terça-feira, 3 de novembro de 2015

UM EXEMPLO DA HOMEOPATIA EM UM CASO CRÔNICO GRAVE


Endereçaram-me algumas perguntas relativa ao assunto da matéria anterior.
Perguntavam-me se a atuação na Homeopatia era realmente suficiente nos quadros graves, e se eu poderia dar algum exemplo real.
O que é realmente suficiente num caso grave?
Todo ato médico que o paciente precisa para se manter vivo e se curar é o suficiente.
Nesses casos, a atuação do médico deve ser precisa e a avaliação do paciente deve ser a mais rigorosa possível.
Vou contar um caso, didático a meu ver, que mostra a atuação da Homeopatia por um ângulo não muito visto hoje em dia.

A SENHORA X 

Senhora X era uma senhora muito alegre, tinha 68 anos de vida, e mostrava muito mais devido a uma vida difícil que tivera.
Era mãe de sete filhos, e era muito querida por seus parentes, principalmente por um neto que lhe dava toda a atenção possível.
Era portadora de Cardiomegalia, coração grande, e Insuficiente, coração fraco. Vinha se tratando há anos, e a doença evoluía lentamente. Apresentava veias varicosas numerosas nas pernas.
Repirava mal e se cansava facilmente devido a Insuficiência cárdica.
Tinha em seu histórico várias internações pela cardiopatia, e já estivera na UTI na última vez e tivera alta hospitalar porque, no caso dela, os médicos diziam que não tinha mais o que fazer.
Ficava em casa sob os cuidados de seus familiares.

O CHAMADO

Numa tardinha, recebi um pedido de consulta domiciliar com urgência.
Fui para lá, e encontro a senhora X deitada, com cabeça alta em uns 45° ou mais, num quarto meio escuro e com algumas pessoas no quarto pequeno,  o que dava um aspecto ruim e pesado.
Ela respirava mal, tinha um tom cinza arroxeado, e olhava denotando muita ansiedade.
Apresento-me e sento em uma cadeira do lado do seu leito e tomo-lhe o pulso.
“Era o samba do criolo doido”. Era irregular, lento, fraco e pouco amplo. Falhava a cada três ou 5 batidas do coração.
De repente, ficava cheio e mais duro, e logo depois voltava ao rítimo inicial. Qualquer movimento o pulso disparava e a senhora X dizia que tinha a impressão de que o coração fosse parar.
A ausculta mostrava extrassístoles e uma plêiade de sinais da Insuficiência Cardíaca congestiva; apresentava muito edema de membros inferiores, região sacra, e mostrava a jugular cheia.
Os esforços eram quase impossíveis, mesmo andar, quando vinha uma canseira intensa e sentia-se muito fraca, principalmente de manhã.
Outro sintoma era os dedos adormecidos da mão, e o acordar subitamente a noite sentindo-se sufocada.
Logicamente os sintomas do mal, percebidos ao exame físico, que estavam presentes eram muito “floridos”, no tórax, abdomem, membros, pescoço, etc.
Fiquei a observa-la para ver além dos sintomas físicos o que poderia notar.
Vi um copo com algo esverdeado e pergunto o que era.
Informaram-me que ela pedia chás amargos que lhe davam prazer e lhe aliviavam.
Conversando com ela pude notar uma ansiedade pelo que viria a acontecer, achava que teria que se dar mais ao neto e a uma filha. Questionava-se o que aconteceria com eles se morresse. A ideia da morte lhe incomodava.
Conta-me também ter uma angustia a noitinha quando pensava com remorso em algumas coisas que tinha feito na vida.  
Para fazer o exame físico, no sentar-se, mover-se noto grande pesadez.

O MEDICAMENTO

Então entre todos os sintomas esperados do quadro físico, me pergunto qual me mostraria mais que a enfermidade física, por assim dizer,  e mais um pouco do doente para poder dar um “Simillimum”, o mais exato a doença dela.
Chego sem dúvida ao DESEJO POR AMARGOS, que no caso era um Key Note, a chave para entender o processo dinâmico doente.
Foi sem dúvida o meu sintoma diretor, outro sintoma que ajudou foi a sensação do coração parar, mais a situação ansiosa-angustiosa. O que, juntos, para mim tinha fechado o quadro facilmente.
Dei-lhe uma dose única de Digitalis purpurea 30CH, uma dose única longe de refeição, e pedi uns dez dia para nova consulta.

A NOVA CONSULTA

Em nove dias me ligam porque ela estava mal.

Vou, novamente a tardinha por coincidência.
Chegando lá tinha muitas pessoas na frente da casa, parecia festa, e assim que chego não tiram os olhos de mim.
Fiquei muito constrangido de ver aquelas pessoas ali me olhando, e ao passar abriam espaço.
Ouço alguns comentários: como é novo!, é ele?, achei que fosse careca... etc.
Entro e lá dentro não tinha muita gente, que alívio.
Logo me levam a um outro quarto.
Ela estava deitada e sorriu ao me ver, e disse um lindo:
- Oi doutor.
- Oi senhora X
E me contaram que ela estava com diarreia intensa há um dia e começou a ficar fraca e com câimbras. Tudo que punha na boca vomitava e hoje estava fraca.
Achei graça, porque pensei encontra-la morrendo da insuficiência cardíaca e ela estava com um quadro de vômito com diarreia aguda.
Pude notar estar ela desidratada, e vi que era a vez de usar a Isopatia, e prescrevi um soro por via oral, uma dieta adequada, e um medicamento homeopático para o quadro agudo.
Pergunto como ela estava e prontamente me respondem que vinha muito bem, que estava andando, comendo bem, conversava sem cansar e que até a cor tinha mudado.
Não vi isso naquele quadro com pouca luz, mas ela estava desidratada.
Saio e peço notícias se não evoluir como prognosticado por mim, e que a veria em 30 dias.

