se houver pus, também procure um médico.

Quando aparece uma febre e ainda não sabemos o que vai acontecer pode se medicar com Belladona 6CH de 2/2h por dois dias. Após dois dias a febre deve cair e se não cair procure um médico.

Não tentem tratar as complicações caso venham, como Amigdalites Purulentas, Sinusites com pus, Otites, Bronquites purulentas com febre  porque envolve um risco á vida do doente. 

O profissional da saúde, o médico, é a pessoa mais preparada para este fim.

Um ponto importante também é não misturar medicação porque pode ser desastroso. Pode gerar sintomas novos, confundir o quadro e quando um médico for examinar o doente tudo estará muito caótico dificultando sua ação.

Na Homeopatia, não interessa quantos medicamentos se toma e nem a quantidade, apenas que SEMPRE as doses sejam adequadas e que seja SEMPRE um único medicamento apenas.

Nas gripes, devido o envolvimento ser sistêmico, mais grave e mais ameaçador é bom tratar através de um médico.

A mistura de medicamentos Homeopáticos e Alopático pode gerar uma idiossincrasia, ( sintomas estranhos inesperados) e pode até agravar o que era simples.   

Portanto vamos ajudar a recuperação de nosso corpo com racionalidade, respeitando os cuidados gerais, dando apenas um medicamento e pelo tempo INDISPENSÁVEL apenas para ajudar o corpo a vencer o mal.

Não vamos curar com medicamentos, o próprio organismo que o fará.


Se não puder ajudar não atrapalhe o seu corpo a se resolver!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

A SAÚDE, A DOENÇA E A MORTE


Não me atrevo aqui discutir se podemos ou não ser imortais.
O fato é que duramos certo tempo e morremos.
Muitos sofrem intensamente antes de morrer por doenças e limitações mórbidas humilhantes.
São pessoas que fizeram carreira numa doença crônica que, evoluindo, lhe consumiram tudo o que tinham de digno, diante da definição de um ser humano, ou morrem repentinamente apesar de tratamentos bem adequados, depois de uma vida abreviada pela evolução da enfermidade.
Uma vida assim sem qualidade seguiu até ser decepada pela morte repentina.
Outros, ao contrário, as limitações que experimentam são os impostos pela idade, andam mais devagar, a postura se altera, a capacidade vital diminui, mas vivem uma vida plena e satisfatória, com realizações adequadas para sua idade, seu sexo e seu tempo.
E quando morrem ou vão morrer, são conscientes do seu fim, estão prontos para isso, nos avisam e vão devagar decrescendo nas suas atividades vitais até a morte, que é tranquila junto aos seus queridos.
É a assinatura de uma vida plena e feliz, onde a saúde se sobressai.
Tiveram, como todos nós temos, dificuldades diversas, mas foi capaz de supera-las e até crescer com elas.
Para uns é motivo de manifestar uma enfermidade, para eles é algo transitório a ser superado.
Fluem como um rio no seu leito.
E o rio também chega ao mar onde ele desaparece.
Quando doentes, sofrem as limitações de enfermidades físicas aniquilantes e que lhes custará a vida, depois de muito consumo de si mesmo pela doença.
É acabar, é ser liquidado por assim dizer.
Quando sadios, todo um processo se desenrola preparando-os para um fim não enfermiço, e tudo se esvai sem patologias, apenas uma máquina humana acaba se desligando e a viva cessa.
Fica muito difícil fazer um atestado de óbito porque não há uma enfermidade de base, não há uma doença fatal, não se tem um CID, Código Internacional da Doença, para se justificar.
Apenas tranquilamente encerra-se a vida.
É muito diferente para os parentes próximos assistir a morte de uma pessoa sadia e a de uma doente.
Numa há o finalizar uma vida onde o sofrimento muitas vezes é a saudade antecipada.
Na segunda, há quase que um horror, há uma penalização de quem acompanha, muito angustia e nos impressionamos com o que vemos. 