O RETORNO

Dentro desse mês eu tive que mudar de consultório, e pedi que avisassem a todos o clientes.
Como o pessoal da senhora X estava muito quieto pedi par que não ligassem porque achei que talvez eles estivessem sofrendo pelo luto.
Eu não a tinha visto melhor, e minha impressão era o da primeira consulta.
Passaram-se vinte dias de consultório novo quando me aparece para consulta a senhora X e sua filha, bravas por eu não ter avisado da mudança do consultório.
Ela tinha vindo andando, e estava já em atividades sem canseira, sem a cor horrível cianótica que tinha.
Avaliei-lhe, examinei e fiquei pasmo ao vê-la tão bem.
Lógico que o coração continuava grande e com extrassístoles, mas a função cardíaca tinha melhorado muito.
Evolui por mais duas vezes e ela ficou completamente bem e estável, voltando inclusive a sair para fazer compras, e acompanhar o neto em alguns passeios.
Não a vi mais por uns cinco anos.

A VOLTA

Novamente pedem-me uma consulta domiciliar para ela depois desse tempo todo.
Vou novamente, e chegando lá a encontro deitada, um pouco cianótica, com queixa de palpitações violentas com constrição no peito e muita falta de ar, acompanhada de falta de ar mesmo em repouso. Novamente esta de cabeceira alta.
Parecia o primeiro quadro.
O neto, ansioso, me pergunta o porquê sua avó faz barulho ao engolir, e pergunto como assim.
Ele vai a cabeceira, pega um pouco de água no copo e da para a avó tomar.
- TRUUK, TRUUK – pode se ouvir claramente.
- Esse barulho. Desde que ficou mal faz esse barulho para engolir líquidos ou sólidos.
Pronto é um dos sintomas que eu queria.
Repertorizo e dou-lhe uma dose de Hydrocyanicum acidum 30CH uma só dose.
Em dez dias me dizem que ela tinha voltado a ficar boa e peço que a levem no consultório então depois de vinte dias.
Depois disso não soube mais dela.
Três anos após, soube que ela tinha sido internada na UTI muito mal e morreu.

FIM 

Como ela tinha voltado a ficar boa não voltaram mais. É muito comum isso.
Esse quadro eu acho muito didático que nos mostrar como atua a Homeopatia em casos em que o tempo é muito importante devido a gravidade do caso.
Um dia, por acaso, encontrei o cardiologista que a havia acompanhado antes de mim.
Trocamos informações e ele ficou muito espantado com o que disse sobre ela e quis saber mais sobre a Homeopatia porque, como ele dizia, “parecia milagre”.

  

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

HOMEOPATIA PODE TRATAR TODAS AS DOENÇAS?


Vi várias matérias na “mídia” que tentam responder a esta pergunta.

Respondem a ela desde pós-doutorados até jornalistas curiosos, entusiastas e críticos.
Comum nos dias de hoje, a super especialização criou o hábito de se falar sem dizer, de se afirmar sem o saber suficiente, de informar sem acrescentar. Tudo é um jargão, ou uma afirmativa que pode ser interpretada conforme a ansiedade do leitor.
Então, vamos tentar deixar tudo isto um pouco mais claro, e se você, assim mesmo, se sentir confuso, bom, então falhei no meu objetivo.

VISÃO CLINICA E ESPECIALIZADA

A Medicina é ainda a velha Medicina.
Hipócrates deu a estrutura médica para que se desenvolvessem, no tempo, o método de curar as pessoas, de afastar a dor e limitar o mal, e  ainda, se possível, manter a saúde das pessoas.
Os séculos se incumbiram de desenvolver técnicas e acumular fatos e conhecimentos. Não precisa  dizer que se juntou muito conteúdo, conhecimentos em nome da Medicina.
Mas, apesar do grande conteúdo acrescentado no tempo,  o conhecimento prático manteve uma relativa ordem no corpo médico, seguindo o método de estudo vigente em cada período.
O profissional  médico foi se destacando no tempo ante a todo este conhecimento e tomando consciência do que era Saúde e Doença.  Sobre a maneira de curar, de inspecionar e até de como formar outro médico.
Quando se acumula conhecimentos comprovados e estudados, e se aprende as hipóteses mais prováveis, quando se conhece o que não é um fundamento de um fato, em fim quando se tem o conhecimento básico sobre o ser humano, sobre sua estrutura e função saudável, e, por outro lado também, em relação as patologia e suas mazelas como alteração do estado de saúde, dizemos que o indivíduo esta embasado a aprender Medicina.
Então esse pupilo vai a prática médica e vai aprender desde como ouvir e saber o que ouve, reconhecer o que é sintoma e os sinais da alteração mórbida, perceber os ruídos do humano doente, aprender a ver, tocar, cheirar, ouvir a doença com todo o seu cortejo.
Aprende como um sinal ou sintoma apareceu, desenvolveu, e como o estado de uma doente foi o “empilhar” de consequências de suas alterações da saúde.
Nesse caso então, começa a aparecer uma Médico.
Esse médico que consegue formular uma Hipótese Diagnóstica depois de uma consulta médica porque percebe e começa a entender a doença, a avaliar uma pessoa, é um Clinico.
Ele tem como ferramenta de trabalho o conhecimento médico amplo, limitado a sua capacidade de processar o volume de conhecimentos médicos, as técnicas médicas de estudo e interpretação  das enfermidades num doente, e acima de tudo consegue ter desenvolvido, e em desenvolvimento em sua vida prática, o RACIOCÍNIO MÉDICO proveniente da integração de todo o conhecimento médico. Além disso, sabe rapidamente buscar informações, através da Pesquisa Médica,  para o exercício profissional.
O médico clínico é exímio em fazer uma relação médico-paciente ser proveitosa, e geralmente ocupa a posição do elemento de apoio e orientação durante toda a doença.
Para um clinico não cabe a informação “humanizar” porque o seu ato médico é todo ele um ato humanizado.
Na visão especializada do profissional médico há uma sequência de atos protocolados, esperados e previstos. Há uma atitude protocolada.
Há um protocolo para se obter sintomas, pesquisar em exames, interpretar e tomar conduta que também é protocolada.
Dentro das superespecialidade isto é rotineiro e necessário devido às ações extremamente  complexas envolvidas.
Também o é esperado nas urgências e emergências porque torna a ação médica mais rápida, muito embora nas urgências o raciocínio consegue, de forma mais barata e rápida, ser mais eficaz. Muitas vezes a indicação da ação nestes casos é mesmo protocolar.
No âmbito da promoção e manutenção da saúde, área de atuação máxima do médico clínico, não cabe muitos protocolos porque a atuação tem por base o raciocínio livre, outra postura que não esta pode levar a erros que podem comprometer a saúde do indivíduo.
Então se você tiver um clínico e tiver que especializa-lo, será tarefa fácil, mas se ao contrario do que foi dito for “generalizar” um médico especialista vamos ter problemas e algumas vezes será quase impossível.
Há duas posturas e duas visões distintas.
Um clínico vê uma pessoa com sintomas e sinais que lhe causam limitação e sofrimento como decorrência da alteração da saúde por uma enfermidade.
O especialista vê, geralmente, uma doença que acomete um enfermo,  contra o que deve aplicar um protocolo de ação.
Ambos visam a mesma coisa, mas com posições diferentes.
No segundo caso há uma necessidade ética de se estimular a humanização do atendimento devido ao alto grau técnico envolvido.
No primeiro a ação do clínico é em si uma ação médica humanizada.

A HOMEOPATIA E SUA VISÃO CLÍNICA    


Bem, se formos verificar como trabalha um médico homeopata veremos um clínico em ação.
A Homeopatia é uma especialidade terapêutica eminentemente clínica. Poderia se dizer que é uma clínica de maior grandeza que um médico poderia praticar.
Para ser um Homeopata e ser efetivo como um bom profissional, antes de qualquer coisa, precisa ser um clínico bem formado. Precisa ter aprendido e sido treinado a ver como um clínico, cheirar como um clínico, ouvir como um clínico, e acima de tudo pensar como um clínico.
Na formação moderna, a formação básica para um clínico foi trocada pela da formação de um especialista. É reconhecidamente fácil de notar na medicina da escola americana. A escola europeia pelo menos até recentemente, era de cunho clínico.
Então se expusermos a Homeopatia a estudos por grupos de médicos com formação clínica  e outra de formação especializada notaremos posturas muito diversas, facilidade e dificuldades muito diversas.
É muito mais fácil para um clínico lidar com assuntos clínicos do que um especialista que se limita a áreas e patologias.
Não há melhor ou pior. Para cada nível de atuação há uma forma mais adequada de atuação.
Se numa cirurgia cardíaca de grande complexidade fôssemos empregar a clínica pura, certamente não haveria técnicas tamanha morosidade.
Por outro lado, se fôssemos levar um especialista a fazer clínica ampla, provavelmente levaria a pequenas confusões por falta da visão clínica no ato médico. Um exemplo é o déficit da vitamina D acidentalmente, uma lipossolúvel, em dieta contra gordura aos se pensar no colesterol.
A dificuldade da uniformidade entre homeopatas se da justamente devido a falta de formação clinica ou a insuficiência dela.

VOLTANDO AO TEMA

A visão de doença e doente tem uma conotação um pouco diferente entre médicos clínicos e especialistas.
Se levar isto para a Homeopatia a coisa fica um pouco mais complicado, por ser ela muito mais abrangente que a visão tradicional de doença.
A Homeopatia vê aquilo a que chamamos de doença como apenas a exteriorização de uma enfermidade dinâmica, ativa, preexistente, que se desenvolvia muito tempo antes de ser detectada fisicamente.
Quando vemos as enfermidades de forma super-distendida vemos síndromes. A Homeopatia vai além, porque estuda os eventos desde sua origem, define a origem e lhe propõe um tratamento.
Ela, a terapêutica homeopática, implica em ampliar o horizonte clínico para além dos limites do tradicional, porém não desconhecido.
Hipócrates já lhe enunciava o princípio na sistematização médica.
Na visão tradicional, não apenas na especializada, também vemos síndromes, porém num contexto muito mais limitado.
É deste ponto que começa a confusão quando dentro de uma modalidade se quer comparar a abrangência da outra, a eficiência e fazer trabalhos paralelos sob o ponto de vista de uma preponderantemente.
Não há paralelos, uma engloba a outra.
Se colocar o conteúdo do tradicional, por assim dizer, dentro da Homeopatia  ver-se-ha que não se muda o conteúdo, porque uma segue outra, uma generaliza outra particulariza.
Mas se inverter, tentar se colocar a Homeopatia dentro da tradicional não haverá espaço natural para ela.
Temos que lembrar que Hahnemann nada mais era que um médico doutorado, e com a visão de médico clínico que era entendeu como aplicar a Homeopatia de Hipócrates.
Sendo a medicina uma só, logicamente este fato existe, não por ser melhor ou maior a Homeopatia, mas por que parte-se do geral para particularização.