Fazem-nos a ficar com medo de passarmos pela mesma situação. Não é incomum ouvir-se que teme-se o sofrimento e não a morte.
Não tenho ainda muitos pacientes mortos dos que acompanho.
Tenho muitos longevos ativos e saudáveis, graças a Deus.
As duas pacientes que tive e que passaram pelo óbito foram descritas mais acima.
Eram duas senhoras muito ativas e felizes, que um dia “resolveram” morrer.
Lógico que não resolveram, mas perceberam seu fim e estavam prontas para seu fim.
Consolaram seus parentes amados, arrumaram tudo, e uma delas até piada fazia.
Ambas tiveram o seu final de forma digna, sem patologia, sem sofrimento.
É tão difícil de ver este fato que não concebemos como uma pessoa pode morrer sem estar doente.
Para a maioria morremos porque um dia enfermamos, agravamos e daí sim, com o corpo castigado, extenuado vem o fim.
Mas os saudáveis também morrem, mais dignamente é lógico, mas também vão ter um fim em certo dia. 
 A Homeopatia permite que as pessoas tenham a oportunidade de enfrentar o encerrar de suas vidas de forma saudável. Permite que, no epílogo de suas vidas, vivam com dignidade. 
Em uma reciclagem médica recente vi estudos que remetem a certas substâncias que prometem uma velhice sem patologias.
O ponto crucial do estudo é que o idoso não apresente nenhuma enfermidade ou pequenos acidentes e que possam como um todo manter-se equilibrados.
Até o termo homeopático “tratar o homem como um todo” pode ser notado durante a exposição do tratado.
Quando o indivíduo esta doente é o todo quem esta doente.
E é bem isso.
Tratamos a pessoa como um todo, eliminando a doença dinâmica que gera várias patologias, e depois a mantemos sadia como um todo, até que sua vida venha ao seu fim e possa morrer de forma saudável sem sofrimentos.
Não entendo a imortalidade, mas também não entendo viver sofrendo e as mortes prematuras por doenças também. 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Supressão Mórbida



Quando se está em um tratamento Homeopático é comum ser advertido para não tratar uma erupção da pele que possa aparecer.

Perguntamos o porquê e recebemos como uma resposta que é para não causar uma supressão mórbida e poder causar com isso uma metástase mórbida.  

Dizem, vulgarmente, que é para a doença não entrar no organismo.

Nossos pacientes diante disso respondem:

- Ahh, tá.

Ficam no ar, e imediatamente recebem a informação que podem agravar tudo e até morrer.

Vamos ver como isso realmente é, em poucas palavras assertivas que deixem isso claro.

METÁSTASE MÓRBIDA UM FATO NATURAL

Todos os clínicos já observaram muitas vezes um fenômeno que acontece em alguns enfermos que é a mudança de uma patologia de um local para o outro.

O exemplo mais comum disso é, por exemplo, quando uma pessoa tem uma infecção de garganta, e melhorando aparece com uma infecção urinária, uma pielonefrite, doença infecciosa do rim.

Há muitos e muitos casos parecidos, às vezes sofisticados, que mostram que um transtorno mórbido pode aparecer em outro local, como consequência da supressão do primeiro, como uma complicação ou por uma evolução ruim de um tratamento.

Não é incomum, embora não frequente que ao tratar alguns reumatismos articulares desenvolva uma endocardite, inflamação da mucosa do coração enquanto observamos uma melhora da artrite reumatismal.

Se formos estudar bem as metástases mórbidas veremos que são muito mais frequentes do que acreditamos, e comumente levam o nome de complicações, recaídas e as vezes até de um novo mal.

Com a observação clínica cuidadosa da para se definir estes quadros metastáticos e ao observa-los aprende-se a contornar certas atitudes médicas supressivas para evitar desencadear uma metástase mórbida em quem tratamos, algumas vezes letais.

É fato que uma moléstia possa involuir e logo em seguida aparecer outra manifestação à distância do órgão da primeira manifestação.

Muitas vezes mesmo, observa-se até uma alternância de sintomas ou afecções em órgãos distintos.

Quando a metástase se produz na psique fica muito mais difícil de avaliar, principalmente quando o observador não tiver sido treinado com uma visão mais clínica e sistêmica do organismo.

METÁSTASE MÓRBIDA  PROVOCADA

Assim como as metástases naturais há outras que são provocadas por atos médicos e demais atitudes com intensão de curar.     


Ninguém na verdade quer que isso ocorra.

O alérgico é o exemplo típico deste acidente.   

Vou contar um caso que aconteceu com um garotinho.

Ele tinha crises de Asma com muitos chiados, algumas internações, um quadro persistente e com crises de broncoespasmo  progressivamente piores.

Começamos o tratamento e logo ele passou a respirar melhor e as crises sumiram.

Um tempo depois, começou a apresentar uma dermatite nas dobras do joelho e cotovelo, as pontas dos dedos secaram e apareceram fissuras pequenas.

A mãe ficou desesperada, queria que eu tratasse imediatamente as lesões da pele e, por mais que explicasse, não conseguia entender que era um momento da cura e se fizéssemos algo poderia ser ruim para o garoto.

Resolveu então ir a um colega para fazer exames pelo menos, porque não podia tolerar aquelas lesões na pele do garotinho. 

Fizeram exames e nada digno de nota se observou e o colega prescreveu um tratamento  para a pele.

Um tempo depois ela resolve ir ao consultório novamente para que eu curasse a asma do filho que tinha voltado e muito mais intensa desta vez.

- Mas se eu medicar vai voltar a lesão da pele – falo apontando para o cotovelo do garoto. Eu ficara sabendo que ela havia tratado a pele de seu filho.

- Mas não da para tratar os dois? – me pergunta

- Não da, porque quando tratamos um doente o fazemos tratando o indivíduo como um todo  e não na Asma ou o Eczema. Tratamos aquilo que leva a criança a enfermar. Nós tentamos retirar a interferência que altera sua dinâmica vital que o faz ficar doente. O corpo , muitas vezes, superficializa a tensão mórbida como pequenas patologia de pele e fâneros, unhas, cabelo, etc. quando não desenvolve exonerações como diarreia , transpiração e urina alterada.

- Então faça aparecer outra coisa no lugar da pele – me interrompe.

É muito comum a preocupação com aparência ser mais preocupante para seus parentes que uma doença mais grave.

Mas me esforço em explicar-lhe como isso funciona, até que me diz:

- Então fui eu a culpada por ter voltado a asma dele?


- Vamos dizer que a questão não é culpa, mas a senhora com o tratamento da pele impediu que o corpo organizasse o processo de cura. Se tivesse deixado a cura seguir seu curso no final não haveria mais a susceptibilidade mórbida, nem asma e nem eczema, e seu filho estaria realmente sadio,  não teria mais limitações devido a qualquer doença – explico-lhe. 
Parece que a ideia de que a volta dos sintomas  tinham sido provocado pela supressão mórbida devido ao tratamento aplicado na pele, a convenceu a deixar o tratamento fluir mesmo com essa fase de erupções na pele.

Como havia dito a ela, o garoto se cura, não sem antes da erupção reaparecer e ficar por lá até que desapareceram por completo.

O garoto nunca mais sofreu com a asma, eczema e até gripes ficou difícil dele ter.

Cresceu, e hoje é um homem homem e sadio.

Recentemente atendo o filhinho do seu irmão que apresenta uma Bronquite Asmática, mais leve a que ele teve e descubro que seu irmão apresentou uma renite alérgica na adolescência. Estes quadros alérgicos são de natureza familiar.

Muitas vezes um tratamento supressivo pode provocar uma metástase mórbida, e tornar o doente pior do que quando com a enfermidade suprimida.

Uma história clínica bem tirada pode mostrar esse fato. 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015


FITOTERAPIA  

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Por ser Homeopata, muitos me perguntam se certos fitoterápicos são realmente bons para curar algumas situações mórbidas, ou mesmo até sintomas, e para tratar certas enfermidades.

Na verdade, a Homeopatia e a Fitoterapia são terapêuticas distintas. 