COMPARANDO PATOLOGIAS

Então quando queremos saber se Homeopatia cura ou não uma doença precisamos acima de tudo ver quais sintomas tomamos para se dizer que tal ou qual patologia foi curada.
Senão corre-se o risco de afirmar ou negar falsamente, não esquecendo que a nomenclatura de um estado patológico é conceitual e natural.
Um exemplo: Uma certa vez atendi um paciente que veio como a historia de Úlcera Péptica Duodenal tratada e curada, e que os sintomas voltavam.  
Sim, depois do tratamento os sintomas dispépticos tinham desaparecido mas a doença continuava ativa produzindo uma infinidade de mudança no indivíduo, mostrando ter afetado a adaptação do mesmo no universo em que vive, e disso a tesão mórbida que o estressou, causou uma hiperacidez gástrica, e diante de uma  predisposição ulcerosa fez a patologia Úlcera Péptica Duodenal.
Vi um caso de Arritmia cardíaca tratado com melhoras e com reincidência de tempos em tempos. Depois de um estudo vejo uma ansiedade de consciência ligada remordimento por remorso, com base religiosa. A ansiedade angustiosa lhe levava a um Vagotonismo, que também trazia sintomas gástricos e intestinais e alteração da salivação e gosto na boca.
Tratado e resolvida a ansiedade de consciência nunca mais teve o Vagotonismo e nem as arritmias, e me disseram a Homeopatia curou a arritmia cardíaca.
A Homeopatia tratou  Arritmia, a Ansiedade de consciência, os outros diversos  sintomas que vinham juntos, ou o doente?

O QUE A HOMEOPATIA DEVERAS CURA

Com o que já falamos, fica fácil pensar que há coisas muito diferentes, embora não sejam tanto assim por ser a mesma Medicina.
É como para onde se olha que muda o aspecto do observado.
Como disse clinicamente partimos do geral, e para Homeopatia ser mais ampla, começamos com uma visão deveras ampla.
No caso da arritimia o Cardiologista fez o papel dele, ouviu a arritmia, anotou os sintomas que  causavam no doente, fez um eletrocardiograma, e diversos estudos e a medicou.
Eu vi os sintoma outros do Vagotonismo além dos sintomas objetivos da Arritmia, perscrutei a esfera psíquica, porque o facies, a mascara do paciente, denunciava ansiedade e sofrimento, e cheguei na ansiedade de consciência depois de uma observação clínica cuidadosa.
Tratei o paciente como um todo e tudo foi se resolvendo, até a arritmia.
Como então dizer o que trata ou não na Homeopatia?

HOMEOPATIA PODE TRATAR TODAS AS DOENÇAS?

A resposta correta seria: sim a Homeopatia trata todas as doenças tratáveis por ela.
Parece brincadeira mas não é.
No que se refere a como a doença apareceu, se resultado da ação de “ENFERMIDADE DINÂMICA CRÔNICA OU AGUDA” sim todas praticamente. A limitação fica por conta do paciente, do  médico  e do medicamento .
As doença podem ser resultado de alterações genética, Síndrome de Down por exemplo; como ação contra  certos elementos nocivos ao corpo, como uma Asma desenvolvida por uma paciente a menores concentrações e uma substancia química chamada de TDI. Como reação a ação de certos venenos, picadas de peçonhentos etc.
Porém a grande gama de doenças agudas e crônicas são causadas por doenças dinâmicas que alterando o indivíduo comprometem a reação de adaptação do organismo ao universo obrigando a se “improvisar” e isto gera a tensa mórbida ou Suscetibilidade mórbida.
É a grande maioria das doenças, realmente.
Nas outras podemos ajudar muito, mas cura só prometemos nas doenças crônicas e agudas.
Fica difícil dizer se a Homeopatia cura isto ou aquilo porque na verdade o que tratamos é aquilo que os faz ficar doentes.
Mas generalizando, cura gastrite? Sim, cura, porque a maioria das doenças é resultado da ação da doença crônica dinâmica, e assim vai.
É difícil, e até mesmo impossível querer comparar as terapêuticas com seu modo de atuar.
Se é difícil ajustar a ação do clínico com o especialista imagina então do Homeopata para o especialista.
A Homeopatia é extremamente eficaz contra as doenças crônicas num geral, sendo sua quase especialidade, mas nela cada caso é um caso e a resposta é sempre individual.
Como clinico digo que, de todas as terapêuticas existentes, a Homeopatia é muito eficaz e as vezes sua ação é determinante para  a sobrevida de um cliente[1].
Nos casos incuráveis para Homeopatia conseguimos melhorar o perfil deste doente. São casos raros, mas existem.
Nos quadros agudos ela é mais rápida e eficaz porém, por não ser paliativa os sintomas levam mais tempo para desaparecer.
Por exemplo, se eu tiver um quadro de amigdalite aguda purulenta e usar a Homeopatia curará, sem antibióticos, entre horas a três dias. Porém a febre ficará até a debelação  da infecção (mais ou menos dois dias), a dor até o fim da inflamação, mas subitamente o paciente melhora e esta pronto para exercer suas atividades.
Nos quadros graves, como na septicemia que fui chamado para dar apoio em uma UTI,  quando a antibioticoterapia falhou, a cura veio entre um a dois dias chamando a atenção dos colegas.
No  Brasil a Medicina lembra a produção de automóveis, e por outro lado, os nossos pacientes querem muitos exames e imediatismo e avaliam muito mal o que se ganha com a cura. Na verdade nem perguntam disso.
Fica então mais difícil se falar em tratamentos para cura, ainda mais que a cultura do é bom para isto ou para aquilo atrapalha qualquer um entender o que vem no cerne da ação pra se atingir aquilo a que chamamos de saúde.
Antes era comum, na sua simplicidade de ser brasileiro, pedir um remedinho bom para..., eram pessoas com baixa escolaridade de uma simplicidade bela e espontânea.
Hoje pessoas com nível universitário, doutorados, os “aculturados do século XXI” me pedem um remedinho nas esquinas da vida, como se tudo fosse excessivamente simples.
O preço é que damos o tal remedinho despretensioso e ele não funciona e disso decorre que a Homeopatia não funciona ou não cura, o pior que eu não presto, sou um mal médico.
 Mas, se falando seriamente, a terapêutica médica homeopática, não só enriquece a clínica como é muito efetiva no tratar as pessoas e dão um apoio extraordinário na manutenção da saúde e na sua promoção.
Não cabe hoje fazer afirmações especulativas sem verificar a fundo a questão. Na sua  maioria, as pessoas possuem uma visão distorcida da medicina e de seus assuntos.

CONCLUSÃO

Sim, a Homeopatia pode tratar todas as doenças tratáveis pelo método homeopático, assim como a Alopatia pode tratar todas as doenças tratáveis por ela.
O que dificulta a resposta é exatamente querer fazer um paralelo entre as terapêuticas para medir eficiência, porque a atuação depende da proposta de cada uma delas.
O enfoque muda de uma para outra.
Por exemplo, tratar uma gripe para Homeopatia é entrar com uma medicação que através de sua ação resolvamos a infecção viral, e não só tirar sintomas, ou manter os cuidados vitais.
No caso de um Hipertenso a Homeopatia verá um doente que desenvolveu um quadro de  hipertensão arterial. 
Para a Alopatia há um a doença Hipertensão Arterial Sistêmica a ser tratada.
Para Homeopatia deve-se tratar o doente se quisermos que ele não tenha qualquer enfermidade crônica ou aguda, seja ela Hipertensão arterial ou gripe, ou qualquer outra.
Já para a Alopatia, trataremos o paciente hipertenso para baixar os níveis pressóricos sanguíneos.
Não há certo ou errado, há posturas que caracterizam uma e outra terapêutica.
Há apenas uma medicina, isto tem que ficar claro,  e aqui falamos da  comparação de duas terapêuticas com intuito de verificar quem cura o que, duas dentro das cinco formas terapêuticas tradicionais na medicina.



[1] Logicamente falamos da Homeopatia aplicada respeitando os seus quatros princípios e suas leis que organizam a terapêutica.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015


A MEDICAÇÃO - CUIDADOS 


O medicamento homeopático é manipulado usando qualquer matéria – aliás, são venenos em sua grande maioria.

Essas substâncias são capazes de produzir profundas alterações no nosso organismo e podem até levar à morte. Devido a essa capacidade de alterar nosso organismo, são usadas como medicamentos.

São vegetais, minerais, venenos de animais peçonhentos, produtos sintéticos, etc.

Vêm dos reinos vegetal, mineral e animal, além de matéria produzidas por uma doença, ou parte de um órgão doente de planta ou animal, e mesmo do homem.

São a matéria-prima dos medicamentos, através dos quais poderemos desenvolver nosso medicamento homeopático.

Porém, quando passam pelo procedimento de manipulação para se elaborar o medicamento homeopático, a dinamização homeopática, ganham uma capacidade de alterar o organismo sadio muito maior do que quando ainda eram matéria-prima. Nas experimentações homeopáticas, temos medicamentos que demonstraram mais de 12 mil sintomas, com suas variações peculiares, após essa “Dinamização”.



Isso deu origem a uma matéria médica (compêndio onde se tem descrito os medicamentos e suas características) muito rica.

Na elaboração do medicamento, ele vai perdendo matéria, através das diluições, e vai ganhando mais capacidade de produzir sintomas específicos e muito numerosos, que vão caracterizando um medicamento e o distinguindo de um outro.

Após essa diluição, ele sofrerá uns “sacolejos especiais”[i] que completarão a sua manipulação naquela faixa de diluição, o que denominamos de Dinamização.

Portanto, o medicamento pronto ou tem muito pouca matéria ou não a possui mais, porém, ainda mantém a capacidade de alterar o estado de saúde de um indivíduo são.

Mas, depois de sofrer uma dinamização, ele terá maior capacidade de gerar novos e mais individualizadores sintomas.

As Dinamizações


As dinamizações são descritas em decimais (D), centesimais (C) ou cincoentamilesimal (LM), quando forem diluídos por 10, 100 ou 50.000, respectivamente. Seguindo, virá em qual nível de diluição ele se encontra se 1, 2, 3 ...

A partir de um 9CH, através da química, sabemos que não haverá mais vestígios de matéria.[ii]

O que estarão trabalhando aqui são forças ainda não bem estudadas, mas que sabemos ser efetivas, baseados nas ciências atuais. Quando isso for estudado segundo critérios do Método de Estudo Cientifico, então teremos mais luz sobre esse ponto.

O medicamento assim obtido será descrito como um Medicamento Dinâmico, porque terá a capacidade de alterar a dinâmica vital de um organismo vivente.

Os Cuidados


Ele não terá matéria e será muito sensível ao ambiente, exigindo cuidados na armazenagem.

O fato é que o medicamento resultante é sensível a qualquer fonte de energia que incida sobre ele. Essa energia pode alterar o medicamento, o que não nos dará o estímulo que desejamos, e, por isso, a resposta do sistema não será efetiva contra o que desejamos tratar.

O medicamento deve ser guardado em um lugar seguro como aquele onde guardamos pratos, louças.

Deve ser tomado da maneira orientada pelo médico atendente, e não devemos mudar nada.


O Caso da Vovó


Certa vez atendi uma velhinha que tinha uma série de sintomas compatíveis com a doença crônica ativa, a doença dinâmica Psora, que lhe gerava alterações orgânicas muito desagradáveis, além de haver um risco iminente de ela enfrentar um acidente mórbido de grande magnitude.


Consultei-a e prescrevi um medicamento. No retorno, NADA...

Dediquei-me a reestudar o caso e, como não vi erro no diagnóstico e na conduta, comecei a verificar as condições que poderiam ser a causa desse horrível nada.