Por desconhecimento, pessoas confundem as terapias, tendo em mente serem “naturais”.

Até há pouco tempo achava-se que Homeopatia era o tratamento com vegetais, chá, unguentos, etc.

A fitoterapia, na verdade, é um tratamento com plantas, partes delas ou substâncias extraídas delas, a planta inteira, mas é uma Alopatia.

Na alopatia você pode usar qualquer tipo de medicamento seja natural, semi sintético ou sintético, cujo uso não corresponde ao mecanismo orgânico de enfermar.

UM COSTUME COMUM


É do brasileiro, porque são as pessoas a quem trato normalmente, procurar porquês na medicina, procurar medicamentos para fins diversos, e sempre pedem para um médico na rua, na festa, no ônibus, em fim, em qualquer lugar, um remedinho bom para isto ou aquilo.

Este costume faz com que eles estejam muito vulneráveis a ação da mídia, quando ela faz “marketing” de assuntos médicos.

Normalmente são assuntos escritos ou apresentados de forma que a pessoa que assiste conclua uma inverdade embora eles apenas afirmem um princípio, enquanto o espectador conclui algo diferente, e é o que o remete ao consumo.

Para mim isto deveria ser proibido, e informações médicas num geral deveriam ser rigorosamente restringidas à educação médica e não a informações levianas e, as vezes, distorcidas de uma realidade baseada num fato médico-científico que lhe camufla uma intenção “marqueteira”.

Vou pegar um exemplo simples, uma informação que roda entre as pessoas:
  - Vitamina A faz bem para os olhos.
  - A verdade seria que numa carência de vitamina A aparecerá, como um dos sintomas da Avitaminose A, a cegueira noturna (Xeroftalmia). 



Nesses casos o tratamento é a reposição da vitamina A (Isopatia) para resolver o quadro sintomático carencial.

Então, a cegueira noturna desaparece junto a tantos outros sintomas da carência de vitamina A.

Daí  a afirmação de que a vitamina A faz bem para os olhos.

Da mesma forma há afirmações tantas na mídia que, dependendo da maneira de escrever, faz o indivíduo concluir uma série de inverdades, e não que tenham mentido ou mostrem ter inculcado algo não verdadeiro.

A culpa toda é de quem leu, simplesmente assim.

Somos um povo e devemos nos repeitar como membros dele, da mesma forma que devemos nos respeitar como uma individualidade.

ESTUDO SÉRIO


Desde há muito tentamos desenvolver um método de estudo que possa nos trazer conhecimento para desenvolver tecnologia, dominar algo ou resolver problemas.

Foi-se desenvolvendo técnicas de estudos, agregando resultados até chegarmos ao Método de Estudo Científico que usamos para trazermos informações seguras na atualidade.

Mas ainda “brotam” conhecimentos sem o lastro deste estudo, que hoje é o mais seguro para estudar qualquer fato observável.

É desse “brotar” que muitas vezes colhemos males graves, fruto da ignorância. 

Uma senhora portadora de Osteoartrite, a conhecida artrose, que tinha dores crônicas recebeu a informação de que a semente de Sucupira, uma árvore muito bonita por sinal, era ótimo para o reumatismo e tirava as dores com as mãos, e não fazia mal por ser natural.

A semente de Sucupira é um anti-inflamatório natural muito bom , porém a dose tóxica esta muito perto da dose terapêutica o que impõe muito cuidado no uso de tal medicamento.

Como o medicamento não fez o efeito desejado foi-lhe sugerido para que dobrasse a dose, e ela consentiu porque acreditou que por ser natural  não faria mal nenhum.

É lamentável ver um mal maior aparecer em um indivíduo que poderia ter confiado em informações seguras geradas por estudos sérios e poupar assim de sofrimentos evitáveis.

O médico é o profissional que deve usar essas informações adquiridas pelo Método de 
Estudo Científico, cuja ação foi confirmado e prevista através de ensaios farmacológicos, e para as patologias foi formulado uma proposta terapêutica eficaz.

O FITOTERÁTICO

Fitoterapia é uma parte da terapêutica que usa plantas e sementes in natura para tratar as pessoas, e tem seu valor na terapêutica.

Muitos vegetais serviram de base para desenvolver medicamentos maravilhosos como a Digitalis purpurea que possibilitou a existência de cardio tônicos (remédios que aumentam a força do coração), que já salvou e prolongou a vida em condições melhores de pacientes com Insuficiência Cardíaca (coração fraco).

Foram necessários muitos estudos, ensaios e pesquisas até chegarmos aos cardiotônicos, que usamos com segurança hoje, e que são conhecidos como Digitálicos. 

Assim também o foi com a Strycnos nux vomica, que originou os antiespasmódicos; o Pavot soporífero, o Opium, de onde saíram grandes analgésicos, a Artropa belladona de onde saíram medicamentos valiosos,  sendo o mais comum a Atropina, e muitos outros tantos.

Mas, tudo depende de um estudo sério para que eles possam ser usados como medicamentos, uma vez que, em sua grande maioria, são venenos para o organismo.

Conhecendo-se bem uma planta pode-se fazer uso de suas propriedades medicinais com segurança, dependendo para isso de um conhecimento científico e sério.

Na Alemanha são consumidas anualmente 500 toneladas da Matricaria recutita (Camomila), que cresce espontaneamente em toda a Alemanha como erva daninha.

CONCLUSÃO


Dentro da alopatia a Fitoterapia tem seu valor indiscutível, embora ainda seja objeto de estudo e confirmações.

Porém se um mal crônico lhe aflige não se limite a apenas tratar seus sintomas, a palia-lo, procure um profissional que o estude e lhe de uma proposta terapêutica eficaz para cura-la, limitar o mal ou aliviar seus sintomas na medida do possível.

Tome cuidado para não cair no consumo médico, hábito lamentável que custa muito a milhares hoje em dia.



quinta-feira, 19 de novembro de 2015

       MIASMAS



   Em Homeopatia se fala com frequência na expressão MIASMA, crônico e agudo.

   
  Essa expressão é de fundamental importância para o tratamento do homem como um todo, no objetivo de acabar de vez com a patologia, tratando a doença crônica dinâmica.

    Quando adoecemos o que vemos é o efeito físico de uma doença crônica que existe muito antes dos sintomas e sinais comporem uma unidade a que chamamos enfermidade.

   E se não apresentamos nenhum sintoma ou sinal de uma patologia ainda, não é porque estamos saudáveis, senão que já somos doentes dinâmicos e seus sintomas podem ser encontrados se pesquisar com cuidado e método.

OS SINTOMAS


   Quando estamos ainda sem a patologia clínica, facilmente evidenciada na consulta médica e até por leigos, apresentamos mudanças no comportamento de todo o nosso organismo gerando sintomas, que passam despercebidos e que são de muita importância para o reconhecimento da doença crônica, provocado pelo Miasma.

   Apenas se realmente estivermos saudáveis é que poderemos não apresentar nenhum desses sintomas que, na Homeopatia, chamamos de”Sintomas Dinâmicos Miasmáticos”.

   Por exemplo, uma criança esta bem, come , brinca, dorme de forma saudável, apenas nos mostra uma curiosidade que na mudança de tempo ela se resfria e tem febre e sintomas compatíveis com as Infecções das Vias Aéreas Altas.

   O que acontece, realmente, com essa criança que mostra-se aparentemente saudável?

   Não se adapta, na mudança de tempo não consegue se adaptar as mudanças climáticas mostrando com isso as Infecções tidas como “Resfriado”.

  Mas pegando uma “Lupa Clínica” e observarmos de perto notarão que ela, independente de estar ou não com o resfriado, apresenta sintomas e sinais mostrando que o organismo não vem bem.

   E porque o organismo não esta bem é que ela não vai se adaptar ao meio em que vive e mostrar a suscetibilidade que pode leva-la ao “resfriado”, por exemplo.

   E o que a faz se alterar a ponto de não se adaptar, ficar susceptível e adoecer?