A farmácia era conhecida e idônea, não guardar o medicamento mais que um dia, comprar na tarde de um dia e tomar a dose no dia seguinte (mais que um dia ele já não funciona mais tão bem, isto com as doses únicas). Não comer nada logo após ter tomado a dose única, nem imediatamente antes, e guardar a meia hora necessária de jejum após o medicamento ter sido tomado pela manhã ao acordar. Não usar cânfora, que antidota a medicação, nem usar nenhum outro produto farmacêutico. Enfim, aqui, outro nada.

Mas por que não funcionou?

Perguntei novamente a ela:

- A senhora tem certeza de que não se esqueceu de tomar o medicamento no dia seguinte de comprá-lo, guardando mais que um dia?

Prontamente me respondeu, animada:

- Não doutor, tomei logo no dia seguinte. Para não esquecer, coloquei o medicamento em cima da TV enquanto assistia à minha novela.

Pronto, resolvido! Apesar de ter-lhe explicado que não poderia expor o medicamento a nenhuma fonte de energia, na preocupação de não esquecer, ela deixou sobre a TV, daquelas antigas, com tubo de imagem ainda, que emitia além de uma grande área de eletromagnetismo, Rx entre outros. Não funcionou mesmo!

Sua precaução de não esquecer se justificava porque essa era uma das queixas, o esquecimento.

Repetimos a dose, reforcei as orientações e então tivemos uma bela resposta, que até rejuvenesceu aquela senhora.

São muito importantes os cuidados que devemos ter com o medicamento. Mas não são tão complicados assim.








[i] Sucução



[ii] Diz a química que quando diluimos uma solução e chegamos a diluições acima do número descrito por Avogrado, 10-23, não teremos mais nada da matéria nessa diluição.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O MEDICAMENTO INDIVIDUALIZADO


Em um determinado dia, apareceu uma senhora que trazia o filho para uma consulta.
O menino estava agitado e, quando parado, dava pulinhos na cadeira. De repente, ficava agitado e saía da cadeira mexendo em tudo e não parando em nada, até que a mãe o pôs na cadeira de novo, quando começaram os pulinhos novamente. 

Achei muito estranho tudo aquilo e começamos a tirar a história da doença. A mãe tinha outro filho, foi a um homeopata que lhe prescreveu um medicamento que o acalmou, e ele passou a dormir bem.
Como o meu “clientezinho” não dormia bem, ela resolveu economizar uma consulta, e lhe deu “aquele remédio calmante” que o outro médico havia dado ao irmão.
Como não funcionou, sob a orientação de uma vizinha que tomava medicamentos homeopáticos prescritos repetidos, passou a repetir o medicamento, que foi produzindo aquele quadro que eu observava.
Tive vontade de rir, por me parecer cômica a ingenuidade da mãe, deixando o “Pulinho” daquele jeito.
Em outras palavras: na repetição de um medicamento, os sintomas vão aparecendo, e naquele caso esses eram os sintomas que nos mostrava[i].
Orientei-a, mostrei a necessidade individualizar o medicamento na Homeopatia para ele agir corretamente, além da necessidade de dá-lo adequadamente para que funcione bem e com segurança. Também disse a ela que não tínhamos calmantes ou coisas assim, que tratávamos aquilo que levava a criança a não se adaptar, a enfermar.
Em resumo: o que é bom para um caso certamente não o será outra pessoa, há a necessidade de darmos o medicamento que cada um precisa para se curar através de um tratamento homeopático funcional. 

Todo medicamento homeopático deve ser individualizado, o que somente conseguimos com uma consulta médica.
Mais uma vez: não há magia, truques ou receitinhas secretas, há, outrossim, um procedimento eficaz para tratar os males das pessoas.
Quando estudamos um caso de uma pessoa doente, chegamos a um medicamento que vai tratar o mal daquela pessoa, vai transformar uma pessoa doente em outra sadia, com a remoção de toda a sua patologia dinâmica.
Pode ser que coincida algum medicamento prescrito para pessoas diferentes, por serem os medicamentos tão extensos, mas não necessariamente um medicamento que foi indicado para uma pessoa pode ser usado por outra.





[i] Sintomas Patogenéticos, aqueles produzidos pela repetição do medicamento homeopático.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

ENFERMIDADES CRÔNICAS E AGUDAS


As enfermidades dinâmicas são, para a Homeopatia, entidades nosológicas claras e distintas entre si.
Comportam-se como doenças agudas ou crônicas: a que evolui para cura ou morte num intervalo de tempo curto são as agudas; e as crônicas são aquelas que se arrastam, consumindo o indivíduo aos poucos até que, praticamente, o acabem. Elas acabam com a vida do enfermo antes que este possa simplesmente morrer naturalmente (sadio).
As duas são causadas por alteração no dinamismo vital, por agentes causadores de doenças diferentes.
As doenças crônicas são provocadas pela doença dinâmica Psora, Sífilis e Sicose. A esse agente causador do desequilíbrio dinâmico chamamos de Miasma[i] crônico.
Já a doença aguda é causada por um Miasma agudo.
Se duas pessoas tiverem a mesma doença aguda farão, praticamente, o mesmo quadro sintomático, ou muito semelhante na sua manifestação.