   O Miasma, e são os sintomas da alteração do sistema orgânico provocado por ele que procuramos e, através da Lei dos Semelhantes, vamos aplicar um tratamento segundo a técnica da Terapêutica homeopática.


  A criança aparentemente saudável apresenta como sintoma dessa alteração miasmática, em um exemplo, o medo do barulho e de pessoas vestidas de palhaço, papai Noel, transpira muito na cabeça, dormindo apenas, e com cheirinho azedo; desejo acentuado por ovo (de preferência cozido);  friorento e gordinho.

   Neste exemplo, estes sintomas não tem muito interesse clínico para o exercício médico tradicional, senão que nenhum, mas para um homeopata ele mostra uma alteração do organismo por ação de uma doença dinâmica, o Miasma, que o alterando vai gerar a susceptibilidade a adoecer.

   Outros fatores serão externos ou da estrutura como seus órgãos ou sistemas vulneráveis mais as condições do meio em que vive.

O MIASMA


   Podemos então montar uma imagem assim.

   Quando adquirimos nossa doença dinâmica, e nosso organismo não conseguiu evita-la, sofremos uma alteração no organismo todo.

  Na verdade, o que alterou foi a estrutura de controle que nos faz ser uma unidade perfeita, mesmo sendo formado por partes e células.

   Diante disso, nosso sistema orgânico mostra-se incapaz de se adaptar plenamente na inteiração como universo, e disso decorre a não adaptação e seu cortejo de problemas que chegará até a enfermidade como conhecemos.

 O Homeopata estuda esse estado de alteração para provocar uma resposta recuperadora, uma vez que o sistema não consegue perceber a contento o mal que lhe aflige.

   O Miasma é a interferência que muda a capacidade de interagir com o meio, interfere no controle tornando-o susceptível ao universo.

   Se temos uma gastrite crônica o queremos saber é como o sistema falhou a ponto de gerar a gastrite e o porquê ele falha e qual a “cara” daquilo que interferiu para provocar as alterações a jusante.

UM EXEMPLO


   Tive um Caso de Bronquite Crônica em que o paciente, um menino de 10 anos, passava o maior tempo do dia com chiados audíveis a distancia. Intercalavas dias com broncoespasmo intenso que o obrigava a ir a um pronto atendimento para tomar medicações injetáveis e inalações. Fazia uso crônico de medicações para controlar o mal e o resultado era insatisfatório a ponto da mãe vir me procurar para uma solução. 

   Examino-o por completo e apesar de muitos sintomas apontarem para um padrão de alteração, encontro três sintomas que me mostravam outra coisa, uma complicação do miasma fundamental, e que hoje consideramos outro miasma.

    Eu tinha que decidir pelo evidente ou pelo quase oculto sinal de que um miasma.
Uma vez observado, sabia o que tinha que fazer, desconsiderei a patologia em sua visão ampla e prescrevi para debelar o miasma que se mostrava com poucos sinais objetivos.

   O medicamento prescrito não tinha em sua descrição patogenética nada da bronquite crônica, alias pouquíssimos sintomas pulmonares.

    A resposta foi estupenda!

    Não só desapareceu a Bronquite Crônica como que milagre, depois de uma exoneração catarral que durou dois dias, como o garoto mostrou uma mudança enorme no comportamento, e o seu desenvolvimento, tanto social como escolar, se magnificou.

   Tratei o Miasma e não a doença que víamos como uma entidade nosológica crônica, e sumindo a causa some a enfermidade.

   O garoto hoje é um homem de sucesso profissional, casado com dois filhos pequenos e saudáveis que tenho a grata satisfação de acompanhar.

   A Bronquite como expressão de um Miasma crônica que lhe causava tal discrasia desapareceu e em seu lugar não restou nada alem de saúde.

   O Miasma como sendo a influência mórbida primeira, que cria as condições para o desenvolvimento dos males humanos  só pode ser considerada como a verdadeira Enfermidade do ser humano.

   A resolução dela é a solução para se conquistar a saúde plena.