A DOENÇA AGUDA

Na doença verdadeiramente aguda há uma forma clara de agir. É a doença que causa um mal agudo, de forma vigorosa, com sintomas e sinais exuberantes, e tende à morte ou à cura espontaneamente.  
Geralmente acaba por produzir sintomas e sinais muito semelhantes em indivíduos enfermos distintos. Produzem um quadro muito semelhante, mais ou menos exuberante de um indivíduo para outro, mas um mesmo quadro clinico.
Dependendo de como afetam a população geral, podem atingir a grande maioria, metade da população ou menos que a metade, e daí recebem nomes diferentes.
Lá no começo do livro, escrevi um episódio assim: “Houve há alguns anos atrás uma epidemia de gripe. O quadro era claro, e as pessoas caíam enfermas dessa virose e, com mais ou menos tempo, se curavam sem problemas”. Esta era uma doença aguda de verdade, este é um bom exemplo.
Porém, uma doença aguda pode fazer com que um indivíduo, previamente enfermo na sua dinâmica vital, desencadeie as manifestações de uma doença crônica. É como se a doença aguda despertasse a doença crônica que jazia latente em seu sistema, apenas esperando o momento em que pudesse agir.
 Vemos isto mais ou menos assim no consultório:
- Desde que peguei tal gripe, passei a apresentar tal e tal sintoma, e quando fui ao médico este me diagnosticou como tal doença crônica. Eu nunca tinha tido nada até então.
Parece que o impacto causado pela doença aguda sobre um indivíduo psórico, que apresentava a Psora em latência, coloca em atividade a doença dinâmica crônica, e a pessoa começa, então, a desenvolver toda sua morbidade latente.

A DOENÇA CRÔNICA


A doença crônica é bem diferente de uma aguda que evolui para cura ou morte.
Ela tende a não se curar, é de característica evolutiva, se complica no tempo e compromete gradualmente a saúde do indivíduo, mas só o mata por complicações ou porque este literalmente “se acaba”, após ser tão comprometido e espoliado.
As doenças crônicas, tais como as conhecemos, nascem porque uma pessoa está suscetível a adoecer.  
Essa suscetibilidade é decorrente de uma alteração prévia do seu organismo como um todo, o que lhe cria um terreno mórbido, isto é, uma predisposição a desenvolver algumas patologias, dependendo para isso da sua genética e do meio em que vive.
Nem sempre podemos alterar o meio, nem, tampouco, a genética. Em vista disto, podemos mudar a suscetibilidade para que a pessoa não adoeça.
A doença crônica é adquirida e pode se mostrar ainda simples como o campo que chamamos de Psora, ou estar já complicada com outros fatores mórbidos. Ainda pior se muito evoluída, quando aparecem as doenças em que o corpo não pode fazer uma identificação correta entre o que é normal e precisa ser mantido, e o que é alterado precisa ser eliminado.
Uma vez adquirida essa doença crônica, ela vai mudar o sistema e nos predispor a adoecer, e isso vai mudando nossa forma de ser, nos limitando, nos fazendo sofrer.
Aos poucos, vamos acabando, diminuindo, até que, através de um acidente mórbido, não tendo mais condição de nos manter vivos, morremos.
Quando um homeopata estuda e trata um paciente, está tentando aniquilar essa disposição de adoecer, que se chama Miasma. É porque ela está no corpo e o desorganiza que tantas doenças vão aparecer como enfermidades. Por exemplo: hipertensão, diabetes, lúpus, os tantos transtornos articulares, digestivos, as neuroses, muitos dos chamados desvios sociais, fobias, etc.
Se tivermos que estudar um paciente, procuraremos, assim, estudar como o indivíduo se alterou para ter a patologia que tem, e como poderemos tratá-lo.
É a atuação típica de um médico clínico, porém com uma arma terapêutica muito eficaz para esse fim, que é a Homeopatia.

AGUDIZAÇÃO DE UMA DOENÇA CRÔNICA

O que causa confusão é o fato de a doença crônica muitas vezes produzir quadros de agudização, que não são provocados pelo Miasma agudo, e, portanto, não são os mesmos para mais ninguém. Esta agudização de um miasma crônico é que gera confusão, aparentando ser uma doença aguda.
É mais um acidente mórbido, uma pequena complicação no curso de uma doença crônica do que uma doença aguda.
Houve há alguns anos atrás uma epidemia de gripe. O quadro era claro, e as pessoas caíam enfermas dessa virose e, com mais ou menos tempo, se curavam sem problemas.
No meio dos que haviam pegado a virose, apareceram alguns que complicaram com amigdalite purulenta aguda, otite média purulenta aguda e até broncopneumonia.
Esses eram os enfermos crônicos que, diante de uma virose, uma enfermidade miasmática aguda, complicaram, fazendo outra doença, aqui bacteriana, uma complicação, devido à suscetibilidade a enfermar motivada pela Doença Crônica Dinâmica. São os quadros que só o individuo enfermo apresenta, e só ele,  não mostrando ter um gênio epidêmico.
Também há outros tantos que fazem um quadro de doença aguda, como resultado da “agudização” de uma doença crônica dinâmica, que saiu da latência ou se manifestou espontaneamente pelo dinamismo mórbido. Nesses casos, se houver um quadro semelhante, será só por uma coincidência.
São comuns, por exemplo, as complicações do Sarampo, que levam até a morte. Isso porque se uma criança não está bem na sua dinâmica vital, ela apresenta uma suscetibilidade a enfermar; e se adquire uma doença viral intensa que a consome, cria condição para desenvolver outra doença que pode lhe ser fatal.

Toda vez que entra um paciente no meu consultório com uma doença aguda, tenho de diagnosticar em qual situação se encontra, se é portador de uma enfermidade aguda pura, se apresenta uma agudização de uma doença crônica ou se é complicação provocada durante a evolução de uma doença aguda em um indivíduo previamente doente (doença crônica).
E para reforçar o conceito: digo doença crônica me referindo à Doença Dinâmica, que afeta o todo e o torna suscetível a adoecer.
Aparentemente, podemos não mostrar essa doença, a não ser para o médico através de uma consulta.
É por isso que ouvimos quando alguém se complica com uma doença aguda:
- Mas fulano era tão saudável, nunca teve nada, e agora esta assim tão ruim, não dá para entender...



[i]                       Miasma tem como tradução veneno ou vírus.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

OS SINTOMAS E SINAIS COMO  FERRAMENTAS INDISPENSÁVEIS PARA A MEDICINA



      Mesmo as pequenas alterações não deixam de ser grandes mudanças no nosso sistema orgânico e no universo que nos envolve.

      Nunca realmente apenas sentimos alguma coisa, muita coisa muda para ser percebido  como um “sintominha”.

      Nossa saúde é a resultante de uma dinâmica de vida fantástica que nos é impossível de compreender por completo devido a imensa complexidade.

      Quando, no passado,  passamos a estudar mais conscienciosamente o corpo humano e suas funções alguém dividiu nossa realidade orgânica única em cabeça e corpo, tendo lá alguma influência da religião.

      Então passou a ser comum que a nossa realidade fosse dividida em coisas da mente e coisas do corpo. Esse conceito é arraigado na cultura ocidental.

      Em decorrência disso, grosseiramente, foi dividido nossa realidade em mental e físico, mas existe essa divisão?

      Muitos que afirmam não existir criam sistemas tão fantásticos que o melhor é dividir e vice versa.
      Temos que nos enquadrar em algum conceito em voga no nosso tempo, senão ou o fato é ignorado como se não existisse, ou causará um mal estar desorganizador.

O PRIMEIRO PRINCÍPIO


      Somos seres vivos.

      Só isto basta para podermos começar a nos entender.

      Ver a realidade mais simples que podemos ver com nossos sentidos e funções: somos seres que ainda estamos vivos.

      Não precisamos de mais nada a verificar essa realidade e muito menos conceitos que apenas complicariam nossa percepção pura e simples.

      E como seres vivos vivemos em algum lugar que é o bem aqui e agora.

      Magnífica conclusão.

      Disso incorre observarmos que reagimos assim e assim, que movemos braços pernas e dirigimos nosso olhar para cá e para lá, etc.

      Então como poderemos nos conhecer?

      Aí o cerne da questão, já nos conhecemos, mas não temos na nossa racionalidade nada que pudéssemos nos espelhar como membros de alguma coisa, do mundo  e pensamentos, então criamos a observação, e nomeamos partes. Isso sem dúvida ajuda o estudo e compreensão daquilo como somos como organismos viventes.

      Não que sejam em si descobertas, mas recriamos, à nossa capacidade, a nossa realidade e a que nos envolve, nomeando e criando modelos para explicar-lhes a realidade que conseguimos perceber como tal.

      Daí surge incessantemente dicotomias, divisões, e realidades únicas são geradoras de inúmeras realidades conceituais que nos induzem achar que nada tem em si relação, e são, na realidade,  apenas manifestações detalhadas de uma única observação. 

      Daí estudamos coisas que dizem respeito à mente, ao cérebro, aos órgãos e sistemas, e assim por diante.

      Voltando aos nossos sintomas, eles refletem uma unidade conceitual, mas na realidade dos fatos, na atualidade deles, é apenas algum ruído de um movimento universal que nos envolve.

      Mas por que tudo isso é interessante?

      Mas por que esse discurso com ares existencialistas?

      Porque simplesmente temos que ter em mente que o particular é manifestação do movimento da unidade, e quando falamos em medicina, o objeto de estudo tem que ser o indivíduo e não simplesmente sintomas e doenças.

O OBJETIVO DOS SINTOMAS E SINAIS


      Parece não mostrar diferença, de ser apenas uma afirmação um tanto verborréico, mas é assim, entendendo que os sintomas podem ganhar um novo significado e a resultante disso, após treino sério e constante, será a capacidade de entender o som das doenças, a visão da alteração a que chamamos doença.

      Não que os estudos setorizados não sejam produtivos e úteis, mas tem na sua dimensão uma utilidade focal que nos ajuda como o foco de luz de uma lanterna sobre um objeto. 

      Muitos dos profissionais clínicos famosos, que por sua prática tinham hipóteses diagnósticas acuradíssimas eram tido como médiuns videntes ou intuitivos e nunca um trabalho árduo de educação, de conseguir tornar claro a todos a percepção pessoal daquilo a que chamamos doença.

      Muitas vezes prognosticaram doenças mesmo antes delas se manifestarem como disfunções, e só baseado na forma de entender e observar o objeto de estudo, o indivíduo  enfermo.
      Como então fazer para se integrar com a observação Clínica?
      Sem dúvida é uma tarefa difícil e passível de ser treinada através do estudo sistematizado, utilizando a indução e dedução.

A INFORMAÇÃO DO PACIENTE

      A melhor ferramenta que tem um médico, principalmente o médico homeopata, são as informações do paciente.
    Os sintomas e sinais do paciente nos é de uma riqueza ímpar, porque nos mostram como a doença natural modificou seu estado de saúde.
     É só através deles que podemos fazer uma ideia, através de sua ação patógena, da face da doença em ação, como age e o que provoca.  
      Só podemos mesmo entender o que tem que ser tratado através dos sintomas e sinais que denunciam como a doença alterou o indivíduo sadio.
     Apenas através das informações sobre o paciente e sua doença é que o homeopata pode perceber a dinâmica da enfermidade que está consumindo a pessoa e diminuindo seu padrão de vida.
     A doença dinâmica não se mostra de outra forma senão através dos sintomas e sinais que ela gera ao se alterar.
   E é através dessas informações que podemos chegar a um diagnóstico patológico do corpo ou da alteração do dinamismo de vida.
    É só assim que poderemos conhecer a Doença Dinâmica, que altera o Dinamismo Vital. 

      Cabe, portanto, ao paciente numa consulta médica, o trabalho de informar com exatidão para que junto com o médico possam atingir o objetivo que é promover a saúde integral do indivíduo.